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O BRINCAR E AS CRIANÇAS EM SITUAÇÃO DE RUA
outubro 30th, 2018 by Magdalves

Brincar é um agir sem compromisso, é nos deixarmos levar pela nossa vontade e pelo nosso prazer. Muitos animais brincam, mas para o ser humano este brincar é parte de seu desenvolvimento.

No nosso imaginário, o brincar está vinculado à infância. Quando se propõe a um grupo de adultos que deixe a sisudez de lado e se permita brincar, ele se vê retornando à infância e este retorno, na maioria das vezes, é prazeroso.

Lembro-me de uma loja de brinquedos, em São Paulo que usava como slogan “brincadeira tem hora, que tal, agora?” No meu entendimento, é isso mesmo, devemos nos permitir deixar a sisudez de lado e nos permitirmos agir com leveza e nos divertirmos como se fossemos crianças a brincar.

Para as crianças, no entanto, brincar é coisa séria. Eles envolvem neste brincar todo o seu modo de ser, e deixam-se envolver naquele mundo de faz de conta que é a brincadeira.  Segundo os especialistas, para a criança, o brincar exige liberdade e está a serviço da formação da identidade, da construção da autonomia, da preservação da memória e da evolução da imaginação.

Não devemos confundir brincar com jogar. Se os jogos podem nos levar a superar limites, o brincar não pede mais do que podemos dar. Brincar não é competir.

Esta atitude que se aprende no brincar favorece as relações pessoais. Quantas vezes não ouvimos dizer:  se não sabe brincar, não desça pro play. E esta frase é usada no contexto de relações sociais e até mesmo profissionais.

Em qualquer raça, classe social e cultura, o brincar pertence a todos e ninguém pode ser obrigado a brincar. O uso do tempo livre com brincadeiras deve acontecer de forma espontânea.

Este caráter não-competitivo do brincar permite que ninguém possa ser considerado fracassado ou vitorioso. Cada um tem suas características e a brincadeira se utiliza de cada uma delas.

AFLALO, falando do significado do brincar aponta algumas características como:

Brincar sensação: correr, se esconder, procurar o outro, conhecer os próprios limites e conhecer os limites do outro. Neste sentido, ela cita Fernando Pessoa que nos diz:

Criança desconhecida e suja brincando à minha porta,

Não te pergunto se trazes um recado dos símbolos.

Acho-te graça por nunca ter te visto antes,

E naturalmente se pudesses estar limpa eras outra criança.

Nem aqui vinhas.

Brinca na poeira, brinca!

Aprecio a tua presença só com os olhos.

Vale a pena ver uma cousa sempre pela primeira vez que conhecê-la,

 Porque conhecer é como nunca ter visto pela primeira vez,

E nunca ter visto pela primeira vez é só ter ouvido contar.

O modo como esta criança está suja é diferente do modo como as outras estão sujas.

Brinca! Pegando numa pedra que te cabe na mão,

Sabes que te cabe na mão.

Qual a filosofia que chega a uma certeza maior?

Nenhuma, e nenhuma pode vir brincar nunca à minha porta”.

 

Mas o brincar pode ser também imitação: sou princesa, ou príncipe, cantor ou atriz, bom ou malvado, rico ou pobre. Quantas vezes não imitamos aos adultos? Lembro-me uma vez, quando era pequenina, que estava a imitar minha avó, andando atrás dela e quando ela se virou, na minha inocência, fiquei na frente dela e não atrás e ela me pegou e deu uma tremenda bronca.

Em outros tempos ou em sociedades diferentes, o brincar fantasia imitativo das crianças se transforma de maneira mais natural em vida real, isto porque as crianças convivem de forma mais participativa na sociedade que não se estrutura de forma tão fragmentada. Ao menino índio, por exemplo, é dado um arco menor e mais simples para que ele possa, desde cedo, caçar pequenos animais. As crianças aprendem e apreendem tudo o que elas precisam e irão precisar no futuro, na convivência e na proximidade com o adulto, tanto no trabalho como no lazer.” (AFLALO, pg.3)

 

O brincar submissão nos leva a entender que para diversas coisas existem regras:

“Não vale bater na bola com a mão, só com o pé.” “O bispo se movimenta pelo tabuleiro somente na diagonal. ““Aquele que for pego, tem que ficar parado sem se mexer, vira estátua.“ “Quem chegar correndo, ao fim da pista e sem derrubar nenhum obstáculo, é o vencedor.”(AFLALO, pg. 3)

 

No brincar liberdade, a criança decide se continua ou interrompe a brincadeira. Se não estiver gostando é só dar um tchau.

