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O TRABALHO EM GRUPO E OS FACILITADORES
julho 14th, 2013 by Magdalves

 

 

Trabalhar com pessoas, individualmente, em pequenos grupos ou em comunidades implica um esforço na apropriação dos processos conversacionais que ocorrem na sociedade.

Uma mesma linguagem pode ser perfeitamente entendida num ambiente e gerar desconforto em outra. Quantas vezes, a gente participa de Seminários e, enquanto está achando interessantíssima a fala de um palestrante, ouve cochichos apontando que ele está falando difícil e que não dá para entender o que quer dizer.  Se olharmos para o lado, para perceber quem diz isso, possivelmente, vamos identificar pessoas de outros meios e que portanto não estão acostumadas com aqueles códigos.

Se em atividades como palestras e seminários o que se espera é a comunicação unilateral que vai do especialista ao público, quando estamos trabalhando com grupos, é fundamental a fluição da comunicação lado-a-lado.

Seja qual for o objetivo do grupo, um ponto chave é a cooperação entre seus membros, numa reação circular de dar e receber. Segundo Oliveira Lima (1971:16), a “cooperação cria condições cada vez mais apropriadas para a cooperação”. Este autor, que foi um dos primeiros teóricos a refletir sobre Dinâmica de Grupo apontava que a sociabilidade é produto da cooperação, do mesmo modo que a cooperação é fruto da sociabilidade.

Cooperação cria condições cada vez mais apropriadas para a cooperação  (reação circular). A sociabilidade é produto da cooperação, assim como a cooperação é fruto da sociabilidade.

Toda pessoa, independente de gênero, raça, idade ou condição de vida, trás em si uma vivência a partir da qual “lê o mundo”  que a cerca. Paulo Freire, na Pedagogia do Oprimido, enfatiza que:

“Não existem pessoas sem conhecimento. Elas não chegam vazias. Chegam cheias de coisas. Na maioria dos casos, trazem junto consigo opiniões sobre o mundo e sobre a vida”.

No diálogo grupal, estas pessoas trazem em si seu conhecimento anterior, suas emoções individuais e uma certa vontade de alcançar algum resultado.

Para estabelecer um ambiente saudável de resgate de experiências e de construção de conhecimento conjunto, o grupo precisa lidar com as informações e emoções trazidas pelos seus membros e estabelecer mecanismos que favoreçam esta troca, administrando as turbulências  surgidas no confronto dos estados de ânimo e das emoções individuais, aumentando os graus de equilibração e cooperação.

MODERAR, MEDIAR OU FACILITAR?

Moderar, mediar e facilitar são técnicas de trabalho com grupos voltadas para a condução das discussões, visando dar segurança e empoderar (empowerment) cada um dos membros do grupo.

A moderação visa conduzir e facilitar conversas grupais e suas discussões, propiciando a aprendizagem ativa. Neste processo, ela mobiliza e estimula a criatividade das pessoas, fazendo aflorar o conhecimento experiencial de cada um e provocando uma análise crítica deste acervo.

A mediação, no geral, é mais utilizada na resolução de disputas, buscando soluções amigáveis. Não se pode confundir mediação com aconselhamento ou arbitragem já que o mediador não tem o papel de juiz.

A facilitação é a condução de grupos, incentivando todos os membros a participarem, num processo que valoriza a vivência e o conhecimento de cada um.

Moderação e facilitação oferecem aos grupos técnicas apropriadas e conduzem o processo de discussão com perguntas, num ambiente informal, transparente e agradável.

Tanto a moderação quanto a facilitação provocam o intercâmbio de informações e a discussão, buscando tornar a comunicação entre as pessoas mais objetiva e produtiva.

Na moderação como na facilitação, é aconselhável a condução do grupo por uma dupla de profissionais. Um moderador e ou co-moderador, ou um facilitador e um co-facilitador. Esta co-atuação enriquece e dinamiza a reflexão, trazendo outra ótica, comportamento, estilo e conhecimento, além de ser um suporte na infraestrutura para o trato com as pessoas. Atenção:  a dupla de profissionais precisa de um entendimento de tal forma que consiga se falar com os olhos:  você pensou, o outro já está fazendo…

É fundamental a construção de interação entre facilitadores e participantes na reciprocidade na troca de informações e sugestões. Esta troca permanente pede ainda um ambiente seguro e confortável e um feedback construtivo.

Na cartilha Facilitando Oficinas, Honsberger(2002:27)  aponta que  “o objetivo é garantir que todos tenham a oportunidade de aprender mais sobre as fortalezas e capacidades individuais relacionadas aos tópicos desenvolvidos em oficinas, bem como aumentar a autopercepção de habilidades que precisam ser melhor desenvolvidas.”

Clarke (2005:01) pontua que “a Facilitação é a arte, não de colocar ideias nas cabeças das pessoas, mas sim de extraí-las. Facilitação é o processo de se conduzir um grupo na aprendizagem ou na mudança, de uma forma que incentive todos os membros a participarem”.

Para a moderação (H&K, 2001:15) “todo processo grupal é também um processo conversacional em que a linguagem, por ser o principal meio de comunicação entre as pessoas, lhes possibilita criarem novas realidades, discutirem problemas e se coordenarem para a ação.”

A moderação trabalha prioritariamente com pessoas reunidas em grupos, levando em conta problemas, sonhos e inquietações de cada um, além de atuar sobre processos grupais. Neste entendimento, grupos são conjuntos de pessoas que partilham objetivos comuns e buscam partilhar tarefas e ações na sociedade.

