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ACHEGAS FAMILIARES: meu filho Álvaro
agosto 29th, 2017 by Magdalves

A experiência mais significativa de minha vida é ser mãe. Não estou falando apenas do prazer de criar um ser que é uma parte de nós, mas da felicidade de ver desabrochar de uma vida que só trás orgulho e felicidade.

Em setembro deste ano, Álvaro estará indo para Amiens onde fará Mestrado em Artes Plásticas na Universidade Jules Verne.

Quando meu filho nasceu – ele é um filho único e especialíssimo – eu já tinha 24 anos e estava casada há pouco mais que um ano.

Álvaro nasceu na Beneficência Portuguesa, no bairro do Paraíso, por parto induzido. O médico dissera que eu daria a luz na primeira quinzena de maio e como não tinha contrações ainda, no dia 16 procurei o hospital para checar se tudo estava ok.  A enfermeira que me atendeu disse que tudo estava em ordem, e, para provocar o parto, furou a bolsa e me internou no hospital.  Quase 24 horas depois e eu ainda não tinha contrações… a saída foi induzir o parto a partir de uma injeção na veia.

Às 11:30 horas da manhã, eu estava com o meu querido filhinho nos braços. Ele era comprido, 52 centímetros, braços muito longos e cabelos bem pretinhos numa carinha clara que eu jurei, desde o primeiro momento, tinha sardas…

Acho que eu estava adivinhando que ele seria muito parecido com seu pai, que também tinha sardas.  Mãe coruja, pai coruja, vô e vó corujas… todos que se aproximavam ficavam encantados com o meu “rebento”.  E ele foi crescendo em meio de todo esse carinho.

Ele não tinha nem um ano quando o pai dele e eu nos desquitamos.Acho que pode ter sido imaturidade no trato da relação, mas a verdade é que permitimos que as dificuldades nos levassem a isso.

Com a separação, voltei a morar na casa de meus pais e  tive que ir atrás de trabalho – eu havia deixado de trabalhar para ser somente mãe.

Ele teve uma babá muito boa, Isabel, que dividia com minha mãe e comigo o trato da casa e os cuidados com ele.

Quando ele tinha dez meses, foi matriculado em sua primeira escola: Pueri Domus. Em sua turma, ele era o menorzinho e com isso tinha a preferência dos professores e pajens e gostava muito de iniciar sua vida escolar.

Maternal, Integrado I e II e ele estava pronto para uma nova etapa. Em virtude da distância – de perua ele levava muito tempo para ir e vir já que o trajeto é de 7 quilômetros – mudou da Pueri Domus para o Jardim Escola São Paulo onde cursou até a quarta série. Na sequência, Colégio Bandeirantes onde ficou até o final do ensino médio.

Anos mais tarde, quando ele já era adulto, apontou que em sua educação houve uma falha:  não recebeu formação em artes, seja música, sejam artes plásticas… Reconheço que falhei e é muito bom ver que ele conseguiu recuperar este hiato e hoje atua no mundo das artes plásticas.

Quem é meu filho Álvaro?

Desde muito pequeno, Álvaro mostrou que é muito inteligente, mesclando um raciocínio lógico com uma sensibilidade para música e artes plásticas.

Álvaro sempre soube administrar o seu tempo, vivendo sua adolescência e juventude ao mesmo tempo em que apresentava sucesso em sua vida escolar.

Dias atrás, vendo TV, me senti olhada por dentro quando uma psicóloga dizia que os pais sempre tentam levar os filhos a fazerem aquilo que eles não deram conta de fazer em suas juventudes.

Isso me remeteu ao período em que o Álvaro terminava o ensino médio e a minha vontade era que ele fizesse o ITA – Instituto Tecnológico de Aeronáutica. Eu achava que este era um dos melhores cursos, para onde iam os “gênios” e queria garantir para ele esta oportunidade.

Ele reagiu, não concordando com a minha idéia e ainda veio me informar que pretendia interromper os estudos por um ano.

Entrei em desespero e, somente hoje, posso perceber que era medo. Eu parara de estudar ainda no primeiro ano do ensino médio e pude sentir na pele a falta de um diploma universitário que valorizasse meu currículo quando comecei a  enfrentar o mundo do trabalho.

Num meio termo, Álvaro prestou vestibular e entrou na Poli – Universidade Politécnica. Cerca de dois meses após o início das aulas, constatou que não era aquilo que queria para sua vida e informou que interromperia os estudos, voltando à Universidade no final daquele ano.

Teatro, canoagem, escola de circo… Álvaro construiu seu “ano” concretizando o desejo de “dar um tempo nos estudos”.

No ano seguinte (1986), prestou novo vestibular, desta vez na Faculdade de Física – USP, entrou e cursou uma parte ao mesmo tempo em que participava do Curso de Teatro Macunaíma – que permitiu que ele adentrasse uma outra realidade, em muito diferente daquela que até então tinha conhecido.

Álvaro e suas escolhas

Uma coisa que sempre adoro fazer, tomando muito cuidado para não me meter na vida dele, é acompanhar o crescimento intelectual deste filho querido.

Em sua juventude, nos momentos em que quis questionar algumas de suas escolhas, ele me cobrou dizendo que garantira meu direito de decidir minha vida e que eu deveria deixá-lo decidir a dele sem interferências.

Desde o início dos anos 2000, Álvaro vem trilhando seu caminho através das Artes Plásticas. Sua formação acadêmica tem sido nesta área tendo feito sua graduação em Pintura na UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Ao mesmo tempo em que frequentava a UFRJ, realizou Cursos diversos no Canadá. Foi na Université  LAVAL que estudou de 2011 a 2012, tendo aprofundado seu conhecimento em Exposições de Artes e na História de Modos e Técnicas.

Em 2013, participou de programas de intercâmbio entre a Génie de La Bastille, em Paris, e a Chave Mestra, Rio de Janeiro, tendo sido um dos responsáveis pela Bienal de Arte Contemporânea Gènie dês Jardins.

Durante este tempo, apresentou dois trabalhos, (1) Ocupar o Espaço Público com Arte – uma experiência franco-brasileira [2016]; (2) Técnicas Criativas dos Cubistas, Dadistas e Surrealistas [2015].

Dentre suas produções técnicas, destaco Cursos de Arte Contemporânea (2015); Diálogos sobre Arte Contemporânea (2015).

Nas Artes Visuais, apresentou seus trabalhos em (1) Arte de Portas Abertas (2015); (2) Biennal d’Art Contemporaine – Génie dês Jardins (2014); (3) 1ª Bienal de Ocupação Urbana – Chave Mestra (2013); (4) Portes Ouvertes dês Ateliers des Artistes de Belleville (2013); (5) La Vie Errante (2013); (6) Je suis um autre (2013); (7) Vestiges et Impregnations (2012); (8) Je me souviendrais (2012); (9) Institut  EDS – Colloque étudiant (2012); (10) Salão da Primavera (2011).


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