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ELABORAÇÃO DE PROJETOS SOCIAIS
fevereiro 16th, 2013 by Magdalves

A Política Social é sempre pensada em nível  macro, podendo configurar-se como Política de Governo ou Política de Estado. Num caso como no outro, ela só ganha concretude quando se efetiva no dia-a-dia dos sujeitos aos quais se destina e isso requer o seu detalhamento, levando-se em conta o território vivido por esta população.

O primeiro item do Projeto é uma Apresentação que é a síntese da proposta. Quem é aquela comunidade, quem são os responsáveis pela proposta, aonde querem chegar e em que tempo e com que abrangência geográfica.

A programação de atividades, os recursos para viabilizá-las e pistas do significado daquele Projeto para a comunidade podem ser o segundo tópico.

Num terceiro parágrafo, a síntese do estudo de viabilidade detalhado acima. Na internet, você pode encontrar diversos roteiros de elaboração de Projeto, já que  ele precisa ser adequado à finalidade para a qual está sendo construído.

Escriturar um Projeto Social tanto pode significar a construção da base para a implantação de uma proposta nova como o relato da ação que já vem sendo desenvolvida e seu objetivo tanto pode ser a definição de um roteiro de acompanhamento das novas atividades como a explicitação do conteúdo político voltado para a busca de patrocínio público ou privado.

Além do cuidado com a linguagem, há que se ter uma atenção especial no que se refere à ideia que se pretende realizar num determinado tempo e local: isso é projeto.

Quando este Projeto é adjetivado de social é porque se refere a uma ação social planejada, estruturada em objetivos, resultados e atividades a serem desenvolvidas, detalhando-se a previsão de recursos humanos, materiais e financeiros para se alcançar uma determinada meta.

O QUE SÃO PROJETOS SOCIAIS

Projetos Sociais não são “peças administrativas”  elaboradas por um gestor fechado entre quatro paredes. Entendendo-se que Projetos Sociais sempre alteram a vida de comunidades, o mais adequado é que sua construção seja feita em diálogo com estas pessoas que vão ter suas vidas atingidas por ele.

O Projeto deve ser construído em diálogo com a comunidade,  mas nesse processo é fundamental a perspectiva técnica, o que exige que a equipe profissional se aproprie dos grandes objetivos e eixos estratégicos da ação definida pela política a que se refere para que possa  traduzi-la em linguagem que garanta o entendimento pelas pessoas envolvidas.

A discussão com a comunidade deve subsidiar a definição das ações a serem concretizadas, delimitando-se tempo e espaço a partir dos recursos existentes.

Aonde queremos chegar

O primeiro momento de diálogo com a comunidade tem como finalidade capturar a realidade vivenciada pelas pessoas, identificando os problemas que, de fato, precisam ser solucionados.

Consultar a comunidade significa definir quem serão os porta-vozes e qual será o processo de “escuta”.  A identificação das lideranças deve levar em conta algo mais do que a visibilidade daquelas pessoas que se colocam no espaço público como representantes daquele grupo.  Pode-se propor um processo de dinâmicas que possibilite que um outro nível de lideranças se manifeste. Por exemplo, quando se propõe a reconstrução do histórico de uma comunidade, na grande maioria das vezes são evidenciadas aquelas pessoas mais antigas que estiveram juntas desde o primeiro momento e que tem condições de apontar como o grupo se consolidou. Uma dinâmica de levantamento de problemas – que pode ser feito a partir de um concurso de fotos tiradas num passeio coletivo na comunidade, por exemplo – vai apontar outras lideranças na medida em que cada tipo de problema afeta de maneira diferente esta ou aquela pessoa. Podemos ainda identificar o significado dos equipamentos sociais próximos da área, a rotina diária dos moradores, etc. …

A definição do problema que será enfrentado deve levar em conta a opinião da população que se quer envolver, numa espécie de hierarquização, mas também deve levar em conta critérios técnicos.

O envolvimento da comunidade e a atenção a critérios técnicos dá uma legitimidade ao Projeto, aumentando a chance de parcerias e de mudanças duradouras sustentáveis conhecidas como impactos.

Ainda que a proposta de roteiro de Projeto varie de uma Instituição para outra, alguns aspectos sempre precisam constar para dar clareza a que o examina.

Na maioria das vezes, o Projeto é trabalhado em partes e depois estas partes são juntadas num todo, se apresentando como a proposta a ser analisada.

O primeiro ponto a ser definido é “o que queremos com este Projeto”, ou seja, qual é o problema a ser enfrentado.

