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RELAÇÃO INTERPESSOAL NO ESPAÇO PROFISSIONAL
julho 30th, 2013 by Magdalves

O homem é um ser em relação.

Ao nascer, cada homem e cada mulher trás em si um conjunto de habilidades que vão sendo trabalhadas através dos anos. A criancinha nasce sabendo que, para sobreviver, precisa se alimentar, mas é na relação com aquela que a alimenta que passa a saber onde encontrar aquele alimento. Esta é a primeira relação que desenvolve e ela pode ser satisfatória ou não, dependendo do relacionamento que será desenvolvido entre ela e esta outra pessoa.

Na primeira infância, esta criança vai aprimorar sistemas simbólicos e realizar cada vez com maior eficácia aquelas atividades que são valorizadas por este ambiente.

O seu entorno vai contribuir para a construção da sua autoestima que poderá ser alta ou baixa, dependendo do comportamento das pessoas que com ela convivem.

Na adolescência, começa sua convivência com grupos de iguais que, também, vão influir no seu modo de ser e avaliar-se cotidianamente.

Dentre as habilidades que precisamos cultivar nos diversos espaços de nossa vida, destacamos aquelas que tem a ver com nossas relações pessoais, sociais e profissionais.

O bem relacionar-se, nos diversos âmbitos da nossa vida, além de contribuir com a melhoria do meio social, ajuda-nos nas situações que poderiam ser de stress. Para pensarmos nesta relação, precisamos focá-la nos seus aspectos intra e interpessoal.

A relação intrapessoal é aquela que cada um de nós mantém consigo mesmo. Nela estão incluídas a autoestima, o conhecimento interior e a leitura que fazemos da nossa adequação aos ambientes familiar, social e profissional dos quais fazemos parte.

A relação interpessoal é definida pelo modo como nos relacionamos com estes ambientes, ou seja, a forma como sou, estou e atuo na minha relação com o outro.

O modo como me relaciono com o outro pode ou não permitir a existência de intimidade, de cumplicidade e de confiança que me levam a conhecer e dar a conhecer o eu que eu sou de fato.

Geralmente, este relacionamento é  adaptado e influenciado pelo ambiente para se tornar adequado ao que esperam de nós.  Podemos ter vários tipos de relacionamento numa mesma relação. Exemplo disso são casais que trabalham junto e cujo relacionamento doméstico difere do relacionamento no ambiente profissional.

No ambiente profissional, como no pessoal, espera-se nosso envolvimento com as atividades realizadas e é nelas que experienciamos o crescer da nossa maturidade comportamental.

Maturidade comportamental não é ter controle sobre as emoções, mas colocar-se no lugar do outro e conseguir com isso ver o mundo a partir de um outro ângulo que nos permita entender o porque das atitudes deles.

A forma como me relaciono com as pessoas estabelece relações que podem ser boas ou más, adequadas ou inadequadas e é por isso que devemos nos preocupar com nossas habilidades neste relacionar.

Relações Intrapessoais e Interpessoais

Intrapessoais são as relações internas a cada pessoa. É o modo como eu me relaciono comigo mesmo, com minha história e com os ambientes nos quais convivo.

É no âmbito das relações intrapessoais que temos reflexões sobre autoconhecimento e trabalhamos nossa autoestima. Sentimentos e emoções são categorias estudadas quando nos detemos na análise do processo de pensamento. A cada vez que somos introduzidos num novo ambiente, nosso ser interior deve empenhar-se na compreensão deste novo universo para cotejá-lo com o nosso modo de ser.

Não podemos trabalhar nossas relações interpessoais  sem levar em conta nossas reações intrapessoais, ou seja nossos sentimentos, problemas pessoais e as soluções que damos a eles.

Muitas organizações vem trabalhando as relações interpessoais entre seus trabalhadores entendendo que é uma forma de influir na produtividade e agregar valor nas carreiras, com reflexos para a relação deles com suas famílias e com a sociedade.

