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OPORTUNIDADES NA TERRA DOS CONTRASTES OS 464 ANOS DE SAMPA
Janeiro 15th, 2019 by Magdalves

Cidade da Indústria, São Paulo é a maior economia do Brasil, a maior cidade da América Latina. Quem analisa a economia da cidade, em seu vigor que cresce dia a  dia, fica maravilhado com tanto sucesso. A Elite paulistana consegue viver uma realidade de primeiro mundo e acredita que o futuro a ela pertence com muito sucesso e riqueza infinda. Dados estatísticos permitem afirmar que seis pessoas possuem riqueza equivalente ao patrimônio dos 100 milhões de brasileiros mais pobres.

São Paulo também é a cidade da miséria, já que dos seus 10 milhões de habitantes, amargam uma realidade de desemprego, falta de moradia e dificuldades de acesso a bens e serviços básicos.

Favelas, cortiços e pessoas em situação de rua são o cenário deste outro lado da grande metrópole. Muitos destes “filhos” vieram para esta cidade em busca de trabalho, afinal o discurso diz que “basta ser bom para se vencer na vida”. Dentre estes filhos adotivos, temos 150 estrangeiros, muitos dos quais vieram em busca de proteção em virtude de situações de guerra em seus locais de origem, outros vieram iludidos com a pujança do grande Capital que promete sucesso para todos.

Há dois séculos, somos considerados um dos maiores núcleos políticos do país e centro nevrálgico de sua economia, situação que começou no ciclo do café e perdura até hoje. Não podemos negar o mérito destes trabalhadores que escolheram esta terra e aqui fizeram morada.

Portugueses, gregos, italianos, espanhóis, africanos, japoneses, sul-americanos são alguns dos grupos populacionais que enriqueceram nossa cultura ao virem se empenhar em trabalhos diversos que persistem na cidade e no estado. Judeus, evangélicos, espíritas e tantos outras religiões se unem ao catolicismo, num ecumenismo que é mais ação do que apenas oração. E isso sem contar com o papel desempenhado por Nortistas, Nordestinos, e por aqueles que vieram do Centro Oeste, do Sul e mesmo de outros estados do Sudeste. São Paulo é uma Babel formada por brasileiros e estrangeiros que deixaram suas terras e sua gente em busca de um lugar ao sol e fizeram deste pedaço do mundo uma babilônia de línguas, sotaques e modos de ser e de viver.

cidade de São Paulo é a mais multicultural do Brasil e uma das mais diversas do mundo. Fundada em 1554, por Anchieta e Nóbrega, com população indígena local e então colonizada por portugueses, sendo que desde o século XIX, aproximadamente 2,3 milhões de imigrantes chegaram ao estado, vindos de todas as partes do mundo. Atualmente, é a cidade com as maiores populações de origens étnicas portuguesa, italiana, japonesa, espanhola e libanesa fora de seus países respectivos. A cidade é também a cidade com a maior população de origem étnica nordestina”.[1]

A identidade paulistana é uma mescla desta riqueza toda e difícil de entender para quem não vive por aqui.

A meu ver, todos são benvindos, mas acho que precisamos olhar com mais cuidado o como estes habitantes da cidade são tratados de norte a sul da nossa São Paulo.

O Mapa da Desigualdade Social, produzido pela Rede Nossa São Paulo, e divulgado em outubro de 2018[2], nos dá uma ideia do quanto continuamos a unir progresso e miséria, bem estar e sofrimento.

A expectativa de vida, em São Paulo chega a variar 1,4% de um bairro para outro, por exemplo, no Jardim Paulista ela é de 81,58 anos enquanto  é de 58,45 anos.

Esta desigualdade paulistana é apenas um reflexo da situação encontrada no Brasil onde “apenas seis pessoas possuem riqueza equivalente ao patrimônio dos 100 milhões de brasileiros mais pobres. E mais: os 5% mais ricos detêm a mesma fatia de renda que os demais 95%. Por aqui, uma trabalhadora que ganha um salário mínimo por mês levará 19 anos para receber o equivalente aos rendimentos de um super-rico em um único mês[3].

O 1% mais rico no Brasil recebe por mês R$ 40.000,00 enquanto a grande maioria dos brasileiros sobrevive com menos de dois salários mínimos. Em termos mundiais, o Brasil detém o 10º lugar no ranking de maior desigualdade.