A construção do objetivo

Definido o problema, há a necessidade de caracterização e delimitação do problema, e para isso a base deve ser um levantamento de dados e de informações preliminares em relação àquele problema.  Algumas perguntas podem ser feitas, como (1) ainda não houve respostas para este tipo de problema ou as respostas foram ineficazes? (2) qual a parcela do universo que vive este problema vai ser envolvido neste Projeto? (3) qual a importância do atendimento a estas necessidades?

Respondendo a estas perguntas, pode-se propor o Objetivo Geral do Projeto, lembrando-se que estes objetivos (geral e específicos como especificado mais adiante) devem estar formulados com o verbo no infinitivo.

Na grande maioria dos projetos, o objetivo geral exige complementos que demonstrem os aspectos concretos que vão ser enfrentados e que são entendidos como objetivos específicos, devendo ser construído um para cada foco definido.

Por exemplo, se tivermos como objetivo geral a ampliação de acesso a oportunidades por um determinado público, possivelmente, teremos que ter objetivos específicos voltados para a capacitação deste público; outro objetivo voltado para a busca de espaços de oportunidades e quem sabe um terceiro voltado para capacitações específicas complementares àquelas que o Projeto se propõe.

Estes objetivos específicos, na verdade, são as estratégias das quais o Projeto pretende se utilizar.

Por outro lado, para que se possa construir um Projeto Concretizável, há que se fazer um estudo de viabilidade técnica, econômica, financeira, de gestão, social e ecológica.

Tecnicamente, precisamos refletir quais  tecnologias são necessárias? Como a população reage a elas? Qual a capacidade profissional existente e qual precisa ser construída? Este estudo deve ser cuidadoso pois nem sempre as soluções técnicas podem ser implantadas e há a necessidade de um plano alternativo.

Em termos econômicos, devemos analisar qual a contribuição que o projeto vai trazer para a comunidade como um todo e qual vai ser a melhoria em recursos naturais e humanos?

A viabilidade financeira deve ser alcançada a partir do cotejamento entre as despesas que o Projeto exige e a disponibilidade destes recursos. Importante levar em conta se estas despesas podem ter retorno num futuro próximo.

Em termos de gestão, a viabilidade gerencial pode ser obtida pela análise dos aspectos legais e técnicos de administração do projeto como a legalização do terreno em relação à sua situação fundiária (se couber) e a ponderação se as especificações técnicas são adequadas. Importante levar em conta a agilidade do grupo na liberação de recursos financeiros.

Sendo um Projeto Social, é fundamental diagnosticar as consequências sociais decorrentes da implementação do projeto. Para isso, um caminho é o estudo dos hábitos higiênicos, alimentares e de participação da comunidade.

Por fim, mas não menos importante, há que se identificar a viabilidade ecológica do Projeto, ou seja, quais as consequências para o Meio Ambiente.

Destinatários da proposta

Antigamente, falava-se em “público alvo”  como sendo o segmento junto ao qual o Projeto seria implementado, numa relação tal que considerava que aquelas pessoas seriam receptores passivos daquilo que lhes seria oferecido.

Com o advento da Constituição Federativa de 1988, houve um repensar em relação a isso na medida em que se busca construir espaços de participação cidadã, considerando que quem melhor pode nos dizer o que uma comunidade necessita é a própria comunidade.

Mas os propositores do Projeto não iniciam este processo a partir de nada. Qual o motor que nos move? Algumas vezes é a existência de um trabalho anterior que nos leva a perceber que aquela comunidade precisa de um “algo mais” que pode ser conseguido com a execução de um Projeto. Outras vezes, é a percepção de que há a oportunidade de apoio material, financeiro ou mesmo técnico que pode enriquecer a comunidade. Em qualquer destas situações, há um direcionamento de quem deve ser procurado como público: crianças, adolescentes, adultos, idosos; homens, mulheres e em que condições de trabalho, nível de sobrevivência… ou seja, temos um cenário proposto e a escolha dos destinatários deve assentar-se no conhecimento daquela realidade.

Definir com quem vamos construir uma determinada proposta requer uma apropriação do território vivido, um conhecimento da cultura, costumes, necessidades e desejos daquelas pessoas e isso somente pode ser construído num processo dinâmico de diálogo e atividades de trabalho em grupo onde a voz e a vez estejam com a comunidade.

Mesmo no trato com adultos que no seu dia-a-dia não se utilizam de dinâmicas de grupo, os instrumentos que vem sendo priorizados tem no lúdico seu princípio.  Brincando conseguimos perceber como as pessoas reagem a determinados estímulos e brincando podemos extrair deles seus desejos e necessidades. O projeto deve explicitar como este levantamento será feito e qual a visão que o Projeto tem deste grupo.

