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O BRINCAR E AS CRIANÇAS EM SITUAÇÃO DE RUA
outubro 29th, 2018 by Magdalves

Brincar é um agir sem compromisso, é nos deixarmos levar pela nossa vontade e pelo nosso prazer. Muitos animais brincam, mas para o ser humano este brincar é parte de seu desenvolvimento.

No nosso imaginário, o brincar está vinculado à infância. Quando se propõe a um grupo de adultos que deixe a sisudez de lado e se permita brincar, ele se vê retornando à infância e este retorno, na maioria das vezes, é prazeroso.

Lembro-me de uma loja de brinquedos, em São Paulo que usava como slogan “brincadeira tem hora, que tal, agora?” No meu entendimento, é isso mesmo, devemos nos permitir deixar a sisudez de lado e nos permitirmos agir com leveza e nos divertirmos como se fossemos crianças a brincar.

Para as crianças, no entanto, brincar é coisa séria. Eles envolvem neste brincar todo o seu modo de ser, e deixam-se envolver naquele mundo de faz de conta que é a brincadeira.  Segundo os especialistas, para a criança, o brincar exige liberdade e está a serviço da formação da identidade, da construção da autonomia, da preservação da memória e da evolução da imaginação.

O AMBIENTE DA RUA

As crianças e adolescentes que dizemos estarem em situação de rua são iguaizinhas às crianças e adolescentes que descrevemos acima. Tem as mesmas necessidades, o mesmo potencial e as mesmas fragilidades daquelas que são protegidas do mundo por suas famílias e pelo ambiente em que vivem.

Segundo COVRE,

“Essa condição existe desde o século 16, quando os jesuítas trouxeram de Lisboa crianças que serviam de isca para os pequenos índios. Mais tarde, no século 19, a Lei do Ventre Livre deu liberdade aos filhos de escravas, mas estes não podiam ficar com as mães. Por fim, na segunda metade do século 20 o processo de urbanização das cidades brasileiras agravou a situação e produziu levas de meninas e meninos cada vez mais novos a ocuparem as ruas da cidade.”

 

Quem são as crianças e adolescentes em situação de rua no Brasil?

Pesquisa censitária nacional[1], realizada pelo CONANDA – Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente identificou 23.973 crianças e adolescentes em situação de rua. Dessas, 59,1% dormem na casa de sua família (pais, parentes ou amigos) e trabalham na rua; 23,2% dormem em locais de rua (calçadas, viadutos, praças, rodoviárias, etc.), 2,9% dormem temporariamente em instituições de acolhimento e 14,8% circulam entre esses espaços.

4751 destas crianças e adolescentes estão no estado de São Paulo.

Neste contexto, o brincar ganha ainda maior importância pois estas crianças e adolescentes em situação de rua precisam estabelecer relações sociais em um ambiente que os discrimina e que impõe mudanças de comportamento a partir da violência institucional.

A reflexão integral pretende nos desafiar a pensar o que podemos fazer a esse respeito. Como restabelecer o brincar sensação, o brincar imitação, o brincar submissão e o brincar liberdade. Veja em   http://mmaconsultoria.com/?page_id=3099&preview=true

[1] A pesquisa foi realizada em 75 cidades do país, abrangendo capitais e municípios com mais de 300 mil habitantes.


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