29 de junho de 2016

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DISCRIMINAÇÃO E SITUAÇÃO DE RUA

15 de março de 2017

A desigualdade social brasileira vem de séculos atrás, e pode-se apontar alguns momentos em que estas raízes foram fortalecidas pelo modo de ser da sociedade.

O Brasil foi um dos últimos países a declarar o fim da escravidão, mas o modo como isso foi feito apenas mudou o jeito de escravizar. Até o século XIX, a classe rica era “servida” por trabalhadores escravizados, sem  direito a salário nem a condições dignas de vida e submetidos a repressão e à tortura.

A mudança neste regime se deu menos na defesa destes trabalhadores do mais pela oferta de trabalhadores baratos vindos da Europa como migrantes, o que tornou descartável aquele segmento.

Pode-se dizer que este é o surgimento de grupos com potencial discriminatório que irão consolidando um segmento depreciado pela sociedade.

Este processo de rotulação/estigmatização justificam preconceitos e discriminações que dificultam a estas pessoas superarem as condições negativas que fazem delas um membro da população de rua.

Preconceitos e discriminações afetam as relações de pessoas em situação de rua na sociedade e influem na aplicação da Política para População de Rua.

Uma leitura preconceituosa da sociedade leva a formas veladas de discriminação que cobram de cada um deles e de cada uma delas uma atitude resignada que vai se cristalizando e sendo naturalizada.

Uma das maiores queixas refere-se ao modo como são tratados até mesmo nos serviços que deveriam ser para eles. De certa feita, num equipamento social, um usuário denunciava que os técnicos “não olham pra gente”. E, de fato, pude observar que apesar de estar fazendo encaminhamentos relativos àquela pessoa, este profissional não se dava ao trabalho de olhá-lo nos olhos e mostrar a ele que estava de fato interessado em resolver a questão.

Apesar de todo um discurso de Direitos da Poprua o que se vê é uma política domesticadora, higienista e com traços de piedade.

Falta um investimento no fortalecimento das redes de sociabilidade e de afetividade, suporte no aspecto jurídico – incluindo a garantia da documentação

O grande desafio presente no discurso das autoridades aponta a emancipação pelo trabalho como estratégia de saída da situação de rua.

As vagas disponibilizadas, no entanto, nem sempre correspondem ao perfil das pessoas em situação de rua.

O pressuposto é que precisam ser criados postos de trabalho desqualificado já que há uma leitura de desvalorização social em relação a estas pessoas.

O grande desafio da Política para População de Rua não é a abertura de postos de trabalho específicos, mas a mediação para que pessoas em situação de rua possam concorrer em condições de igualdade com os demais desempregados que buscam as mesmas vagas.

Isso implica em trabalhar o preconceito enraizado na sociedade que leva a considerar estas pessoas perigosas – o medo impede que sejam vistas por baixo da carapaça da “situação de rua”; despreparadas – e nem nos damos ao trabalho de averiguar seu passado profissional, sua qualificação efetiva e seu preparo para a função vaga.

O texto integral você encontra em . http://mmaconsultoria.com/?page_id=2828&preview=true

RELAÇÕES SOCIAIS E SITUAÇÃO DE RUA

28 de fevereiro de 2017

Toda vez que refletimos sobre Relações Sociais, a primeira ideia que surge é aquilo que sempre nos disseram: homens e mulheres são seres sociais.

Diferentemente do que ocorre com outros animais, o homem e a mulher são seres em relação e é neste relacionar-se que este animal-homem (e mulher) se transforma no ser homem e ser mulher.

O homem/mulher é provido de um mecanismo de adaptação flexível e criativo que conhecemos como inteligência. A sociabilidade dos grupos humanos foi se construindo desde os primórdios da humanidade na medida em que este homem/mulher se percebia frágil para defender-se e alcançar seus desejos sozinho. A partir daí, passou-se a afirmar que a associação é uma tendência natural do homem, quando na verdade a história está repleta de relatos de guerras, lutas entre irmãos, exploração do homem pelo homem, escravidão, colonialismo, etc.. o que comprova que é uma tarefa hercúlea garantir-se um comportamento societário.

Ainda assim, no decorrer dos séculos, em todas as civilizações, em todos os países, há relatos de grupos diversos visando a defesa contra os inimigos e o aperfeiçoamento do indivíduo, à prática das artes, a recreação, a defesa da profissão ou a simples convivência.