Autoconhecimento e autoestima

Em princípio, estes homens e mulheres tem algumas habilidades natas que podem ou não ser desenvolvidas na infância e adolescência. Quantas pessoas que nos encantam com sua voz melodiosa declaram em entrevistas que começaram a cantar muito tarde porque em criança foram tolhidas por pessoas que diziam que seu canto era ruim e incomodava as pessoas.

O autoconhecimento e a autoestima são mais ou menos desenvolvidos dependendo das relações estabelecidas e do entendimento da utilidade desta ou daquela habilidade, o que vai influir no desenvolver dos aspectos cognitivos e no estabelecimento de papeis e funções na sociedade.

Se o conhecimento é a característica cognitiva que pode ser buscada na relação com o outro ou na busca interior (autoconhecimento), a autoestima é sentimento de aceitação que faz com que a pessoa goste de si mesmo, aprecie o que faz e aprove suas próprias atitudes.

Este autoaprovar-se se inicia na primeira infância e é alimentado, ou não, na relação com os pais ou responsáveis. Pai e mãe apresentam para esta criança a imagem daquilo que devem querer ser (o espelho é o afeto). Se eles se relacionam bem com  outros, principalmente com outros significativos, a tendência é esta criança ou adolescente querer copiar este comportamento e com isso também se relacionar bem.

Existe, portanto, uma autoestima essencial que é aquela que recebemos de nossos pais ou responsáveis: somos aceitos apenas porque nascemos e o nosso existir é valorizado. A sociedade espera que os filhos sejam aceitos e amados e com isso é difícil a pais e mães expressar algum ódio em relação a estes filhos, mas sabe-se que existem situações extraordinárias em que este ódio existe assim como existem relações neuróticas de amor aos filhos. AS relações de “cuidado extremo” assim como as de “negligência”  são acompanhadas pela sociedade.

A autoestima fundamental é aquela que conquistamos quando somos bem sucedidos nos estudos, no trabalho ou na sociedade e esta aceitação alimenta a nossa aceitação de nós mesmos que conhecemos como autoestima.

Em cada um de nós convivem três pessoas: (1) aquela que achamos que somos, (2) aquela que os outros pensam que somos – caráter imputado a nós pela sociedade e que Goffman chama de Identidade Social Virtual, e (3) aquela que somos realmente e que Goffman chama de Identidade Social Real.

No que se refere às relações interpessoais, é necessário manter o equilíbrio entre estas três identidades de modo a que possamos nos manter serenos, brandos e felizes e que tenhamos uma boa interação entre nosso mundo interno e o externo.

O ESTÍMULO A UM BOM RELACIONAMENTO INTERPESSOAL

É no âmbito profissional que queremos refletir sobre o estímulo a um bom relacionamento interpessoal, ainda que saibamos que isso irá se refletir nos outros ambientes como  o pessoal e o social.

Aquele ditado “manda quem pode, obedece quem tem juízo”  não mais reflete a relação existente entre comandados e comandantes na maioria das empresas atuais.

Em princípio, a construção de um bom relacionamento na empresa é mais difícil de se conseguir do que na família. Na maioria das situações, esta relação familiar começa a ser construída no nascimento e vai ganhando solidez, seja bom ou sofrível o relacionamento que ela endossa.

Fora do âmbito familiar, perpassando a escola, o bairro e a comunidade, vamos construindo desde muito cedo relações nas quais o concorrer é mais forte do que o cooperar. Jogos esportivos e atividades recreativas, no geral, aplaudem quem “vence” e desconsideram aqueles que se apresentam como “perdedores”.

De alguns anos para cá, há todo um esforço para substituir o espírito competitivo pelo cooperativo, e as empresas vem valorizando conquistas de equipe mais do que conquistas individuais. É importante valorizar valores como cooperação, solidariedade, tolerância e respeito mútuo, ainda que se saiba que a sociedade em que vivemos é individualista e seu caráter é competitivo.

