29 de junho de 2016

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TERRITÓRIOS VIVIDOS E O COTIDIANO DA POPULAÇÃO DE RUA

29 de novembro de 2016

 “O território em si, para mim, não é um conceito. Ele só se torna um conceito utilizável para a análise social quando o consideramos a partir do seu uso, a partir do momento em que o pensamos juntamente com aqueles atores que dele se utilizam.”[1].

 

Muito se fala sobre territórios, principalmente, na sua relação com as pessoas. Quando a ótica é a das políticas sociais, o que se busca é identificar a ótica a partir da qual se vislumbra a dinâmica do cotidiano vivido pelas pessoas.

KOGA[2] analisa o território entendendo que ele representa o “chão do exercício da cidadania, ou seja, é no território que a cidadania se constrói enquanto vida ativa. É nos territórios que se concretizam as relações sociais, as relações de vizinhança e solidariedade, as relações de poder”.

Num mesmo território, podemos ter segmentos populacionais vivendo em condições de vida diferentes e, na grande maioria dos casos há disputa pelo controle do território já que cada um destes grupos almeja ter o domínio daquele que ele considera o seu território.

esta mesma realidade vista por outra ângulo

        A ótica das pessoas em situação de rua       

Passar a estar em situação de rua, na grande maioria das vezes, foi um caminho que teve várias etapas.

Estas pessoas chegaram a isso em virtude de diversas intempéries em suas vidas e contra as quais não tiveram nem forças e nem instrumentos para lutar.

O desemprego e os sucessivos nãos ouvidos quando se buscou outra colocação; a perda do local de moradia por falta de condições de pagar o aluguel; os desentendimentos familiares, muitas vezes, ocasionados pela falta do dinheiro; e o uso do álcool e drogas para ajudar a “encarar” estas tragédias que, ainda por cima, eram apontadas como sua responsabilidade. Aquele velho ditado de que “quem é bom, vence na vida”.

O texto integral você encontra em  http://mmaconsultoria.com/?page_id=2786&preview=true

[1]SANTOS, Milton – Território e sociedade: entrevista com Milton Santos. SP, FPA, 2000. [2000:22).

[2] KOGA, Dirce – Medidas de Cidades: entre territórios de vida e territórios vividos, SP, Cortez, 2003.

A ECONOMIA SOLIDÁRIA COMO PORTA DE SAÍDA DA SITUAÇÃO DE RUA

15 de novembro de 2016

Na busca da emancipação das pessoas em situação de rua, através do trabalho, a política para a População de Rua necessita atuar em três aspectos:

  • Incentivo à reação que permita buscar mudanças internas e o resgate da autoestima
  • Qualificação profissional em áreas onde sejam possíveis a reinserção no Mercado de Trabalho
  • Facilitação do acesso a vagas de Trabalho

Deve ser maluco, dizem alguns. Está drogado, dizem outros. E passamos ao largo sem conseguir perceber que ao nosso lado tem um ser humano com toda uma carga de frustrações que o estão impedindo de acessar seu próprio passado.

O resgate tem que ser personalizado, precisamos “olhar nos olhos” de cada um deles e procurar entender aquilo que está nos dizendo com palavras, gestos e ações. E, este é um processo que não se encerra numa única entrevista, mas requer um processo de aproximação e conquista para que o “ser interior” que ali habita consiga se comunicar conosco.

Isso me lembra Flávio Império que, em uma de suas produções apontava “minha cara, minha casca, minha máscara; um jeito de ser anterior à minha cara, minha casca, minha máscara”. Precisamos ultrapassar esta casca para construir junto com esta pessoa um caminho para o futuro.

A qualificação profissional é um segundo passo para construir o acesso  ao trabalho. Mas de que qualificação estamos falando?  Na situação de rua encontramos muitas pessoas que, apesar de terem um passado profissional significativo, aceitar começar do zero e com isso muitas pessoas pressupõem que basta dar a eles uma vassoura e mandar que comecem a limpar o chão. Mas, até mesmo para trabalhar na manutenção e asseio de locais é necessário um treinamento ou o trabalho não será bem feito.

Afinal, essas pessoas precisam de treinamento ou de qualificação? Treinar pessoas é qualificá-las para que melhor desempenhem determinadas tarefas, funções e rotinas. O treinamento objetiva dar maior eficiência ao trabalho, possibilitando o uso adequado de equipamentos e materiais e evitando o desperdício de tempo e dinheiro.

