29 de junho de 2016

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UMA NOVA ÓTICA DE ANÁLISE DA REALIDADE DAS PESSOAS EM SITUAÇÃO DE RUA

15 de janeiro de 2017

Há cerca de 90 dias, muitas das reflexões que venho fazendo estão focadas na questão da identidade.

Tudo começou com uma preocupação com o “resgate da identidade” das pessoas em situação de rua, mas acabei indo além e venho buscando entender várias coisas no entendimento da construção da identidade de cada um de nós.

Lendo um livro de Amartya Sen – Identidade e Violência – me senti questionada quando ele aponta, logo no primeiro texto que a concepção de identidade influencia, de várias maneiras, nossos pensamentos e ações. Mas ele nos leva, também, a refletir que a nossa identidade é uma pluralidade de  filiações.

Citando Oscar Wilde, Sen  aponta que nossos “pensamentos são as opiniões de outras pessoas, suas vidas, uma imitação, suas paixões, uma citação.” Somo influenciados pelas pessoas com as quais nos identificamos e isso vai moldando nossa identidade.

RESGATANDO A IDENTIDADE DE PESSOAS EM SITUAÇÃO DE RUA

Um dos pressupostos, quando se atua com pessoas em situação de rua, é que vamos encontrar prioritariamente pessoas com baixa autoestima, pessoas que não conseguem analisar o contexto vivido e com isso tem dificuldades em se posicionar politicamente.

Quero dizer a vocês que, nem sempre, isso é verdade. Aparentemente, este estado de coisas se alterou na medida em que se alterou a visibilidade política destas pessoas o que permite que eles analisem sua situação num contexto de exploração que é imposta pelo Capitalismo.

Uma reflexão sobre isso você encontra em  http://mmaconsultoria.com/?page_id=2802&preview=true

2017: QUE ANO SERÁ ESTE ?

31 de dezembro de 2016

Cada ano é formado por doze meses, 365 dias e 8760 horas, se não  for um ano bissexto, quando estes dias e horas crescem um pouco mais.

2016, por exemplo, teve 366 dias e 8784 horas que tiveram momentos difíceis, num contexto complicado de um Brasil que foi golpeado brutalmente em sua Democracia. As vidas de cada um de nós que aqui vive sofreram a influência deste contexto bizarro e os sentimentos se alternaram em espanto, revolta e tristeza… houve momentos patéticos e muitos de nós nos sentimos impotentes.

O sentimento que fica, no entanto é um sentimento de esperança já que a garra está ainda mais forte e continuamos juntos e fortes na luta por uma sociedade melhor.

Pessoalmente, meu ano de 2016 foi um ano complicado. O trabalho que venho fazendo há sete anos é de consultoria em políticas públicas e este trabalho tem um vínculo com as Prefeituras Municipais que estiveram muito frágeis nestes 12 meses.

Vontades políticas eram explicitadas, trabalhava-se na construção de propostas de atuação no suporte a gestores e trabalhadores e, muitas vezes, esse processo “morria na praia”.

Com minha “teimosia” costumeira – persistência, a meu ver, é pouco, continuei na “briga” e não me sinto derrotada. Construí algumas propostas e 2017 me encontra  alimentada, podendo dizer que vou entrar no Novo Ano com força total.

Lendo um livro do Amartya Sen, me deparei com o desafio de mergulhar em minha própria identidade, no entendimento de que ela tem facetas diversas que interagem.

Sou mulher, idosa e mãe são os primeiros aspectos que me veem à memória. Um filho muito querido está sempre em meus pensamentos, mas também tenho dois irmãos, e quatro sobrinhos e primos queridos.

Meu círculo de amigos, quase todo, é formado por pessoas com quem me relaciono ou me relacionei profissionalmente. Nos comunicamos pelo facebook e por whattsapp mais do que por telefone. Sou católica não praticante e petista até o fundo da alma. Mesmo neste momento difícil, não perdi a confiança de que esse é o Projeto de Sociedade que defendo.

Desde criança, sempre fui obesa, mas neste último ano estou reagindo tanto com dieta como fazendo exercícios físicos sistemáticos. Os cuidados com minha saúde me fazem manter um acompanhamento de toda uma equipe médica, e estou inteira, por enquanto.

Paulistana, aposentada do serviço público, assistente social, consultora em políticas públicas, gestora, heterossexual, professora universitária, pesquisadora, coordenadora pedagógica, venho desenvolvendo trabalhos junto a Prefeituras e ONGs.

Meu foco são Políticas Sociais, e dentre elas, a política para população de rua. Desde a década de 1970 venho acompanhando esta construção e me sinto bem a vontade para propor ações e desenvolver propostas.

Olhando o que consegui construir, saliento processos de formação junto a Trabalhadores da Assistência Social, que em muitos momentos foquei na Política para Pessoas em Situação de Rua.

O contato com diversos municípios, permitiu identificar demandas dos gestores e trabalhadores.  Trabalhei no Capacita SUAS no estado de São Paulo, mas meu maior empenho esteve voltada para a Política para População de Rua.

Mais do que as dificuldades das Prefeituras no trato com estas pessoas, o que me move é aquilo que está colocado no item VII do artigo 6º que diz “incentivo e apoio à organização da população em situação de rua e à sua participação nas diversas instâncias de formulação, controle social, monitoramento e avaliação das políticas públicas”.

Este ano, estou tendo o prazer de atuar junto ao Movimento Nacional da População de Rua, através do CISARTE – Centro de Inclusão Social pela Arte, Educação e Trabalho.  No meu entendimento, a gestão deste espaço está afinada com a proposta da Política para População de Rua (Decreto 7053/09).

Propor ações neste espaço, no entanto, é apenas um dos aspectos desse trabalho na medida em que ele possibilita uma aproximação com algumas pessoas especialíssimas que conformam a População de Rua.

Em 2017, espero poder continuar a atuar com eles e me comprometo a ajudar a construir junto ações que sirvam ao fortalecimento da organização deste segmento.

 

NATAL DENTRO DE NÓS

14 de dezembro de 2016

Estou muito triste. Estamos quase no Natal e acabamos de ver nosso pastor mais querido despedir-se dessa vida e ir ao encontro do Pai.

É festa no Céu. Muitos daqueles  que sempre o admiraram e cujas vidas ele iluminou estavam esperando pelo momento de abraçá-lo de novo. Mas nós, que ainda estamos aqui, ficamos sem o seu carinho, a sua orientação, a sua luz.

Advento é tempo de revisão de vida. Fiz uma reflexão, que você encontra em  http://mmaconsultoria.com/?page_id=2793 e que aponta a necessidade de sermos solidários, de sermos fraternos e de continuarmos na luta, mas nosso Brasil está muito difícil.

A cada dia, uma “porrada” nova. E sempre apontando para a cabeça dos mais pobres e miseráveis. Quem não tem quase nada, consegue perder e perder.

Até aonde vai a desfaçatez deste nosso “corpo político”… eles atuam em causa própria e nós ficamos, mais uma vez, a ver navios.

Mas a “volta por cima” tem que ocorrer. Precisamos nos manter fortes para estarmos prontos quando chegar a hora.

Tudo o que se pode esperar, nesse momento, é lucidez, indignação e racionalidade… não dá para pedir paciência, mas sim uma atitude de vigilância que vai nos preparar para daqui a pouco.

Para todos vocês, desejo que as bênçãos do menino Deus os ilumine e que no ano novo tenhamos a coragem necessária para reconstruir este país. Que venha 2017.