FREUD dizia que

“Toda criança que brinca se comporta como um poeta, pelo fato de criar um mundo só seu, ou, mais exatamente, por transpor as coisas do mundo em que vive para um universo novo em acordo com suas conveniências.”

 

A infância  é entendida como a “idade dos brinquedos”, é nos seus primeiros anos que nos nascem dentes, que começamos a nos relacionar com o mundo externo, mas na maioria das vezes isso é feito mediado por um adulto afetivo, uma mãe, um pai, irmãos, tios ou avós que nos apresentam este mundo que nos cerca.

Infância significa “não falante” … ainda não dominamos a linguagem, mas já sabemos exprimir o que sentimos: prazer, dor, fome e frio.

Qualquer cabo de vassoura pode se transformar num cavalo, qualquer objeto pode virar uma boneca, a natureza está aí para ser observada e isso nos dá prazer.

Num segundo momento, ainda na infância, as crianças vão para a escola…aprender brincando é uma das técnicas. Lembro que meu filho foi para a escola com dez meses.

O primeiro contato com a alfabetização foi sensorial, e antes que isso ocorresse havia todo um ritual que os levava a querer este contato com as letras. Meu filho chegou em casa felicíssimo dizendo: “mãe, as letras chegaram!”

Escrever na areia, acompanhar o formato das letras em moldes de lixa, um processo muito interessante que o cativou completamente. Este brincar ia muito além de um passatempo, na verdade foi parte fundamental em seu processo de aprendizagem.

“Através da brincadeira os pequenos constroem seus processos mentais, desenvolvem habilidades, sentem-se estimulados ao convívio social, conseguem discernir e formar conceitos de tamanho, ordem, cores, espessura e textura. A criança que brinca é convidada a compreender valores e diferenciar papéis dentro da sua cultura”, explica a pedagoga Isabel Cristina de Paula.

 

Neste brincar, as crianças fazem trocas simbólicas e introjetam uma determinada representação de mundo. Estes objetos transmitem a eles conceitos e valores como alegria e colaboração.

O papel do adulto é favorecer a autoconfiança, reforçar laços afetivos e familiares e introduzir este novo serzinho naquilo que será o seu mundo.

Agendas lotadas com cursos de línguas, informática, reforço escolar e esportes tiram o tempo do brincar e criança precisa ter tempo para ser criança.

Muitos anos atrás, eu trabalhava com crianças e adolescentes numa Igreja. O padre pedira que organizássemos as atividades de catequese para um grupo que ia dos quatro aos dezoito anos.

Entendendo que o objetivo deste catequisar deveria mais ser voltado para a introjeção de atitudes do que para a memorização de textos, construímos todo um processo a partir de jogos e brincadeiras e foi uma trajetória muito rica.

Duas crianças amarradas uma na outra e tendo que ir a dois pontos distantes da sala para receber um mimo fazia com que uma puxasse pra um lado e a outra pro outro. Choros e brigas se sucediam pela descoberta – sem que ninguém dissesse nada – de que poderiam ir juntas aos dois pontos… as outras duplas fizeram o mesmo e pudemos nos sentar num grupo sorridente para refletir sobre o porquê de pensarmos primeiro em nós mesmos. Juntos somos mais.

Criar ambientes neutros era outra técnica. Peças de um quebra cabeça distribuído entre eles levava à competição… sua peça se encaixa na minha, me dê que monto aqui… e a disputa estava armada. Num segundo momento, o adulto que coordenava o processo propunha que fizéssemos a montagem em cima de uma determinada mesa e cada um foi trazendo suas peças e contribuindo para que o quadro fosse montado. Nova reflexão sobre colaboração.

