29 de junho de 2016

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A SENSIBILIZAÇÃO DA SOCIEDADE: OUTRO LADO DO ACESSO A TRABALHO PARA A POPRUA

14 de abril de 2017

” …Considera-se população em situação de rua o grupo populacional heterogêneo que possui em comum a pobreza extrema, os vínculos familiares interrompidos ou fragilizados e a inexistência de moradia convencional regular, e que utiliza os logradouros públicos e as áreas degradadas como espaço de moradia e de sustento, de forma temporária ou permanente, bem como as unidades de acolhimento para pernoite temporário ou como moradia provisória”. (§único do artigo 1º do Decreto 7053/2009)

 

Ao instituir a Política para População de Rua, a legislação define como características deste segmento populacional a pobreza extrema, os vínculos familiares rompidos ou fragilizados e a inexistência de moradia convencional regular.

As reflexões que vem sendo feitas em mais de 160 países no mundo consideram que a porta de saída desta situação encontra-se no binômio moradia e acesso a trabalho.

Ainda que o primeiro passo seja o resgate do “morar”, a Política Nacional para População de Rua aponta que  a busca da emancipação.

Este vetor do acesso a trabalho tem sido um dos grandes desafios enfrentados por esta política. Em nome da sobrevivência, a grande maioria das pessoas em situação de rua submete-se a qualquer tipo de trabalho: carga e descarga de caminhões, principalmente em áreas como o Mercadão ou o CEASA; ajudantes na construção civil; plaqueteiro – andar em áreas de bastante movimento, ostentando propagandas que indiquem às pessoas agências de emprego, compra de ouro e prata, restaurantes a preço popular e outros; apoio a ambulantes irregulares – levando e trazendo mercadorias para evitar que sejam apreendidas pela fiscalização; vendedores em faróis, trens e nas ruas; catadores de material reciclável e outros.

Mas o que acontece quando uma pessoa que tem vivência em situação de rua começa a se reconstruir visando sair dessa condição?

Muitas destas pessoas tem um histórico de participação em cursos de qualificação diversos na medida em que aproximam-se deste tipo de projeto acreditando que é apenas um passo para o trabalho que lhes devolverá a dignidade fragilizada na situação de rua.

Algumas das organizações que atuam nestes processos de qualificação são sérias e competentes. Os processos de seleção tem critérios claros e o processo de aprendizado consistente e adequado às necessidades do Mercado.

Vencida esta etapa, esta pessoa tem um conhecimento que lhe é certificado e é considerada apta para o trabalho.

TAREFAS DA POLÍTICA PARA POPULAÇÃO DE RUA

Este “qualificar” é muito importante, mas precisa estar sintonizado com as características destas pessoas para que seja uma ação que leve a uma efetiva libertação.

Alguns destes processos partem do pressuposto que prepará-los para assumirem trabalhos braçais – limpeza, varrição de rua, coleta de lixo e outros. São admitidas pessoas sem a preocupação com seu potencial profissional, numa lógica de que para quem está naquela condição, qualquer coisa serve.

Segundo especialistas na área, muitas destas pessoas passam por muitos Cursos de Qualificação e continuam desempregados. Se a Qualificação é de qualidade, pode-se atestar que estão preparados, mas… na lógica da Política que vem sendo desenvolvida, há um hiato entre estes processos de qualificação e o acesso ao Mercado.

Passados seis meses de muito esforço e dedicação, livres das dependências do álcool e das drogas e preparados para o trabalho, estas pessoas recebem um Certificado e são lançados à sua própria sorte.

Nos processos de seleção dos quais se aproximam, começam a surgir as barreiras. Você está certificado, Parabéns; mas quando se analisa os dados uma primeira desconfiança…

Você esteve quanto tempo fora do Mercado?  Qual era sua profissão anterior? E este é um diálogo difícil que vai dificultando a relação com o selecionador que, no geral,  opta por não arriscar e, mais uma vez a resposta é Não.

UMA PROPOSTA INOVADORA

Está em elaboração, em São Paulo, uma proposta de construção de uma “ponte” entre estes processos e as vagas existentes no Mercado.

O texto integral você encontra em  http://mmaconsultoria.com/?page_id=2841&preview=true

GESTÃO DE PROJETOS SOCIAIS: recomendações na operação

15 de março de 2017

Refletir sobre a gestão de projetos sociais, sejam eles voltados para a implementação de políticas sociais, seja para ações de fortalecimento de comunidades sempre tem como finalidade o potencializar a intervenção social a partir de pressupostos como cidadania ativa, justiça social, equidade, ética, participação cidadã, democracia e desenvolvimento sustentável.