Além de apontar os beneficiários diretos do Projeto, muitas vezes é possível apontar os beneficiários indiretos.

Método, metodologia e atividades

Concretamente, o que este Projeto se propõe a fazer?  Qual o tipo de ação?  Como elas se articulam numa construção metodológica que permita uma sistematização e um monitoramento para a manutenção ou correção dos rumos do Projeto?

Retomando o exemplo anterior: se um objetivo específico é capacitar, para alcançá-lo você precisará definir algumas ações que poderiam ser (1) realizar um estudo dos nichos de mercado existentes naquele local/região e suas exigências; e (2) propor cursos de qualificação e requalificação profissional.

Para cada uma destas ações propostas, seu Projeto deve indicar quais são os resultados esperados. O estudo, por exemplo, permitirá acesso a outros processos de capacitação existentes; a proposta de cursos tem como resultados sua implantação, etc..

Definir as ações e as atividades a serem desenvolvidas implica definir os princípios metodológicos que vão orientar o Projeto, e também, quantas pessoas serão envolvidas como beneficiários e quais serão os critérios de escolha para que elas representam o universo pelo qual nos interessamos.

O projeto deve explicitar, ainda, como será a formação da Equipe responsável pelas ações. Que critérios embasaram a definição do/a coordenador/a do Projeto e qual sua expertise naquela temática? Qual a dinâmica de coordenação proposta? Qual a formação profissional exigida para os trabalhadores que assumirão cada uma das funções definidas no Projeto? Qual será a natureza do vínculo (CLT, empresas individuais, voluntários, autônomos, etc.)? Qual a jornada de trabalho semanal de cada um deles?

Toda nova equipe, ainda que a escolha de seus membros tenha sido cuidadosa, demanda um processo inicial de capacitação que, entre outras coisas, pretende levar cada um deles a se perceber como participante do “time”. Além disso, há a necessidade de manutenção de um processo de reciclagem permanente que perpasse todo o tempo do Projeto.

Plano de Ação

Tomadas estas decisões, é tempo de construção do Plano de Ação que deve estar contido no Objetivo Geral e conter todos os objetivos específicos que não são etapas cronológicas mas ações que podem ocorrer simultaneamente.

Para cada objetivo específico precisam ser construídas metas qualitativas e quantitativas e precisa-se indicar como serão coletados dados para verificação no decorrer do Projeto, como se  vê sinteticamente, no quadro abaixo.

Objetivo específico Questão Metas Quantitativas Metas Qualitativas Coleta de Dados Indicadores de gestão Indicadores de resultados
Capacitar xx trabalhadores em funções onde há carência de mão de obra O curso implantado tem a qualidade esperada? % de matriculados que frequenta as atividades Qualidade das atividades desenvolvidas Relatório pedagógico;Lista de Presença;

Reuniões mensais de avaliação com alunos.

Permanência e envolvimento dos alunos nos cursos. % de alunos que participaram de cursos e foram inseridos no mercado.

A programação de capacitação técnica para a equipe deve ser um misto de cursos, oficinas e reuniões de troca de experiência que acabam por constituir um Fórum.

Um dos componentes do Plano de Ação é o cronograma detalhado que deve conter as ações a serem desenvolvidas, sua periodicidade e sua duração assim como os profissionais envolvidos e responsáveis por cada atividade.

Orçamento e Origem dos Recursos

A concretização de um Projeto  exige recursos  de diversas naturezas, e cada um deles aspectos deve ser detalhado, informando-se a sua origem e montante.

Ainda que o local onde o Projeto vai ser desenvolvido seja cedido pela comunidade ou por um dos parceiros, sua manutenção deve ser detalhada e informado quem responde por cada ação.  Muitas vezes, o grupo que desenha um projeto desconsidera este aspecto, deixando de computar custos como aluguel,  luz, água, gás, manutenção e limpeza.  O mesmo ocorre quando o Projeto demanda o transporte de pessoas ou materiais e deixa-se de lado os custos de manutenção do veículo e os recursos humanos necessários à sua condução.

Muitas vezes, o Projeto demanda equipamentos novos ou já existentes e estes, também, devem ser computados no Projeto. Quando se inclui a compra de equipamentos no custo do Projeto, há a necessidade de duas providências: (1) computar-se os custos de manutenção mensal além do preço a ser pago inicialmente; (2) a definição do destino deste equipamento no término do Projeto. A maioria das ONGs – Organizações Não Governamentais define uma outra Instituição como destinatária nas situações de liquidação do ativo do Projeto.

