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A TROCA DO BASTÃO: QUANDO OS PAIS PRECISAM DAQUELE SUPORTE QUE ATÉ ENTÃO ELES DAVAM AOS FILHOS – REFLETINDO SOBRE A VIDA
abril 14th, 2013 by Magdalves

Resumo: Com os avanços da medicina, são cada vez maiores os desafios no trato com a velhice. As pessoas estão vivendo mais, e os próprios geriatras confessam que cada caso é um caso e que temos que aprender a lidar com as dificuldades que surgem a cada dia.

Como ficar atentos aos sintomas que tanto podem indicar dificuldades a serem equacionados com o suporte dos profissionais da área e quais são efeitos colaterais de medicações que curam de um lado e dão problemas do outro.

 

Palavras Chave:  envelhecimento, cuidadores, saúde, família.

 

 

Ainda que a chegada da velhice seja um processo lento, há sempre um momento em que começamos a perceber que precisamos cuidar de quem sempre cuidou da gente.

Meu pai faleceu cedo, ele tinha apenas 63 anos, e os cuidados com ele pesaram muito mais sobre minha mãe do que sobre os filhos na medida em que ela estava na flor dos seus 57 anos e esteve com ele 24 horas mesmo no período em que esteve internado num hospital.  Lembro-me da fala do médico dele que me disse que “estava dando alta pra minha mãe”  porque ainda que o paciente fosse meu pai, percebia que ela estava exausta e ninguém conseguiria tirá-la do lado dele enquanto ele precisasse do seu apoio.

Ainda que as lembranças da minha infância e adolescência sejam mais esmaecidas, é muito forte sua presença nas dificuldades que tive na vida adulta: ela foi uma segunda mãe para meu filho desde a mais tenra idade quando um desquite fez com que a responsabilidade legal por cuidá-lo ficou somente comigo. Hoje ele é um homem maravilhoso, adulto, resolvido e amoroso comigo e com ela.

Até quase os oitenta anos, mamãe morava sozinha, trabalhava, se sustentava e cuidava de sua casa sem uma necessidade material. A presença dos três filhos era num contexto afetivo e mesmo nesta idade era muito mais a gente que contava com ela do que ela contava conosco.

Ainda que ela fosse totalmente independente, e assim ele ficou até os 90 anos, a preocupação com o fato dela morar sozinha – e minha irmã era a mais aflita dos três – eu desmanchei a casa que tinha e mudei-me para o apartamento dela.

Minha vida profissional era muito intensa e não era raro o dia em que eu saia cedinho e voltava tarde da noite, mesmo em finais de semana. Quem me dava suporte para poder esquecer as tarefas domésticas de cuidados com a casa, com a roupa e com as contas a pagar e alimentos e remédios a comprar era a minha querida velhinha.

O pessoal do bairro se admirava muito ao vê-la andando sozinha de lá para cá, cuidando de tudo e ainda fazendo trabalhos que, nesta fase, passaram a ser de tradução de textos. Era incrível vê-la sentada na frente do microcomputador, lendo um texto que podia estar em inglês, francês, italiano, espanhol ou latim e ir escrevendo como se fizesse apenas uma cópia.  Os dicionários estavam ali, mas raramente ela precisava deles, a menos que o texto fosse muito técnico.

Desde muito cedo, a lembrança mais forte de mamãe é “agarrada em algum livro”… ela adorava ler, lia muito e rapidamente, além de devorar os jornais do dia, fazer palavras cruzadas e outros exercícios em joguinhos na internet.

Esta foi a nossa vida até o final de 2009. No início de 2010, uma “pane” no pulmão fez mamãe ficar quase 50 dias num Hospital, a maioria deste tempo em Unidade de Terapia Intensiva. A tensão diária era imensa, alguns médicos diziam para termos paciência que ela estava reagindo; outros, mais pessimistas, diziam que dificilmente ela sairia dali… e a gente se apavorava em pensar a vida sem a sua proteção.

Eu sempre brinco, dizendo, que num determinado momento, ela cansou de ficar no hospital, reagiu e os médicos deram alta e ela voltou para casa, mas numa condição de dependência que a impedia de falar,  movimentar pernas e braços e ainda tinha dificuldades de respiração.  Entendo que foi a partir daquele momento que entendemos que mamãe ficara velhinha.

Além de assistência médica e remédios, providenciamos dois suportes de infraestrutura: uma fisioterapeuta, que vinha duas vezes por semana, visando levá-la a exercitar pernas e braços e o pulmão que ainda estava frágil. O outro suporte, mais amplo, foi a contratação de um “anjo da guarda”.