Um aprendizado importante foi sobre regras e sua flexibilidade. Lembro-me que combinamos um passeio, o local era próximo e eles até poderiam ter ido sozinhos, mas definimos que iriamos juntos, que havia uma hora para chegar e que cada um deveria trazer algo de comer para ser compartilhado entre todos já que ficaríamos lá muitas horas.

Um dos garotos chegou depois do horário e sem o lanche e os outros não queriam permitir que ele entrasse. Se ele entrar, não brinco com ele e nem deixo ele tomar a coca cola que trouxe, dizia um mais enfezadinho.

Informados que o garoto que se atrasada passava por problemas de violência doméstica naquela noite, propusemos que se abrisse uma exceção e deixássemos ele participar do dia.

O mesmo garoto que havia trazido a coca cola argumentou: “você não sabe o que está pedindo. Quer que eu abra uma exceção para quem bate em mim”. Isso abriu a possibilidade de discutirmos que abrir exceção para favorecer nossos amigos não era mérito nenhum, mas que uma situação como a que estávamos vivendo pedia uma exceção de fato. “OK, respondeu o garoto, você pode tomar minha coca cola, mas vamos logo que temos muito o que brincar e estamos perdendo tempo”.

Eu poderia ficar aqui, durante horas, contando experiências que vivemos. Neste tipo de ações, as crianças percebem suas dificuldades e desenvolvem suas potencialidades e a riqueza é leva-los a colocar isso em comum.

O AMBIENTE DA RUA

As crianças e adolescentes que dizemos estarem em situação de rua são iguaizinhas às crianças e adolescentes que descrevemos acima. Tem as mesmas necessidades, o mesmo potencial e as mesmas fragilidades daquelas que são protegidas do mundo por suas famílias e pelo ambiente em que vivem.

Segundo COVRE,

“Essa condição existe desde o século 16, quando os jesuítas trouxeram de Lisboa crianças que serviam de isca para os pequenos índios. Mais tarde, no século 19, a Lei do Ventre Livre deu liberdade aos filhos de escravas, mas estes não podiam ficar com as mães. Por fim, na segunda metade do século 20 o processo de urbanização das cidades brasileiras agravou a situação e produziu levas de meninas e meninos cada vez mais novos a ocuparem as ruas da cidade.”

 

Quem são as crianças e adolescentes em situação de rua no Brasil?

Pesquisa censitária nacional[1], realizada pelo CONANDA – Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente identificou 23.973 crianças e adolescentes em situação de rua. Dessas, 59,1% dormem na casa de sua família (pais, parentes ou amigos) e trabalham na rua; 23,2% dormem em locais de rua (calçadas, viadutos, praças, rodoviárias, etc.), 2,9% dormem temporariamente em instituições de acolhimento e 14,8% circulam entre esses espaços.

4751 destas crianças e adolescentes estão no estado de São Paulo.

Perfil desta população

Predominam nas ruas crianças e adolescentes do sexo masculino (71,8%).

A faixa etária predominante é entre 12 e 15 anos (45,13%).
Quase metade das crianças e dos adolescentes em situação de rua (49,2%) se declarou parda ou morena e se declararam negros 23,6%, totalizando 72,8%, proporção muito superior à observada no conjunto da população.

A pobreza é um dos principais fatores explicativos da existência de crianças e adolescentes em situação de rua.

 

Situação de rua das crianças e adolescentes

Do universo total das crianças e adolescentes entrevistadas, 13,8% informaram que não se alimentam todos os  dias, sendo que esta situação alcança 28,4% no grupo de crianças e adolescentes que dormem na rua, demonstrando a gravidade das violações relativas ao direito à alimentação.

Embora a maior parte do público entrevistado esteja em idade escolar, não estudam atualmente 38,9% dos que têm entre 6 a 11 anos e 59,4% dos que têm entre 12 e 17 anos. A privação a este direito resulta em prejuízo individual e social.

