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SOLIDARIEDADE E AÇÃO DE GOVERNO
agosto 5th, 2012 by Magdalves

“Responsabilidade mútua, nexo moral que vincula o indivíduo à vida, aos interesses e às responsabilidades de um grupo social, de uma nação ou da própria humanidade.” (Dicionário Aurélio )

 

Quando refletimos sobre a “solidariedade” é sempre bom enfatizar que ela não deve ser vista como algo lateral e acessório, mas deve ser elemento constitutivo da sociedade que queremos construir.

Ao colocar o indivíduo no centro da reflexão da humanidade, a teoria social moderna dispensou o ensinamento que privilegia a totalidade. Segundo Roberto Damatta, não era a sociedade que constituía as pessoas, eram os indivíduos que inventavam a sociedade. Por outro lado, nós que vivemos no sistema capitalistas somos influenciados pela Ética do mercado que nos libera da obrigação com os outros.

Para falarmos em solidariedade temos que transcender essa visão da sociedade formada por indivíduos envolvidos consigo mesmos e apontar para a complementariedade de duas ou mais pessoas que se percebem dependentes entre si.

Essa solidariedade exige o engajamento de todos na luta contra as desigualdades: se uma parte da sociedade é miserável, e a outra vive fartamente, esse desnível desencadeia nosso compromisso de lutar pela mudança. Essa solidariedade social não exclui a solidariedade de classe e nem suspende a ação dos movimentos reivindicatórios.

 

Durkheim dizia que solidariedade são os laços objetivos que ligam os homens em sociedade; diz ainda que é a solidariedade que impede a desagregação. É importante salientar que nossa sociedades, fundada num sistema de competição, e orientada a interesses, valoriza sobremaneira o indivíduo. O que mantém a “amarração objetiva” da sociedade é a rede de dependências mútuas; e a solidariedade é o vínculo que fortalece essa rede de dependências múltiplas e que leva os membros da sociedade a se reportarem uns aos outros.

O termo solidariedade é muito sujeito a diversas conotações, a maioria das quais é religiosa. Não há espaço para a solidariedade no liberalismo, e a única concepção política que incorpora rigorosamente a solidariedade é o socialismo[2].

Apesar da solidariedade ter uma proximidade com caridade,, generosidade e compaixão, diferencia-se destas pela mutualidade. A solidariedade não distingue quem a presta de quem a recebe, ainda que fique sempre claro quem dá e quem recebe. Para que haja essa reciprocidade, não deve haver um desnível muito grande entre quem dá e quem recebe; ou seja, ainda que ambos não sejam semelhantes, a relação não pode ser tão distante que um possa dispensar a solidariedade do outro.

 

Historicamente, a solidariedade tem sido cultivada por aqueles que são individualmente fracos e que se tornam fortes a partir da união.

 

Enquanto ação de governo, a solidariedade não deve ser expediente de substituição dos Direitos de Cidadania, mas exigência de uma integração entre as políticas sociais visando a cidadania social.



[1] Doutora em Serviço Social, participou de equipe de assessoria aos municípios do Vale do Paraíba quando da implantação dos CMDCAs (Projeto CBIA/IEE-PUCSP), tendo sido Conselheira Estadual de Direitos da Criança e do Adolescente (1993/1995) e coordenadora do CMDCA de Santo André de 2005 a 2006. Foi dirigente do MNDH/SP e da ABONG/SP e coordenou a Ação da Cidadania contra a fome, a miséria e pela vida de 1993 a 1997.

 

[2]  Gabriel Cohn, em artigo no Estado de São Paulo, em janeiro de 1994,  dizia: Organização sindical na Polônia desafiava um regime que se intitulava socialista inscreveu na sua bandeira esse termo, que deveria ser central no vocabulário de seu adversário e contribuiu para a instauração de um regime no qual o lugar da solidariedade é ocupado pelos motes da eficiência individual e da competição.

Texto elaborado em fevereiro de 2008


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