Este anjo da guarda, que responde pelo nome de Eliete, vem cuidando dela com um carinho de filha e ainda dá conta dos cuidados de casa e mesmo das ajudas que preciso para poder fazer meu trabalho de consultoria sem me preocupar com detalhes de infraestrutura. Entre 2010 e 2011, fiz inúmeros trabalhos que exigiam que eu viajasse para fora de São Paulo, e nestas ocasiões, quem nos socorria eram meus irmãos que “assumiam sua parcela de plantão junto á mãe”.

Com seus quase 94 anos, mamãe é uma mulher lúcida, sem resquícios de Alzheimer ou Parkinson, mas que queixa-se das “palavras que fogem”, ainda que uma geriatra tenha explicado que isso se refere à dificuldade de acesso, como se a cabeça da gente fosse um grande arquivo cheio de gavetinhas, algumas delas meio emperradas.

Até maio de 2012, era esta a situação que tínhamos, mas daqueles dias para cá, ela vem decaindo e ficando a cada dia mais dependente em diversos aspectos o que me levou a refletir sobre esta temática do “cuidado competente com nossos pais”.

 

A REALIDADE DA VELHICE NO BRASIL

Possivelmente, em virtude dos avanços da medicina e nas melhorias nas condições de vida, a pirâmide etária brasileira vem sendo alterada a cada década.

Segundo especialistas, esta alteração foi provocada pela queda da fecundidade, o que diminuiu o peso da população jovem, e por uma diminuição da mortalidade para basicamente todos os grupos etários.

Se em 1960, a expectativa de vida era de 48 anos, o Censo 2010 a aponta como sendo de 73,4 anos, tendo havido, portanto, um aumento de mais de 25 anos. A projeção feita pelo IBGE é de que em 2040 esta projeção será de 80 anos.

Importante salientar que isso aponta um aspecto a ser administrado pela sociedade que é um aumento de pessoas com capacidade funcional reduzida demandando cuidados em atividades que antes faziam sozinhas.

É fundamental que os adultos que convivem com estas pessoas, que apresentam dificuldades funcionais, tenham informações sobre o processo de envelhecimento para que compreendam os sinais de dependência, aprendendo a lidar com eles.

O mais saudável é que idoso e cuidador tenham o acompanhamento de profissionais da área geriátrica com os quais possam dialogar e identificar as situações que são aquilo que seria esperado e aquilo que pode apontar alguma patologia que precise ter seu acompanhamento orientado.

Em algumas situações, no entanto, o caminho requer novos arranjos, seja na adequação da casa ou na programação de tarefas para que este idoso tenha o suporte de que precisa, mas continue e executar aquelas tarefas de que é capaz, percebendo que continua a ser uma pessoa útil àquela família.

Numa relação saudável entre pais e filhos, há a necessidade do respeito ao espaço de cada um deles. É importante detectar até aonde o idoso está realmente precisando de ajuda ou se é o cuidador que está aflito. O que é exigência de uma vida saudável e qual é a flexibilidade que deve haver para que este idoso defina o seu novo jeito de lidar com o mundo.

A inversão de papéis

Ainda que devam ter clareza de que há a necessidade da inversão de papéis em algumas circunstâncias, o cuidador precisa entender que não está lidando com uma criancinha que não sabe o que quer mas com um adulto que já viveu muito mais tempo do que ele e que tem sua opinião e suas vontades e que estas tem que ser respeitadas.

Uma necessidade que se impõe é a da adaptação da casa onde mora este idoso.  Apesar das discussões de acessibilidade terem ganhado espaço nas discussões acadêmicas, nossas residências ainda não estão adequadas, o que dificulta a independência do idoso.

Quando chegamos do hospital, em 2010, o primeiro problema encontrado era relativo a uma cadeira de rodas na qual mamãe estava sendo conduzida. Por sorte não se tratava de uma questão arquitetônica, o que seria mais difícil de equacionar, mas a disposição dos móveis que impedia a entrada da cadeira na entrada da casa… os tapetes eram outro complicômetro e a passagem da cadeira para o banheiro era impedida por um armário colocado ao lado da porta.

Depois que ela voltou a andar, a dificuldade estava no sofá da sala – que por ser baixo e mole, dificultava o levantar sem o apoio de um de nós. Troca-se a almofada do sofá, inclui-se uma cadeira e providencia-se uma mesinha de apoio para a leitura, o alimentar-se, etc..

Mas, a gente vai adequando a casa e novas dificuldades vão se somando às primeiras: chegamos a dificuldades no quarto de dormir.

Na cabeceira da cama, há uma pequena luminária que era usada para leitura e por isso tem uma lâmpada forte. A dificuldade para apagá-la juntada ao não querer ficar no escuro, quase causou um acidente. Mamãe colocou um lenço sobre a luminária e este pegou fogo… por sorte, ela estava acordada e o retirou a tempo.  A saída?  Um segundo abajur que fica aceso a noite toda e portanto permite que se apague este da cabeceira sem maiores consequências.