A partir desta primeira definição, elencam-se prioridades e definem-se tarefas a curto, médio e longo tempos. Este planejar é uma ação coletiva da qual devem participar os mesmos atores que vão desempenhar estas funções para que as ações aconteçam.

A ESCOLHA DAS AÇÕES

São as ações desencadeadas que vão tornar reais as propostas pensadas num primeiro momento e precisamos ter um cuidado no trato com apoiadores para que tenham a clareza de que vamos desenvolver as tarefas assumidas no nosso contato com eles.

Algumas vezes, fazemos contatos que poderiam ser significativos para nossa ação, abrimos caminhos para a implementação de ações mas – quem sabe por não priorizar – deixamos de lado aquilo que deveria ser encaminhado e a ação não acontece.

Quando isso ocorre, há perdas em dois sentidos:  na ação que não vai acontecer e na relação com aquele apoiador que perderá parte da confiança ao ver que tudo não passa de bla-blá-blá.

Uma reflexão mais detalhada você encontra em  http://mmaconsultoria.com/?page_id=2835&preview=true

DISCRIMINAÇÃO E SITUAÇÃO DE RUA

15 de março de 2017

A desigualdade social brasileira vem de séculos atrás, e pode-se apontar alguns momentos em que estas raízes foram fortalecidas pelo modo de ser da sociedade.

O Brasil foi um dos últimos países a declarar o fim da escravidão, mas o modo como isso foi feito apenas mudou o jeito de escravizar. Até o século XIX, a classe rica era “servida” por trabalhadores escravizados, sem  direito a salário nem a condições dignas de vida e submetidos a repressão e à tortura.

A mudança neste regime se deu menos na defesa destes trabalhadores do mais pela oferta de trabalhadores baratos vindos da Europa como migrantes, o que tornou descartável aquele segmento.

Pode-se dizer que este é o surgimento de grupos com potencial discriminatório que irão consolidando um segmento depreciado pela sociedade.

Este processo de rotulação/estigmatização justificam preconceitos e discriminações que dificultam a estas pessoas superarem as condições negativas que fazem delas um membro da população de rua.

Preconceitos e discriminações afetam as relações de pessoas em situação de rua na sociedade e influem na aplicação da Política para População de Rua.

Uma leitura preconceituosa da sociedade leva a formas veladas de discriminação que cobram de cada um deles e de cada uma delas uma atitude resignada que vai se cristalizando e sendo naturalizada.

Uma das maiores queixas refere-se ao modo como são tratados até mesmo nos serviços que deveriam ser para eles. De certa feita, num equipamento social, um usuário denunciava que os técnicos “não olham pra gente”. E, de fato, pude observar que apesar de estar fazendo encaminhamentos relativos àquela pessoa, este profissional não se dava ao trabalho de olhá-lo nos olhos e mostrar a ele que estava de fato interessado em resolver a questão.

Apesar de todo um discurso de Direitos da Poprua o que se vê é uma política domesticadora, higienista e com traços de piedade.

Falta um investimento no fortalecimento das redes de sociabilidade e de afetividade, suporte no aspecto jurídico – incluindo a garantia da documentação

O grande desafio presente no discurso das autoridades aponta a emancipação pelo trabalho como estratégia de saída da situação de rua.

As vagas disponibilizadas, no entanto, nem sempre correspondem ao perfil das pessoas em situação de rua.

O pressuposto é que precisam ser criados postos de trabalho desqualificado já que há uma leitura de desvalorização social em relação a estas pessoas.

O grande desafio da Política para População de Rua não é a abertura de postos de trabalho específicos, mas a mediação para que pessoas em situação de rua possam concorrer em condições de igualdade com os demais desempregados que buscam as mesmas vagas.

Isso implica em trabalhar o preconceito enraizado na sociedade que leva a considerar estas pessoas perigosas – o medo impede que sejam vistas por baixo da carapaça da “situação de rua”; despreparadas – e nem nos damos ao trabalho de averiguar seu passado profissional, sua qualificação efetiva e seu preparo para a função vaga.

O texto integral você encontra em . http://mmaconsultoria.com/?page_id=2828&preview=true