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CORONAVIRUS E A POPULAÇÃO DE RUA
abril 15th, 2020 by Magdalves

 “coronavírus (COVID-19) é uma doença infecciosa causada por um novo vírus. Ele causa problemas respiratórios semelhantes à gripe e sintomas como tosse, febre e, em casos mais graves, dificuldade para respirar. Como prevenção, lave as mãos com frequência e evite tocar o rosto e ter contato próximo (um metro de distância) com pessoas que não estejam bem”. (OMS)

A principal forma de contágio do novo coronavírus é o contato com uma pessoa infectada, que transmite o vírus por meio de tosse e espirros. Ele também se propaga quando a pessoa toca em uma superfície ou objeto contaminado e depois nos olhos, nariz ou boca.

Veja os números atualizados (04/04, às 20h10):

10.278 confirmados no Brasil, em todos os estados, sendo o maior foco em São Paulo (4.466), seguido de Rio de Janeiro (1.246) e Ceará (730);

432 mortes confirmadas no Brasil, sendo 260 apenas no estado de São Paulo. Apenas os estados Acre e Tocantins ainda não tem mortes;

A taxa de letalidade do Brasil* atualmente é 4,2%;

Mais de 1,2 milhão de casos em 181 países e territórios;

Mais de 36 mil casos graves;

64.988 mortes;

Mais de 247 mil pessoas recuperadas.

Vale lembrar que a taxa de letalidade está em cima de casos confirmados, sendo que casos leves não tem a recomendação de serem testados, por isso muitos não entram nos números.

 

HISTÓRICO

O primeiro caso da pandemia pelo novo coronavírus, SARS-CoV2, foi identificado em Wuhan, na China, no dia 31 de dezembro do último ano. Desde então, os casos começaram a se espalhar rapidamente pelo mundo: primeiro pelo continente asiático, e depois por outros países.

Em fevereiro, a transmissão da Covid-19, nome dado à doença causada pelo SARS-CoV2, no Irã e na Itália chamaram a atenção pelo crescimento rápido de novos casos e mortes, fazendo com que o Ministério da Saúde alterasse a definição de caso suspeito para incluir pacientes que estiveram em outros países. No mesmo dia, o primeiro caso do Brasil foi identificado, em São Paulo.

Em março, a Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu o surto da doença como pandemia[1]. Poucos dias depois, foi confirmada a primeira morte no Brasil, em São Paulo. No mesmo dia, dois pacientes que haviam testado positivo para coronavírus, do Rio de Janeiro, vieram a óbito.

RECOMENDAÇÕES

Para se proteger e evitar a propagação da doença, a orientação nos manda:

  • Lavar as mãos frequentemente por 20 segundos com água e sabão ou higienizá-las com álcool em gel
  • Cobrir o nariz e a boca com um lenço ou o cotovelo ao tossir e espirrar
  • Evitar contato próximo (um metro de distância) com pessoas que não estejam bem
  • Ficar em casa e se isolar das outras pessoas que moram com você caso apresente os sintomas da doença

O que não devemos fazer:

Tocar os olhos, nariz ou boca sem estar com as mãos limpas.

A SAÚDE DA POPULAÇÃO DE RUA

Estudos voltados para a identificação da saúde da Poprua, tem subsidiado as práticas assistenciais em saúde, e apontam critérios necessários a esse atendimento, tendo em vista as condições de vida encontradas por estas pessoas.

A falta de equipamentos sociais e de retaguarda hospitalar, a resistência dos profissionais, as normas vigentes nos serviços de saúde, a desarticulação entre as esferas de governo, tudo isso associado â violência urbana, apresentam-se como expressões da exclusão social dessa população.” (CARNEIRO, 2012:01)

No acompanhamento de diversas destas situações, pode observar que o processo de trabalho nas ruas e as condições de vida encontradas deixam marcas e tem consequências significativas na vida da Poprua.

Além da dificuldade de acesso aos serviços das redes de saúde e de assistência social, há uma barreira no trato delas pelos profissionais sociais em virtude da ausência de estratégias de educação permanente em saúde que ocorre em muitos dos serviços.

