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O SISTEMA S NA ÓTICA DO COMPROMISSO COM A REALIDADE BRASILEIRA
jan 30th, 2019 by Magdalves

Quando alguma coisa ameaça ações que estão dando certo no País, nós precisamos nos mobilizar para impedir que essa ameaça se concretize.

Nosso novo Presidente da República vem falando em restringir os recursos do Sistema  , e isso me levou a refletir sobre o significado de algumas das ações que podem estar em perigo. Vejam:

COMPROMISSO COM O DESENVOLVIMENTO DO BRASIL

As organizações do Sistema S tem estado presentes nos fóruns de discussão de desenvolvimento brasileiro, onde sua presença é bastante significativa, como se pode ver pelos exemplos abaixo.

 

MESA BRASIL – PIONEIRISMO EM BANCO DE ALIMENTOS

Em 1993, quando Herbert de Souza, o Betinho, provocou a sociedade brasileira para que assumisse um papel ativo no enfrentamento à Fome que era a realidade de 32 milhões de brasileiros, o SESC aceitou o desafio de compor uma Frente de Organizações voltadas para o combate à Insegurança Alimentar.

Dessa parceria, nasceram parcerias entre produtores de alimentos e organizações sociais, numa proposta de reaproveitamento de sobras de alimentos que é a semente do que hoje chamamos de Bancos de Alimentos.

A ação do Mesa São Paulo, que mais tarde se transformou em Mesa Brasil é uma proposta de coleta de alimentos, próximos da data de vencimento, para reaproveitamento imediato em refeições a serem disponibilizadas a quem tem fome.

FORMAÇÃO PROFISSIONAL

Na Indústria

SESI  e SENAI são referências na educação de crianças, jovens e adultos, assim como atuam na inserção no Mercado de Trabalho e na Qualidade de vida do Trabalhador e seus dependentes.

Segundo dados contidos no site da CNI, “desde 1942, o SENAI já qualificou mais de 73 milhões de brasileiros e atualmente recebe 2,4 milhões de matrículas ao ano.  O SESI possui cerca de 1,5 milhão de alunos matriculados em educação e atende ao ano 4 milhões de trabalhadores em serviços de saúde e segurança do trabalho”.

É consenso na sociedade que estes serviços são de primeira qualidade e 80% dos egressos do SENAI são contratados imediatamente após a formação profissional. Isso contribui para superar os desafios da má qualidade da educação brasileira.

O SENAI é um dos cinco maiores complexos de educação profissional do mundo e o maior da América Latina. Seus cursos formam profissionais para 28 áreas da indústria brasileira, desde a iniciação profissional até a graduação e pós-graduação tecnológica.

As ações de qualificação profissional realizadas pelo SENAI formaram 73,7 milhões de trabalhadores em todo o território nacional, desde 1942. Esse resultado só foi possível porque o SENAI aposta em formatos educacionais diferenciados e inovadores, que vão além do tradicional modelo de educação presencial, em suas 541 unidades fixas e 452 unidades móveis em 1,6 mil municípios brasileiros. O SENAI também capacita e forma profissionais em cursos a distância, que estão à disposição do estudante 24 horas por dia, sete dias por semana.

PRONATEC Poprua

O PRONATEC – Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego, criado pelo governo federal, e objetiva ampliar a oferta de cursos de educação profissional e tecnológica. Oferece ainda: Vale transporte, alimentação, Certificado de conclusão dos Cursos.

Em 2013, a partir de uma parceria com a Prefeitura de São Paulo foi criado o PRONATEC PopRua, visando  potencializar o PRONATEC ampliando as oportunidades de inserção destas pessoas no mundo do trabalho. Além dos Cursos, a proposta articula uma Rede de serviços incluindo empresas para ampliar o acesso dos alunos ao mundo do trabalho. Além disso, o acompanhamento dos usuários é personalizado e ampliado por uma formação complementar para a inserção no mercado de trabalho.