 

Como estas crianças e adolescentes chegaram a ficar em situação de rua

Entre os principais motivos declarados pelas crianças e adolescentes que dormem na rua para explicar a saída de casa se destacou a violência no ambiente doméstico, com cerca de 70%: brigas verbais com pais e irmãos (32,2%); violência física (30,6%); violência e abuso sexual (8,8%). Isso mostra a importância de investimentos em ações de prevenção, divulgação e sensibilização para a garantia dos direitos da criança e do adolescente sem violência.

A maior parte das crianças e dos adolescentes em situação de rua dorme em residências com suas respectivas famílias e, mesmo entre aqueles que pernoitam nas ruas, 60,5% mantém vínculos familiares.

Mais da metade das crianças e adolescentes em situação de rua (55,5%) avaliou como bom ou muito bom o relacionamento que mantêm com seus pais, ao passo que 21,8% considerou este relacionamento ruim ou péssimo. A relação com os pais é melhor, em maior proporção, no caso de meninos e meninas que moram com suas famílias, mas mesmo entre aqueles que costumam dormir na rua, 22,4% consideraram bom ou muito bom o relacionamento com seus pais.

As crianças e os adolescentes que dormem na casa de suas famílias apresentaram melhores condições de vida, alimentação, escolaridade e saúde. Isto demonstra a importância da convivência familiar e comunitária para a proteção de crianças e adolescentes e a necessidade de políticas públicas que apoiem as famílias em sua função de cuidado e proteção de seus filhos e filhas.

Mais de 65% das crianças e adolescentes exercem algum tipo de atividade remunerada, o que nos permite supor que há por trás dela um ou um grupo de adultos que pode ou não ser a sua família.

Dentre as atividades de trabalho infantil que executam, destacaram-se a venda de produtos de pequeno valor – balas, chocolates, frutas, refrigerantes, sorvetes – (39,4%); o cuidado de automóveis como “flanelinha”, a lavagem de veículos ou limpeza de vidros dos carros em semáforos (19,7%); a separação no lixo de material reciclável (16,6%); e a atividade de engraxate (4,1%). Esses dados demonstram que as crianças e adolescentes em situação de rua, na sua maioria, trabalham para sobreviver. Aproximadamente um terço (29,5%) das crianças e adolescentes costumam pedir dinheiro ou alimentos para sobrevivência.

Em audiência pública, coordenada pela Defensoria de São Paulo, ouviram-se depoimentos como:

“A gente já não tem nada. O rapa da polícia vem e tira tudo.” “A polícia passa avisando que, se a gente não sair de lá, eles voltam para bater em todo mundo.” “São sempre os policias homens que revistam as meninas. Queremos justiça.” “Muitas vezes só dá pra tomar banho na bica. Isso é passar vergonha. Quando é menina, taxista passa buzinando e assobiando.” “A polícia veta até doação de comida para nós.” “Não adianta a gente falar e nada acontecer. A gente já não dorme, porque podemos ser o próximo a morrer.”

 

Reportagem da Rede Peteca sobre a Vila Madalena aponta vendedores de balas e chicletes com idade em torno de oito anos, muitas vezes acompanhados por irmãos ou primos adolescentes. Crianças negras são a maioria, com chinelos de dedo, trabalhando na chuva ou no sol.

Eu ainda não vendi nada. Se eu volto para casa com as balas, em apanho da minha mãe” – diz um garotinho de nove anos, a chorar.

Segundo a OIT, uma das piores formas de trabalho infantil é o comércio ambulante. Esta classificação aponta que ela traz riscos à saúde, ao desenvolvimento e à moral das crianças e dos adolescentes.

Além do trabalho infantil, crianças em situação de rua ficam expostas à violência das ruas, ao consumo de bebidas alcoólicas, à exploração sexual e ao aliciamento pelo tráfico de drogas. Isso sem contarmos os prejuízos pela evasão escolar que impede que tenham um futuro diferente desse que vivem hoje.

O BRINCAR DAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES EM SITUAÇÃO DE RUA

Começamos esta reflexão enfatizando a importância do brincar para o desenvolvimento infanto-juvenil.

Agora queremos cotejar esta primeira reflexão com a realidade das crianças e adolescentes em situação de rua. Como ficam aqueles que não podem brincar?

Já vimos que brincar exige liberdade e está a serviço da formação da identidade, da construção da autonomia, da preservação da memória e da evolução da imaginação.