Em 2009, fruto da articulação interministerial provocada pelo Comitê criado a partir do Decreto 7053/2009, foi construído um Plano Operativo de Saúde para a Poprua, que definiu princípios e diretrizes e a constituição de um Comitê Técnico de Saúde para a Poprua (Portaria 3305/2009).

As principais medidas podem ser elencadas em dois pontos:

  1. Propor ações que visem garantir o acesso à atenção à saúde
  2. Colaborar na elaboração, acompanhamento e avaliação das ações de saúde.

Por outro lado, estas diretrizes são cotejadas com princípios, diretrizes e objetivos da Política Nacional.

O COTIDIANO DA POPULAÇÃO DE RUA

Ainda que muito se diga e pouco se faça, o cotidiano da Poprua aponta situações desumanas que, num momento de pandemia como agora ficam ainda mais aguçadas.

Em carta às autoridades, o MNPR – Movimento Nacional da População de Rua aponta algumas medidas como urgentes, a saber:

  • “Sem dúvida, a prioridade primeira refere-se à higiene individual e coletiva, em virtude do contágio se dar por contato com pessoas ou objetos contaminados;
  • Os serviços de acolhimento da População de Rua precisariam ter suas rotinas revistas, visando eliminar aglomerações que são próprias do atendimento massivo em Abrigos e Albergues;
  • Além do acesso à higiene pessoal nestes serviços, é necessário que as cidades tenham banheiros públicos gratuitos em suas diversas regiões, com fornecimento de kits de higiene – água, sabão, álcool gel, toalhas limpas, etc..
  • Outra demanda que não é de hoje, mas que, neste momento cresce em importância é o acesso à água potável, ou seja, os espaços públicos teriam que, obrigatoriamente, ter bebedouros para uso de todos os munícipes, incluindo-se munícipes em situação de rua.
  • Fornecimento de refeições nutricionalmente adequadas, em quantidade e qualidade que garantam a segurança alimentar de todos, garantindo-se o acesso a elas sem pagamento, ainda que para o restante da população seja fornecida a preço de custo (Bom Prato).
  • Atendimento de Saúde, passando pelo diagnóstico e testes de contágio, precisa necessariamente estar vinculado a um conjunto de leitos de retaguarda já que o “fique em casa” não se concretiza para quem não tem residência regular.

O MNPR alerta, ainda para a inadequação de medidas de coerção e de internações compulsórias, orientando-se os profissionais da saúde e de áreas correlatas sobre o como lidar com estas situações.

Na preocupação com o contágio desta população, uma das propostas da DPU – Defensoria Pública da União é para que espaços públicos educacionais e esportivos com banheiros e vestiários, que estejam fechados por motivos de isolamento da população, sejam utilizados para acomodar o excedente de população em situação de rua e liberados para que eles possam tomar banho.

Esta situação de pandemia requer diferentes níveis de complexidade tecnológica na organização da assistência à saúde para se proceda a um cuidado adequado a esta população.

A DPU recomenda, ainda,  que os albergues e outros abrigos destinados às pessoas que estão vivendo nas ruas tenham álcool gel, máscaras individuais de proteção descartáveis e materiais informativos sobre o novo coronavirus.

Na recomendação, a DPU pede que suas unidades nas capitais dos Estados sejam informadas sobre as providências que estão sendo tomadas em relação ao vírus e quais as políticas públicas para prevenção das pessoas em situação de rua.

Na recomendação, os membros do Grupo de Trabalho População em Situação de Rua da DPU pede também que, nos abrigos, sejam destinados espaços específicos para os grupos de risco da doença, como idosos, pessoas imunossuprimidas (diabéticos e pessoas com HIV, por exemplo) e portadores de doenças respiratórias e doenças crônicas.

Segundo a recomendação do grupo da DPU, as medidas especiais para a população em situação de rua se justificam por motivos legais e científicos.

 

[1] Uma pandemia é uma epidemia de doença infecciosa que se espalha entre a população localizada numa grande região geográfica como, por exemplo, um continente, ou mesmo o Planeta Terra.


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