O rendimento dos negros brasileiros é 57% do rendimento dos brancos, e isso porque teve uma melhora, pois antes era 45%. Nesse ritmo, somente em 2089 teríamos uma igualdade entre brancos e negros.

Mulheres recebem 62% do que recebem os homens, e a estimativa é que se as mudanças continuarem no ritmo de hoje, apenas em 2047 as mulheres e homens estariam equiparados.

Se examinarmos a situação de trabalho formal, 59,24% dos trabalhadores da Barra Funda são formais; em Cidade Tiradentes este índice é de apenas 0,24% ou seja há uma distância de 246,7 vezes entre um e outro.

Os melhores salários estão em Jaguará, 15,29% enquanto o índice da Consolação é negativo em 39,40%, ou seja 28,69 vezes.

Outros índices preocupantes são a Mortalidade Infantil que em Socorro é de 2,54% e em Artur Alvin de 21,34% numa distância de 8,39 vezes. O Pré-natal foi considerado insuficiente em 4,17% de Moema, enquanto em Itaim Paulista ele é de 31,2%, numa distância de 7,48%.

A violência contra a Mulher tem índices diferenciados, pois enquanto no Jardim Paulista é de 0,55%, no Jardim São Luiz é de 100,07%, numa distância de 180,49 vezes.

No cômputo global dos 53 índices considerados, os Melhores bairros para se morar são Consolação, Jardim Paulista, Alto de Pinheiros, Pinheiros, Moema, Butantã, Santo Amaro, Jaguara, Perdizes. Barra Funda é um bairro contraditório pois detém os melhores e os piores índices.

GOLDSMITH, prefaciando KOWARICK aponta que além do progresso e da miséria, São Paulo apresenta uma outra  característica que é ser uma cidade da Resistência.

 

“Em1984, após vinte anos de regime militar, um milhão de pessoas tomou as ruas para exigir mudanças. Seu brado por “Diretas Já!” continha um significado triplo evidente – direitos civis, direitos humanos e eleições diretas, já! O esforço conjugado de trabalhadores sindicalizados e organizações de bairros de São Paulo foi parte de um movimento político nacional.”[4]

Começamos 2019, num contexto   preocupante na medida em que a população brasileira e a  paulista nos brindaram com governantes que apontam para outro modo de conduzir  a gestão pública.

Participação Social que vem sendo uma tônica há décadas começa a ser rechaçada   por um discurso que pretende  falar em nome de todos os brasileiros, calando a única voz que pode nos dar parâmetros para o que deve ser feito que é a voz do povo.

Em nome da ordem e da segurança, avalizam-se ações truculentas  dos  policiais que  podem gerar tragédias cotidianas.

O discurso de enfrentamento à corrupção mostra-se frágil na medida em que muitos dos escolhidos para comporem estes governos tem “ficha suja” com processos abertos buscando verificar estes ocorridos e isso nem causa espécie entre eles.

Em nome de uma economia de recursos, jogam sobre os ombros dos funcionários públicos um encargo ainda maior, sem nem ao menos corarem ao se apontar que para outros segmentos políticos os cordões da bolsa são ainda mais lassos.

É vergonhoso ouvirmos um deputado dizer que passa necessidades com seu salário de 33 mil reais quando o salário mínimo é aumentado para 998 reais.

Aumenta-se o valor do transporte público, ao mesmo tempo em que se restringe os salários e o vice-presidente acena com a eliminação do 13º e do abono de férias ainda que isto esteja inserido na Constituição.

A lista de autoridades ausentes na Posse Presidencial e o tratamento dado à imprensa  internacional deixam antever os percalços que poderemos ter no futuro.

E o que cada um de nós vai fazer?  Fechar os olhos e esperar que tudo fique ainda pior, ou construir estratégias de resistência para toda essa situação?

 

[1] Wikipédia. Lista dos Bairros Paulistanos por imigração. Capturado na internet em 2-1-2019.

[2] O Mapa da Desigualdade Social em São Paulo vem sendo construído desde 2012. https://www.nossasaopaulo.org.br/mapa-da-desigualdade

[3] A Distância que nos une, um Retrato das Desigualdades Brasileiras. Relatório elaborado pela OXFAM sobre a desigualdade no mundo. GEORGES, Rafael, 2017.

[4][4] KOWARICK’, Lúcio (0rg) – São Paulo Passado e Presente: as lutas sociais e a cidade, Paz e Terra, 1994, 2ª edição.


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