Qual o espaço de liberdade destas crianças que são enxotadas dos locais aonde estão, que não podem sequer adentrar espaços públicos.

A Pesquisa do CONANDA aponta que 36,8% das crianças e adolescentes entrevistados já foram impedidos de entrar em algum estabelecimento comercial; 31,3% de entrar em transporte coletivo; 27,4% de entrar em bancos; 20,1% de entrar em algum órgão público; 12,9% de receber atendimento na rede de saúde; e 6,5% já foram impedidos de emitir documentos. Ao todo, as situações descritas afetaram metade (50%) dos entrevistados.

Nos valemos de GOFFMAN para pensar na identidade destas crianças e adolescentes em situação de rua?

Temos uma identidade social virtual que é aquela que nos é atribuída pela sociedade. No senso comum, crianças em situação de rua são pequenos marginais, que se drogam e sobrevivem de furtos e roubos. Em alguns momentos, temos pena e damos a eles alguns trocados, mas nossa pena não é suficiente para que queiramos fazer algo por eles.

Estes jovens, como cada um de nós, tem uma identidade projetada que é o reflexo de valores e costumes que introjetamos na infância. Que valores estes jovens trazem de suas casas?

Muitos só conheceram uma vida de fome e miséria e de certa forma chegaram às ruas querendo ajudar suas famílias. Outros, nas ruas desde os primeiros anos, vieram pela mão de irmãos e primos e trazem consigo mesmos o receio de não ser bem-sucedido em levar dinheiro para casa.

A identidade social real remete àqueles atributos que, de fato, se comprova possuir. Viver no grupo, colaborar com os seus semelhantes, ser bom de papo no pedir, pouca coisa mais pode ser apontada como atributo real.

Por fim, a identidade provisória remete aos ambientes em que estou e para cada um deles devo me comportar de uma maneira. Por outro lado, o sonho de descobrir um caminho que me leve para uma outra realidade se alterna com momentos de desânimo, quase depressão, em que luta nenhuma parece valer a pena.

Neste contexto, o brincar ganha ainda maior importância pois estas crianças e adolescentes em situação de rua precisam estabelecer relações sociais em um ambiente que os discrimina e que impõe mudanças de comportamento a partir da violência institucional.

MOTA, que viveu nas ruas e teve suas crianças tomadas e levadas para a FEBEM aponta em uma crônica:

“Crianças de olhos tristes sentadas num grupo de umas vinte. Que silêncio! Não pulam, não gritam, não falam, emudeceram. Senti vontade de perguntar: ‘Moço, Moça, essas criancinhas morreram? Por que tão mudas aí debaixo do arvoredo? Hoje é um lindo dia de sol e essas tantas Goretinhas[2] aí em silêncio!’

Tive dó. No ônibus ainda, tive de escrever; uma coisa me sufocava, correndo, tive de escrever:

Vi um grupo de crianças mortas, mesmo antes de nascer. Lembrei-me das crianças da favela, peraltas e sorridentes, mesmo com todas as amarguras, contentes. E sem medo escrevo: a FEBEM é só um ninho, um ninho dourado, um ninho trocado; tem alimento, e até amor, não duvido, mas o amor que dá vitalidade a esses seres emudecidos, está distante.

Seus pais foram pela miséria impedidos de dar a vida, a vida a elas que já carregam as mágoas sem mesmo saberem o que é mágoa. .FEBEM. Socorro de viver!”

 

O que podemos fazer a esse respeito para restabelecer o brincar sensação, brincar imitação, brincar submissão e brincar liberdade?

Bibliografia

 

AFLALO, Maria Cecília – O significado do brincar, SP, SESC Interlagos, 2001.

MOTA, Maria Elisabete Lima – Poesia da Sarjeta, MIMEO, SP, 1987.

 

[1] A pesquisa foi realizada em 75 cidades do país, abrangendo capitais e municípios com mais de 300 mil habitantes.

[2] Elisabete Mota, viveu nas ruas e tinha 3 filhas que neste momento haviam sido tiradas dela. A mais nova chama-se Gorete.


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