Um acidente, no quarto de dormir aconteceu numa madrugada: o virar-se na cama que era estreita levou-nos ao hospital para “pontos na testa”.  Cuidadosamente, os médicos fizeram uma série de exames para ter a certeza de que fora apenas uma queda desastrada e não consequência de um Acidente Vascular Cerebral. Felizmente, fora apenas um virar-se desastrado, mas gerou um medo que, passados mais de seis meses, ainda nos acompanha.

Novas dificuldades e alcançar a cama ficou difícil. Improvisada uma escadinha (parecida com as de hospital) fizemos o teste e, num segundo momento providenciamos a troca da cama por uma mais larga (cama Box). Pensando que fosse bom que ela fosse mais baixa, tiramos os pesinhos. Resolveu o deitar-se, mas dificultou o levantar… era difícil dar impulso para levantar ainda que se tivesse um cuidador para lhe dar a mão. Novos cálculos, e foram introduzidos pesinhos intermediários, mais baixos que da cama Box e que, no geral, são colocados em camas Baú.

O auxilio nas atividades funcionais

O auxílio nas atividades funcionais deve ser balizado nas dificuldades apresentadas pelo idoso, sempre lembrando que não se deve invadir o espaço de ação que este idoso ainda consegue realizar sozinho.

Uma preocupação de muitos cuidadores é relativa à medicação. No caso de minha mãe, eu até separo os remédios para facilitar a sua ingestão, mas é ela quem os leva à boca, ocasião em que verifica tudo. Não apenas, ela tem clareza da medicação que deve tomar, mas aponta esquecimentos meus e não toma remédios que foram acrescidos sem uma explicação anterior do para que servem.  Nos remédios administrados em gotas, ela sabe quantas foram prescritas e acompanha o movimento do conta-gotas.

A higiene também tem sido uma tarefa em parceria.  Mamãe ainda se lava diariamente sozinha, precisando de ajuda apenas para enxugar-se, em virtude de uma lesão num dos braços que dificulta os movimentos. Semanalmente, eu tenho um papel maior já que lavamos sua cabeça e para isso ela tem dificuldades. Além de banho,o cuidado corporal exige momentos em que a pele pede loções ou cremes, e quando há incômodos – a pele dos idosos é muito fina e fere-se com facilidade – ela os aponta e cuidamos deles a duas.

A incontinência urinária própria da idade tem levado mamãe a usar absorventes diários e fraldas à noite. Sei que alguns idosos conseguem colocar suas próprias fraldas, mas, desde o primeiro momento, essa tem sido uma tarefa dos cuidadores.  A dificuldade é quando quem está cuidando dela é meu irmão e, por ser homem, leva-a a tentar cuidar-se sozinha, só pedindo ajuda quando não consegue resolver-se.

Já houve uma época – 2010 – em que mamãe tinha dificuldades em comer sozinha, mas hoje ela tem certa independência em relação à sua nutrição. Ela escolhe o que quer comer e as quantidades – que a meu ver poderiam ser maiores – e eu ajudo cortando as carnes e outros alimentos para facilitar a degustação. Eu sempre brinco, dizendo que ela é uma formiga, porque diz que seu estômago é pequeno, quando oferecemos alimentos salgados, mas cabe muito mais quando são doces e bolachas. Respeitando o seu “comer pouquinho”, mas preocupada com seu estado nutricional o que tenho feito é oferecer frutas, bolinhos e outros quitutes entre as refeições. Tomar água, também, é uma coisa que ela pouco se lembra e precisa sempre ser estimulada a isso.

O dormir é uma questão ainda em discussão.  Da crise ocorrida em maio, mamãe saiu com uma dificuldade imensa em dormir, seja de dia, seja de noite. Geriatras pra cá, neurologistas pra lá, e a conclusão é que não há problemas orgânicos e que deveríamos ajudá-la com medicação continuada. O dormir a noite está mais ou menos resolvido, mas temos dois efeitos que me parecem colaterais:  fica muito sonolenta durante o dia e apresenta dificuldades para enxergar pela manhã… e a bula da medicação aponta que esta ocasiona uma dilatação da pupila… mas esse é um aspecto ainda a resolver.

Uma das minhas brigas constantes é para que ela se mexa: levante-se, mexa braços, pernas e cabeça, dê alguns passos…  mas ela ainda não se sente motivada a isso. Naquele período de 2010, descobri que um suporte fundamental é o da fisioterapia e já são dois os profissionais aos quais devo agradecer o apoio. Paula nos apoiou na recuperação de mamãe em 2010 e continuou a nos visitar até o final do ano de 2012. Sua atuação fazia com que mamãe andasse:  não sei se porque naquela época estava mais disposta ou porque entendia que devia respeitar a profissional que estava sendo paga para estimulá-la e ela gostava disso e obedecia.  O interessante é que quando ela anda – e ela vai do quarto ao banheiro, à sala, à outra sala… ela o faz sem nosso apoio material, mas quer ter um de nós por perto por uma espécie de apoio moral… é o medo dando as cartas, ainda.