Pressupostos da Facilitação/Moderação

O ponto de partida são as pessoas: Cada homem ou mulher trás em si um conhecimento único e inimitável que é fruto de sua vivência. Muitas destas pessoas, em virtude de sua situação na sociedade, construíram filtros que dificultam o acesso cotidiano a esse conhecimento. Sem a contribuição e o conhecimento de cada um de seus membros, o grupo tem dificuldades em compreender e responder às situações a que se propôs.

A condução do grupo: As pessoas precisam ser incentivadas a aprenderem umas com as outras. O grupo precisa se apropriar de cenários e dos caminhos que estes podem  possibilitar para pensar e agir em conjunto.

Participação igualitária: Na discussão em grupo, cada pessoa tem direito a emitir sua opinião e defender seus pontos de vista, independente do lugar que ocupam no grupo. É o grupo, e não o coordenador, o facilitador ou algum de seus membros individualmente, quem deve decidir os rumos da discussão e as decisões do grupo.

Transparência do processo:  Todos os membros do grupo tem direito a acompanhar tudo o que acontece no processo, podendo opinar e influir na sua condução. Uma das técnicas que é bastante utilizada nestes processos é a de visualização, a partir de cartelas preenchidas por todos e afixadas em local visível, que tanto favorece a discussão quanto facilita a sistematização do trabalho realizado.

Papel do Facilitador/Moderador

O facilitador/moderador é uma pessoa que coloca suas habilidades e conhecimentos a disposição do grupo, incentivando cada um de seus membros a participar de todo o processo. Para isso, é muito importante que sua postura seja de alguém participante, aprendiz, educador e mediador.

Dentre suas tarefas, ele deve:

Gerar o diálogo – estando atento para o entendimento entre as pessoas. Isso significa reconhecer os pontos fortes e frágeis de cada membro do grupo,  “checando escutas”, incentivando a participação e consolidando a fluidez do grupo.

Relação com membros do grupo: reconhece os pontos fortes e as habilidades dos membros individuais do grupo e ajuda-os a se sentirem à vontade para compartilharem as suas esperanças, preocupações e ideias. Dá aos participantes confiança para compartilhar e experimentar novas ideias,  valorizando a diversidade e levando em consideração as diferentes necessidades e interesses dos membros do grupo.

Relação com o grupo em si:  compreende os sentimentos do grupo, buscando aceitá-los e construir com eles. Este reconhecimento do direito de cama membro de pensar diferente do que pensam os demais membros, e/ou diferente do que pensa o moderador/facilitador é que dá legitimidade ao trabalho com o grupo, garantindo um ambiente democrático onde a liberdade pode ser praticada.

Relação com a investigação: o grupo deve possibilitar a expressão de respostas não acabadas, considerando que esta abertura para as dúvidas pode ser muito valiosa para o avanço da reflexão do grupo. Para isso é muito importante que o facilitador/moderador domine a arte de fazer perguntas e priorize o processo.

 

As  dificuldades que este facilitador/moderador costuma enfrentar podem ser colocadas em três blocos:

Ainda que seja tentado a isso, o facilitador/moderador não pode assumir  o controle do grupo, na medida em que deve respeitar a autonomia do conjunto de pessoas que o forma. Por outro lado, deve exercitar a liberdade de dizer “não sei”. Há perguntas que são feitas no grupo que não são do seu universo de conhecimento e é fundamental que o facilitador/moderador saiba, com tranquilidade, responder não sei, colocando-se a disposição para a busca da resposta na sequência.  Em um curso de formação de que participei, cujos responsáveis eram canadenses, eles propunham que se colocasse, num local da sala, um papel Kraft com um título como “parking lot” (estacionamento). Em cada momento em que o grupo queria algo que extrapolasse a discussão daquele dia, ou  tinha um impasse, e esta necessidade de resposta pode ser um deles, a questão era colocada no parking lot  e trabalhada num outro momento.

Em terceiro lugar, pode-se apontar as dificuldades na mediação de conflitos. Ela requer tranquilidade e preparo técnico de modo a dar conta desta necessidade.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

CLARKE, Sophie – FACILITAÇÃO EFICAZ, capturado na internet em fev/2013, www.titz.tearfund.org/português/Passo+a+passo+51-60/Passo+a+Passo+60/Facilitação+eficaz.htm

FREIRE, Paulo – PEDAGOGIA DO OPRIMIDO, SP, Paz e terra, 2002.

LIMA, Lauro de Oliveira – TREINAMENTO EM DINÂMICA DE GRUPO NO LAR, NA EMPRESA, NA ESCOLA,RJ, Vozes, 1971. (3ª. edição)

H & K Desenvolvimento Humano e Institucional – CAIXA DE FERRAMENTAS: DESENHO E FACILITAÇÃO DE PROCESSOS DE DISCUSSÃO GRUPAL, H+K, SP, 2001.

HONSBERGER, Janet e outra – FACILITANDO OFICINAS: DA TEORIA À PRÁTICA, SP/GETS e United Way of Canadá, 2002.

SOUZA, Raniere Pontes de – O PAPEL DO FACILITADOR EM PROCESSOS DE DESENVOLVIMENTO SOCIAL, capturado na internet em fev/2013, www.institutofonte.org.br

 

 


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