A Projeção de Recursos Humanos implica na definição do número de trabalhadores para cada função, formação pretendida, carga horária semanal, salário, formas de contratação, encargos e a origem deste recurso.  Estes trabalhadores podem ser contratados (CLT), autônomos, voluntários ou terem sido cedidos, em tempo total ou parcial, por uma organização parceira.

Monitoramento e avaliação em tempo real

Monitorar é observar o andamento do Projeto passo a passo, buscando identificar a necessidade de reformulação de algumas das ações propostas em virtude de situações externas e não controláveis.

A definição de um processo de gerenciamento do Projeto objetiva a manutenção do controle das ações desenvolvidas, cotejando-as com os objetivos propostos e os resultados pretendidos.

Se a avaliação tem como finalidade a análise crítica do andamento do Projeto segundo seus objetivos, o monitoramento é um processo que produz as informações a serem analisadas. Suas ações são complementares: não se monitora sem  avaliar e nem se avalia sem monitorar.

O monitoramento é o processo permanente de observação e revisão das informações, análises e hipóteses.

Segundo Armani (2000:70) os mecanismos de um sistema de Monitoramento e Avaliação

devem tentar equilibrar […] dois objetivos: promover o controle sobre o alcance dos resultados e objetivos e uso dos recursos (responsabilização), mas também a garantia de espaços de autonomia e reflexão própria da equipe executora”.

Para fazer este acompanhamento, temos a necessidade de construção de instrumentos de medição para trazer para a nossa reflexão parâmetros de análise das situações. A isso chamamos indicadores.

Estes indicadores são adjetivados em virtude do uso que se espera deles, e assim, temos indicadores operacionais, indicadores de desempenho, indicadores de efetividade, indicadores de impacto e cada um deles nos dá uma dimensão de análise do Projeto em implementação.

A RELAÇÃO DO PROJETO COM PATROCÍNIOS E FINANCIAMENTOS

Definido um pré-Projeto, a etapa seguinte é a busca de adequação da proposta às possibilidades de patrocínio e financiamento disponíveis.  Se, por um lado, é importante, levar em conta os sinais do mercado, precisamos filtrá-los a partir das necessidades reais da comunidade, pois, o que pode servir para uma comunidade, para outra pode ser ineficaz ou até mesmo prejudicial.

Neste processo de redesenho, é fundamental um cuidado no que se refere às tendências que precisam ser evitadas, dentre as quais salientamos três aspectos: (1) mudança da proposta no entendimento de que com isso há maior possibilidade de captar recursos; (2) modismos que levem a um distorcer das necessidades apontadas pela população; e (3) basismos, considerando que quem sabe dos problemas é a população, de modo a desconsiderar que a análise técnica é a base na busca de caminhos de superação.

A Apresentação do Projeto Social

Em algumas circunstâncias, espera-se que você apresente o Projeto, seja à comunidade no qual será executado, seja a um grupo de representantes de patrocinadores e outros parceiros.

É fundamental que você conheça o público ao qual vai apresentar a proposta e adeque a linguagem e o modo de apresentar.  Em qualquer circunstância, para fazer uma boa apresentação, você precisa dominar aquele assunto e colocar-se à vontade, sem receios ou outras preocupações.

O Projeto deve ser apresentado em linhas gerais e não pode ser uma exposição cansativa. O tempo mais adequado é quinze minutos, deixando-se o restante do tempo para o diálogo e respostas às indagações dos participantes.

Se o ambiente permitir, utilize slides, os quais não devem ter textos extensos, mas apenas tópicos que você vai desenvolver, cuidando para que ele seja apenas um suporte para a sua fala. Os slides podem ter ilustrações (fotos ou desenhos) e dependendo da sua relação com seu público, pode incluir algumas charges desde que vinculadas ao assunto em discussão.

Nesta apresentação, não podem faltar a descrição da comunidade, o objetivo, as atividades que serão desenvolvidas e os mecanismos de monitoramento e avaliação que devem perpassar todo o processo.

Finalizando, apresente os resultados esperados e o tempo e montante de recursos previstos, agradecendo a atenção deles até este momento.

Aberto o diálogo, defina com eles a metodologia de colocação das questões e respostas e ouça com cuidado as contribuições, procurando identificar quais devem ser inseridas na proposta e quais devem ser recusadas e os porquês.

Neste processo, procure utilizar a ferramenta mais adequada a cada situação, apresentando soluções eficientes e não fugindo dos desafios que forem colocados.

Terminada a discussão, não deixe de reservar um momento do seu dia para avaliar este processo como aprendizado para outros momentos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ARMANI, Domingos – COMO ELABORAR PROJETOS? GUIA PRÁTICO PARA ELABORAÇÃO E GESTÃO DE PROJETOS SOCIAIS, RS, Tomo Editorial, 2000.


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