 

Os Cursos preparam  Porteiros, Zeladores, Auxiliares de Limpeza, Jardineiros, Eletricistas, Mecânicos, Soldadores, Pintores, Pedreiros, Almoxarifes, Auxiliares A?dministrativos, Auxiliares de Lavanderia, Padeiros, etc..

Esta Proposta foi reconhecida nacional e internacionalmente, como se vê pelas informações abaixo.

2013: PRONATEC POPRUA foi uma das 4 iniciativas vencedoras do Prêmio Rosani Cunha de Desenvolvimento Social. Prêmio impulsionou o Governo Federal na criação na modalidade exclusiva PopRua para todo o país.

2014: PRONATEC POPRUA foi uma das 150 selecionadas para ser apresentada – entre outras 600 experiências – no XIII Congresso da Associação Internacional de Cidades Educadoras em 2014. Experiência publicada no Banco Internacional de Cidades Educadoras.

Você vai ficar quieto enquanto isso acontece?

Veja uma reflexão a respeito em http://mmaconsultoria.com/?page_id=3153&preview=true

OPORTUNIDADES NA TERRA DOS CONTRASTES OS 464 ANOS DE SAMPA
jan 15th, 2019 by Magdalves

Cidade da Indústria, São Paulo é a maior economia do Brasil, a maior cidade da América Latina. Quem analisa a economia da cidade, em seu vigor que cresce dia a  dia, fica maravilhado com tanto sucesso. A Elite paulistana consegue viver uma realidade de primeiro mundo e acredita que o futuro a ela pertence com muito sucesso e riqueza infinda. Dados estatísticos permitem afirmar que seis pessoas possuem riqueza equivalente ao patrimônio dos 100 milhões de brasileiros mais pobres.

São Paulo também é a cidade da miséria, já que dos seus 10 milhões de habitantes, amargam uma realidade de desemprego, falta de moradia e dificuldades de acesso a bens e serviços básicos.

Favelas, cortiços e pessoas em situação de rua são o cenário deste outro lado da grande metrópole. Muitos destes “filhos” vieram para esta cidade em busca de trabalho, afinal o discurso diz que “basta ser bom para se vencer na vida”. Dentre estes filhos adotivos, temos 150 estrangeiros, muitos dos quais vieram em busca de proteção em virtude de situações de guerra em seus locais de origem, outros vieram iludidos com a pujança do grande Capital que promete sucesso para todos.

Há dois séculos, somos considerados um dos maiores núcleos políticos do país e centro nevrálgico de sua economia, situação que começou no ciclo do café e perdura até hoje. Não podemos negar o mérito destes trabalhadores que escolheram esta terra e aqui fizeram morada.

GOLDSMITH, prefaciando KOWARICK aponta que além do progresso e da miséria, São Paulo apresenta uma outra  característica que é ser uma cidade da Resistência.

 

“Em1984, após vinte anos de regime militar, um milhão de pessoas tomou as ruas para exigir mudanças. Seu brado por “Diretas Já!” continha um significado triplo evidente – direitos civis, direitos humanos e eleições diretas, já! O esforço conjugado de trabalhadores sindicalizados e organizações de bairros de São Paulo foi parte de um movimento político nacional.”[1]

Começamos 2019, num contexto   preocupante na medida em que a população brasileira e a  paulista nos brindaram com governantes que apontam para outro modo de conduzir  a gestão pública.

Participação Social que vem sendo uma tônica há décadas começa a ser rechaçada   por um discurso que pretende  falar em nome de todos os brasileiros, calando a única voz que pode nos dar parâmetros para o que deve ser feito que é a voz do povo.

Em nome da ordem e da segurança, avalizam-se ações truculentas  dos  policiais que  podem gerar tragédias cotidianas.

O discurso de enfrentamento à corrupção mostra-se frágil na medida em que muitos dos escolhidos para comporem estes governos tem “ficha suja” com processos abertos buscando verificar estes ocorridos e isso nem causa espécie entre eles.