O banheiro tem suportes e com isso ela precisa de menos ajuda para sentar e levantar da privada… mas tem medo de ficar de pé sob o chuveiro…

Hoje, estamos com um outro profissional, Paulo, que também tem tido uma atuação significativa na recuperação dela.

 

Considerações finais

Além dos aspectos citados acima, há outras questões que merecem uma reflexão mais aprofundada. Dentre elas, quero salientar o nosso processo de ação e reação, em especial, em situações de stress e de cansaço que são bastante comuns quando se tem a responsabilidade de dar suporte a pessoas com dificuldades funcionais como os idosos.

É muito comum a gente encontrar pessoas que falam na necessidade de se ter paciência, e eu quero questionar isso porque entendo que não é esse o caso. O dicionário Aurélio nos diz que paciência é “virtude que consiste em suportar as dores, incômodos, infortúnios, etc.. sem queixas e com resignação”. Este mesmo dicionário diz que ser paciente é “aquele que persevera na continuação de uma tarefa lenta e difícil”. Coitado do idoso que tem que ser suportado, e cujo atendimento é tarefa lenta e difícil…  Não sei os outros idosos, mas minha mãe merece mais do que isso.

Uma outra leitura poderia ser a gente buscar compreender estas tarefas que o atendimento ao idoso coloca para nós não como um fardo mas na relação que esta ação representa para este receptor da tarefa.

Anos atrás, num curso maravilhoso do qual participei, éramos convidados a alterar o “tipo de observador”  que havíamos sido até então. Veja, nossas ações voltam-se para a busca de algum resultado mas são fruto da leitura que fazemos de cada situação. Esta ação determina o resultado a alcançar, mas mais do que isso, nos diz que tipo de pessoa somos e como reagimos. E não se trata de manter sob controle os nossos estados de ânimo, mas em entender os condicionamentos que eles representam para nosso agir.

Pense comigo:  a forma como vemos as coisas é apenas o nosso jeito de olhar aquela coisa. Parece óbvio, no entanto, precisamos ter clareza que o nosso modo de ver as coisas passa por diversos filtros com os quais convivemos sem perceber. A estrutura biológica nos leva a ser afetados por estímulos ambientais, de cor, de sons e é isso que conforma nosso sistema nervoso e nossos órgãos sensoriais. Tudo isso define o observador que somos, o que nos leva a observar as coisas como observamos.

No contexto que aqui analisamos – da atenção a pessoas com dificuldades funcionais – nossa interpretação do que vemos e ouvimos deve basear-se na convivência que queremos construir, convivência esta que deve ser baseada no respeito e na legitimidade da atenção a ser dada.

Quando minha mãe, no meio da novela que estamos assistindo, diz: esta noite quero dormir de pijama e não de camisola, o que ela está dizendo é que, quando formos trocar sua roupa para dormir, ela quer pijama.Não está dizendo que quer que paremos de assistir à TV para trocar seu pijama imediatamente. Não é a paciência, mas o entendimento do que, de fato, ela está solicitando que vai levar-me a reagir do modo esperado, registrando que quer dormir de pijama, mas deixando para a hora em que isso sempre é feito e permitindo que continuemos a ver TV.

Por fim, textos escritos por especialistas, apontam duas questões que venho sentindo na pele:

  • O cuidado maior recai sobre um dos filhos, e esta filha sou eu;
  • cuidar de idosos trás uma sobrecarga física e emocional muito grande.

Concordo com o que dizem estes textos em relação a ser este um papel difícil e estressante e que precisa do apoio de outras pessoas da família. Este compartilhamento é sempre muito difícil na medida em que os outros filhos continuam tocando suas vidas e o cuidado à mãe é apenas um detalhe de alguns momentos da semana e não inclui nem a responsabilidade e nem a dedicação às tarefas estressantes.

Entendendo que “o cuidador precisa ser cuidado”, estes textos apontam a necessidade da montagem de um esquema a partir da colaboração das outras pessoas da família para que este cuidador principal consiga tempo para dedicar a si mesmo.

 

Referências Bibliográficas

Pessini, Lei – ENVELHECIMENTO HUMANO: DESAFIOS E PERSPECTIVAS, capturado na internet em fevereiro de 2013 – www.pime.org.br/mundoemissao/mmsaudedesafios.htm

Ramos, Luiz Roberto e outros – ENVELHECIMENTO POPULACIONAL: UMA REALIDADE BRASILEIRA – Revista de Saúde Pública, 21 (3), SP, 1987.


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