É neste contexto que queremos refletir sobre a Economia solidária, que  é para todas as classes, mas os pobres, aqueles que tem menos condições, aproveitam mais esta oportunidade.

A Economia Solidária pode ser um espaço de abertura de espaços alternativos de mercado para pessoas em situação de rua.

Em São Paulo, atuando com pessoas em situação de rua na construção de Projetos de Economia Solidária é significativa a presença da UNISOL-SP – Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários.

Atividades artesanais como construção de abajures com bagaço de cana, construção de objetos de decoração a partir da reciclagem, objetos diversos a partir do cimento, doces e outros produtos de alimentação já são uma realidade e a cada momento surgem novas propostas que vão sendo incubadas e gestadas.

O texto integral você encontra em   http://mmaconsultoria.com/?page_id=2780

A ARTE DA SOBREVIVÊNCIA E A CONSTRUÇÃO DE ESTRATÉGIAS DE SAÍDA ATRAVÉS DA ARTE: Um Pano de Fundo Para O CISARTE Centro De Inclusão Pela Arte, Cultura, Trabalho e Educação

24 de outubro de 2016

Nestes anos que venho acompanhando a trajetória de pessoas em situação de rua, tive contato com pessoas que tinham um potencial incrível seja para escrever, seja para tocar, cantar e compor músicas, para construir objetos artísticos com materiais tradicionais ou com sucata.

Quando a gente propõe a um grupo de pessoas que se expressem, muitos tem o domínio da fala, outros o domínio dos movimentos e com isso é interessantíssimo montar com eles pequenos esquetes de teatro para mostrar às demais pessoas aquilo que querem dizer.

O grande diferencial é que estas pessoas partem de uma outra ótica já que “estão do lado de lá” nas situações cotidianas que entendemos como normais.

Os estilos são variados, como variadas são as pessoas e se você abrir-se a observar, eu quase diria, sair do seu pedestal, poderá se encantar com um mundo diferente, com memórias dos tempos de criança, com usos e costumes das suas comunidades de origem e com um sabor de “casa de mãe”.

Nunca me esqueço de uma ocasião em que estávamos comemorando o período do Natal numa celebração na Praça Princesa Isabel, centro de São Paulo.  Em me aproximei de um rapaz com quem sempre dialogávamos e, apontando uma câmara de vídeo, pedi a ele que falasse do Natal.

Ele ergueu uns olhos verdes e sonhadores e disse “Natal!” e logo, caiu em si e perguntou “pera, Nega, você quer que eu fale da minha cidade, que é Natal, ou do período do Natal?”

Quando isso ocorreu, não apenas Natal estava conosco ali naquela Praça, mas todo o estado do Rio Grande do Norte, e eu fiquei sem palavras com a emoção que vinha dele.

Claro que ele falou do que quis e seu depoimento foi incrível. Tempos depois, fui conhecer sua terra, sua gente e a casa onde tinha vivido. Natal, para mim, tem muito deste amigo: saudades de você, Hélio.

As Portas de saída da situação de rua

Todos que atuam com esta problemática são concordes em afirmar a necessidade de ações intersetoriais para que possamos propiciar um suporte que permita a estas pessoas a construção de seus caminhos de reinclusão no Mercado e na sociedade.

A Moradia é fundamental – e não estou falando em vagas em Abrigos, mas no espaço do Morar que é muito mais que isso. Enfrentar a seleção perversa no Mundo do Trabalho requer empenho na qualificação profissional e a construção de mecanismos de encaminhamento que não apenas significam “conhecer o caminho das pedras” mas ser recebido e atendido em suas especificidades quando disputam uma vaga.

A identidade de “ser em situação de rua” foi construída a partir de muitas perdas, então há a necessidade de um terceiro aspecto a ser trabalhado que é a convivência em grupos e em sociedade para a reconstrução da autoestima.

É claro que, além de tudo isso, estas pessoas precisam ter garantido seu acesso a Políticas Sociais como educação, saúde, trabalho e assistência social.

E precisam se sentir aceitos e respeitados por estes profissionais sociais que deveriam intermediar o acesso às políticas.

A partir da cessão dos baixos do viaduto Pedroso, no município de São Paulo,  ao Movimento Nacional da População de Rua – MNPR, está em processo de implementação o CISARTE – Centro de Inclusão pela Arte, Cultura, Trabalho e Educação.

O texto integral você encontra em  http://mmaconsultoria.com/?page_id=2773