Em nome de uma economia de recursos, jogam sobre os ombros dos funcionários públicos um encargo ainda maior, sem nem ao menos corarem ao se apontar que para outros segmentos políticos os cordões da bolsa são ainda mais lassos.

Vamos refletir sobre isso? Veja em   http://mmaconsultoria.com/?page_id=3139&preview=true

[1][1] KOWARICK’, Lúcio (0rg) – São Paulo Passado e Presente: as lutas sociais e a cidade, Paz e Terra, 1994, 2ª edição.

ADEUS ANO VELHO! RECEIOS DE ANO NOVO
dez 30th, 2018 by Magdalves

 

Entra ano, sai ano e a gente continua com mais sonhos do que conquistas, mais luta do que vitórias, mas ainda bem que a coragem nos acompanha.

2018 se despede, sem promessas de que o ano que chega traga melhorias ao nosso país que fez uma opção complicada nas últimas eleições.

Ontem, na TV, Jair Bolsonaro dizia que a garantia da nossa democracia está nas forças armadas… e não posso concordar com isso.

Democracia é um regime político onde o poder é exercido pelo povo. Cada cidadão deve conhecer seus direitos e deveres, lutar por eles e alcançar a vida plena.

No Brasil, a Democracia começou a ser exercida no século XX, após um período de Ditadura que fez muitos mortos e que até hoje tem desaparecidos sobre os quais não se tem notícia.

A Ditadura de 64 me ensinou o que é medo. Ainda que a situação do país faça aflorar o espírito agressivo de muitas pessoas, eu ainda tenho mais medo das nossas “autoridades armadas” do que dos bandidos que buscam nos atacar.

Realidade Brasileira

Faz quase 50 anos que venho acompanhando os reflexos da tremenda desigualdade de renda que coloca o  Brasil num ranking vergonhoso. Até aquela época, eu vivia num mundinho cor de rosa, numa realidade de classe média que permitia que não precisasse trabalhar, onde podia estudar, ter férias, fazer passeios e curtir a vida como se tudo me fosse destinado.

Lembro-me de um amigo de infância, que reencontrei anos depois e que rememorava nossas folias na piscina, as partidas de tênis, os passeios a cavalo, as caminhadas por lugares novos no interior, as tardes no Jockey, os bailes de sábado a noite e a ausência de preocupação com a sobrevivência.

Na década de 70, em plena Ditadura, comecei a expandir meus horizontes e conheci um outro Brasil. A pobreza, a fome, a criança que deixava de ir à escola porque era dia de lavar o único uniforme que tinha, a ausência de brinquedos e o trabalho precoce me ajudaram a rever minha ótica e a começar a me preocupar com o direito de todos.

Quando estas pessoas começaram a se unir para exigir um lugar ao sol, tivemos o florescer de diversos movimentos sociais como o Custo de Vida. Panelas vazias eram um símbolo de uma necessidade premente que assolava estes lares e a consciência de direitos começou a se construir a partir do não atendimento ao mínimo necessário.

Quando comecei a atuar no social, num primeiro momento, a partir da Igreja onde me envolvi na catequese de crianças e jovens, é que fui percebendo onde estava vivendo.

Minha paróquia fica no centro de São Paulo, e padres e bispos diziam que as pessoas que a frequentavam eram de fora do centro, vinham dos bairros pois o centro tinha melhor qualidade de vida. Doce ilusão!

Logo nos primeiros olhares, nas primeiras visitas às famílias, descobrimos uma multidão de crianças e jovens, vivendo em cortiços, ficando sozinhas quando os pais iam trabalhar e cuidando de irmãos menores… afinal, não havia dinheiro para contratar cuidadores.

Num dos trabalhos que fizemos naqueles anos, descobri que muitas daquelas crianças nunca tinham visto terra, achavam que água era algo onde não deviam mexer e quando tinham dúvidas nas lições de casa não tinham qualquer apoio pois muitos daqueles pais e mães nem eram alfabetizados.

Fiz as crianças brincarem na terra, se molharem brincando de jogar água umas nas outras, e dei algumas aulas particulares.