Grupos sociais são conjuntos de pessoas que tem entre si relações estáveis e interesses comuns. No geral, pertencer a um grupo social significa estabelecer com ele um sentimento de identidade que  pode se dar ou não através do contato permanente. Dependendo da força desta identidade grupal, posso me sentir parte do grupo ainda que esteja distante fisicamente, como é o caso de famílias que se distanciam geograficamente, mas se mantém unidas por laços que podem se expressar a qualquer momento.

A socialização secundária das pessoas em situação de rua

O que ocorre quando a transformação de mundo é uma decisão exterior ao indivíduo, e ainda assim não lhe deixa espaço para o contrapor-se?

Segundo Berger, na socialização secundária, o presente é interpretado de modo a manter-se numa relação íntima com o passado, enquanto que na ressocialização/alternação busca-se o reinterpretar o significado dos acontecimentos e pessoas do passado de modo, a refabricá-lo a partir da fantasia.

No caso das pessoas em situação de rua, o distanciamento dos outros significativos que povoaram a infância e mesmo a juventude, muitas vezes, se dá com a intenção de preservação do eu interior.

“Meus pais não merecem me ver chegar desse jeito. Vou primeiro vencer na vida, depois eu volto” – assim se expressava Fernando, uma semana antes de morrer assassinado.

Quais os ritos vividos por alguns indivíduos que os levam a aceitar esta nova socialização secundária que faz deles “pessoas em situação de rua”?

O texto integral você encontra em http://mmaconsultoria.com/?page_id=2822&preview=true

O ESTADO E OS MUNICÍPIOS: ÓTICAS COMPLEMENTARES NAS PROPOSTAS DE CAPACITAÇÃO VISANDO A POLÍTICA PARA POPULAÇÃO DE RUA

15 de fevereiro de 2017

Quando se reflete sobre o processo de formação voltado para a Política para População de Rua, sem dúvida, o primeiro grande desafio é a apropriação do perfil encontrado entre a Poprua do território do qual estamos falando.

Um dos aspectos significativos na atuação profissional junto a “pessoas em situação de rua” é, sem dúvida, o entendimento de quem são estas pessoas, quais suas necessidades e que potencial trazem em si. Os processos de “resgate” implicam numa certa imersão em suas histórias para, em diálogo com elas, buscar identificar propostas possíveis de serem implementadas.

Quando o Decreto 7053/2009 instituiu uma Política Nacional para População de Rua, definiu 10 diretrizes (artigo 6º) dentre os quais salientamos o item IX que diz “implantação e ampliação das ações educativas destinadas à superação do preconceito, e de capacitação dos servidores públicos para melhoria da qualidade e respeito no atendimento deste grupo populacional

A construção de uma proposta de capacitação inserida na  Política Nacional para População de Rua tomou por base os seguintes documentos nacionais:

  • Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (PNEDH),
  • Política Nacional de Educação Permanente em Saúde (PNEPS), e
  • Política Nacional de Educação Permanente do Sistema Único de Assistência Social (PNEPSUAS).

A NECESSIDADE DE FORMAÇÃO DE QUADROS

 

Nos dias atuais, vivemos intensas transformações no Mundo do Trabalho. O aumento do desemprego aberto, as exigências de qualificação e as estratégias de sobrevivência a partir do trabalho informal vem ampliando o número de pessoas e famílias vivendo em situação de rua.

SUJEITOS DA FORMAÇÃO

Se almejarmos a eficácia e eficiência no desenvolvimento da Política, este processo precisa envolver técnicos, administrativos e operacionais que atuam no cotidiano, mas não podem deixar de lado os coordenadores de Programas, Projetos e Políticas já que se trata de uma apropriação de uma realidade relativamente nova na política e sobre a qual precisamos construir consensos que permitam que as ações se complementem.

 

PAPÉIS DO ESTADO E DO MUNICÍPIO

Trabalhadores que atuam  no cotidiano e Coordenadores de Programas

Os executivos municipais são responsáveis pelas Políticas Locais implementadas em suas cidades, sejam elas voltadas para a Habitação, a Saúde, a Assistência Social, a Educação, o Trabalho, a Segurança Pública, a Cultura, o Esporte e o Lazer.

Tendo em vista que a PNPR deve ser construída intersetorialmente, os executivos municipais são responsáveis pela Formação de Quadros profissionais que atuam com a Poprua, sejam quais forem suas lotações.

Gestores municipais das diversas políticas

Um dos papéis do governo do estado no que se refere à formação de quadros voltado para a População de Rua é o suporte aos municípios, priorizando-se aqueles onde há índices maiores de pessoas em situação de rua.

A reflexão integral você encontra em http://mmaconsultoria.com/?page_id=2816