Feedback

Feedback é uma palavra inglesa que significa realimentar ou dar resposta a um determinado pedido ou acontecimento.”(www.significados.com.br ).

 

Fala-se muito, nos dias de hoje, na necessidade de dar e receber feedback. Na maioria das situações profissionais, isso se refere à avaliação do desempenho profissional. Dar feedback significa apontar pontos positivos e negativos numa postura de construção o que implica que deve ser dado com cuidado para que a pessoa que o recebe o aceite e incorpore na sua procura da melhoria de suas habilidades profissionais.

Para a maioria das pessoas, o mais difícil é receber feedback: ouvir críticas, sugestões e opiniões contrárias à nossa somente tem um papel construtivo se estivermos numa postura de aceitação e reconstrução do nosso modo de ser.

Esta dificuldade, sem dúvida, está por trás da dificuldade que muitas pessoas tem de propor processos de avaliação das atividades que desenvolve, perdendo uma excelente oportunidade de reorientar e/ou estimular suas ações.

Nesta perspectiva, o feedback pode nos ajudar no direcionamento da atenção às pessoas, reforçando um determinado desempenho, buscando alternativas de mudança de comportamento e eliminação de um modo de ser considerado indesejado.

A troca de feedbacks necessita de um ambiente de confiança recíproca entre as pessoas e o reconhecimento de que este processo é conjunto entre quem dá e quem recebe o feedback.  Para isso precisamos saber ouvir palavras, gestos e atitudes, e precisamos nos expressar quando temos algo a comunicar, sempre levando em conta as reações emocionais das pessoas.

Muito cuidado deve ser tomado neste processo pois em muitas situações nos sentimos importantes por “dar conselhos”  e aqui não se trata disso. Dar feedback não significa mostrar nossa superioridade, nossa inteligência e habilidade, mas contribuir para que o próprio receptor construa as respostas de que necessita.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A melhoria das relações interpessoais num determinado ambiente não é tarefa a ser realizada apenas por uma pessoa. Os aspectos a serem trabalhados no conjunto dos grupos para que ele se torne uma equipe pedem um espírito de cooperação que somente podem ser experimentados em conjunto com os demais.

Além de garantia de um diálogo franco e aberto, a relação entre membros de uma mesma equipe necessita de um canal direto de comunicação e uma postura de enfrentamento direto dos problemas identificados. Periodicamente, o grupo deve ser levado a se repensar, apontando pontos e positivos, negativos e sugestões a serem trabalhadas com o grupo.

Estes momentos devem contribuir para o vivenciar as potencias e os limites de cada pessoa da equipe, buscando alocá-las naquelas funções que mais combinem com o seu modo de ser.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRESSER, Cristina – RELAÇÃO INTERPESSOAL NÃO EXISTE SEM TRABALHO DE EQUIPE, capturado na internet, janeiro 2013.

CARVALHO, Adriany Rosa de Matos – RELAÇÕES INTERPESSOAIS E DESENVOLVIMENTO DE EQUIPES, PE, Dicas Sebrae, 2010.

CASTRO, Elizângela  Santana de Jesus –APOSTILA: RELACIONAMENTOS INTERPESSOAIS , Centro de Integração Empresa Escola MG, capturado na internet, fevereiro 2013.

GOFFMAN, Erving – ESTIGMA: NOTAS SOBRE A MANIPULAÇÃO DA IDENTIDADE DETERIORADA, RJ, Guanabara, 1963, 4ª. edição.

ROCHA, Elizângela Bispo – RELAÇÕES INTERPESSOAIS, capturado na internet, webartigos, fev 2013.

______________ – RELAÇÕES INTERPESSOAIS E DESENVOLVIMENTO DE EQUIPES, capturado na internet, webartigos, fev 2013.


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