O mundo onde elas viviam era perigoso. Nunca vou me esquecer do dia em que uma mãe chegou para mim com seus quatro filhos e me disse que a mais velha fora atacada sexualmente na frente da irmãzinha e ela não sabia o que fazer. Me vi a braços com um drama real que pedia solidariedade e cuidados.

O agressor fizera aquilo como retaliação, já que era traficante e o pai das meninas, por ser honesto, estava a atrapalhar seu comércio.

Tenho a clareza, hoje, que não fui eu quem me aproximou da realidade vivida, mas ela é que como uma enxurrada entrou na minha vida e se instalou para sempre cobrando de mim que “comprasse aquelas brigas”.

A População de Rua

Foi neste cenário que conheci a luta das pessoas que vivem nas ruas. Sabedoras de que aquela Paróquia tinha ações sociais, elas se impuseram e vieram até nós que ainda estávamos numa certa redoma protegida.

Aqueles “pedintes”  quebraram barreiras e se fizeram ouvir, ao mesmo tempo em que demonstraram que tinham um potencial a ser resgatado.

Minha primeira surpresa foi musical. Fortunata, amiga querida e religiosa que se empenhava nesta luta estava tocando violão e um daqueles rapazes de rua pedia músicas… quando perguntei se gostava de música, pegou o violão e deu um show: era um artista de primeira linha.

Acompanhei a consolidação da organização destas pessoas e hoje me sinto parte da luta do Movimento Nacional da População de Rua.

São homens e mulheres, crianças, adolescentes, adultos e idosos, iletrados ou com escolaridades respeitáveis, que passaram por diversos espaços profissionais e tem uma capacidade a ser recuperada, seja por processos de  qualificação ou pela facilitação na mediação com o Mundo do Trabalho.  Estima-se que a cidade de São Paulo tenha mais de 35 mil pessoas em situação de rua.

2019: Ano de promessas ou de ameaças?

Das falas dos governantes, podemos antever o que pode ocorrer nos próximos anos.

Direitos do Trabalhador: Jair Bolsonaro disse em sua Campanha que trabalhador que quiser direitos,  deve procura-los em outro lugar que não o Mundo do Trabalho. Atendendo a sua sugestão, o Presidente Temer já acabou com o Ministério do Trabalho, colocando esta “temática” subjugada aos interesses dos empresários. No discurso, Férias remuneradas e 13º são supérfluos que devem sumir com o tempo. E, criou-se um novo tipo de contratação sem direitos em que trabalhadores, sem remuneração, devem ficar a disposição para quando forem trabalhadas.

Direitos Previdenciários: outro ataque é o que vem sofrendo a Previdência. Adia-se a aposentadoria, aumentando-se os anos de trabalho. Em São Paulo, lei aprovada ontem faz com que funcionários públicos passem a deixar 14% de seus salários para ajudar a custear a previdência.

Violência Policial: ao arrepio da lei, as ordens, por enquanto verbais de Jair Bolsonaro e João Dória autorizam as polícias a aumentar a  truculência e atirar na cabeça. E vários incidentes já tem mostrado que isso se volta contra o jovem pobre e preto.

Entrega do Patrimônio: desmantelam-se leis de proteção ambiental e coloca-se a natureza a disposição de quem pagar mais, e já se negocia com outros países a cessão de nossos direitos.

Direitos indígenas: em nome de uma inclusão que aponta que “índios são seres humanos” (sic) propõe-se a abolição das reservas indígenas e o ataque à essa cultura.

Direito de reunião: em nome da ordem, ataca-se princípios constitucionais que garantem o direito de expressão e de reunião e Jair Bolsonaro aponta que “reclamar é terrorismo”.

Aonde vamos parar é a pergunta que está no ar e, espero sinceramente estar enganada e poder dizer daqui a um tempo que era tudo uma questão de retórica e que os direitos dos brasileiros seguem sendo respeitados.

E  você, o que espera de 2019?

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