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GESTÃO DE PROJETOS SOCIAIS: recomendações na operação
março 31st, 2017 by Magdalves

Refletir sobre a gestão de projetos sociais, sejam eles voltados para a implementação de políticas sociais, seja para ações de fortalecimento de comunidades sempre tem como finalidade o potencializar a intervenção social a partir de pressupostos como cidadania ativa, justiça social, equidade, ética, participação cidadã, democracia e desenvolvimento sustentável.

Nenhuma ação acontece isolada de um contexto mais amplo e, para atuar como gestor, precisamos nos apropriar deste cenário e não apenas para saber o que ele contém. Temos que ter compromisso com o que ocorre naquela realidade, permitindo que nossa ação se some a tantas ações em transversalidade e que portanto tem matizes diferentes em virtude da orientação de diversas políticas setoriais como educação, habitação, assistência social e cultura.

Levar as pessoas a se envolverem neste processo implica numa postura flexível que tem como parâmetro primeiro o fortalecimento de vínculos sociorrelacionais no território.

Neste espaço público não estatal interagem diversos atores cada um dos quais tem objetivos diferentes, posturas diferentes o que exige uma análise de conjuntura permanente que leve a identificar algumas tipologias dentre as quais salientamos ações clientelistas travestidas em favores e que, na maioria das vezes, querem levar as pessoas a agirem de um determinado modo. Há ainda aquelas ações que, em nome da cidadania propõe um modo de vida que poderíamos chamar de corporativo e que busca a regulação de modos de vida e até mesmo de desejos das pessoas.

Outras ações, identificadas com a ação dos governos buscam enquadrar as pessoas a partir de uma certa burocracia.

Muitos tentam submeter os interesses da sociedade civil àquilo que querem os mercados.

 

A tarefa dos gestores tem como pressupostos a definição clara das “regras do jogo”, ou seja, deve-se definir um conjunto de normas orientadoras – algo como um regimento interno – que nos diga quais são os papéis e as responsabilidades de cada um dos atores.

A partir desta primeira definição, elencam-se prioridades e definem-se tarefas a curto, médio e longo tempos. Este planejar é uma ação coletiva da qual devem participar os mesmos atores que vão desempenhar estas funções para que as ações aconteçam.

Planejar, no entanto, é mais do que uma mera lista de “desejos”.  Há que se analisar cada uma das propostas a partir do contexto vivido, cotejando os prós e os contras e analisando-se sua viabilidade e o tempo, recursos materiais, financeiros e humanos com os quais contamos.

Muitas vezes, este Planejamento implica na constituição de comissões ou grupos de trabalho focadas em tarefas específicas, e sempre há a necessidade de um “grupo executivo”  que acompanhe o todo e preste contas periodicamente ao grupo maior.

A ESCOLHA DAS AÇÕES

São as ações desencadeadas que vão tornar reais as propostas pensadas num primeiro momento e precisamos ter um cuidado no trato com apoiadores para que tenham a clareza de que vamos desenvolver as tarefas assumidas no nosso contato com eles.

Algumas vezes, fazemos contatos que poderiam ser significativos para nossa ação, abrimos caminhos para a implementação de ações mas – quem sabe por não priorizar – deixamos de lado aquilo que deveria ser encaminhado e a ação não acontece.

Quando isso ocorre, há perdas em dois sentidos:  na ação que não vai acontecer e na relação com aquele apoiador que perderá parte da confiança ao ver que tudo não passa de bla-blá-blá.

Natureza das Ações

No planejamento de um projeto social, cada ação requer um tipo de acompanhamento e a primeira questão levantada é qual a sua natureza.

Algumas questões devem ser respondidas quando estamos definindo este “que fazer” e a primeira refere-se ao objetivo desta ação.

Que ação é esta? Esta ação é uma ação-meio ou uma ação fim? Quem são os beneficiários finais dela?

Algumas ações podem ser vistas como “meio” e como “fim” ao mesmo tempo. A montagem de um Centro de Inclusão Social, por exemplo, pressupõe alguns espaços que servirão como atrativo para o público que queremos trazer.

A existência de um acervo bibliográfico, por exemplo, aproxima os curiosos que virão em busca de materiais a serem pesquisados. Neste sentido, ele é uma ação-fim.

Por outro lado, este acervo permite que desenvolvamos atividades como apoio a pesquisas, contação de histórias e outras para as quais o acervo é uma ação meio.

Seja qual for nosso entendimento, a montagem e manutenção de um acervo pressupõe um trato com os materiais – cuidados de manutenção, regras de acesso e outras que exigem uma ação que tem características de ação-fim.

Ainda usando o acervo de livros como exemplo, o  modo como ele é tratado pode atrair ou afastar doadores.

A aparência do acervo é agradável? Dá vontade de ali ficar e manuseá-lo ou a desordem em que estão os materiais torna-os desinteressantes?

As pessoas que doaram materiais receberam um “muito obrigado”? A identificação dos doadores está visibilizada para quem visita o Projeto.

Estas são algumas pequenas coisas que trazem apoios e fazem crescer a proposta.

A agregação de ação

Um Projeto Social sempre tem uma missão clara o que implica saber a quem se destina, o que objetiva e qual o horizonte a longo prazo.

Muitas vezes, projetos novos, tendem a aceitar todo tipo de agregação de ações acreditando que isso favorece a proposta, mas nem sempre é assim.

Um Projeto Social destina-se a um público que não precisa ser único mas que deve ser priorizado em todos os momentos.

Por que isso?  Se meu público é frágil e se faço a maioria das ações voltadas para um público mais amplo, pouco a pouco, vou dissolvendo minha proposta e aquele que deveria ser um público prioritário passa a ser apenas um detalhe, e isso enfraquece a proposta.

Agregações positivas

Algumas ações propostas como “meio” podem ser significativas quando elas trazem com elas apoios que vão ampliar a visibilidade, ajudar a manter a infraestrutura ou agregar ações afins.

É necessário muito cuidado, no entanto, com ações que se propõe a trazer atividades de outra natureza, por exemplo, mas que apontam a captação de recursos como finalidade.

Todas as atividades realizadas devem estar estruturadas a partir de um Planejamento que permita monitorar e avaliar seus resultados.

Pode-se resumir em três, os objetivos que deveriam ser destas atividades: atrair o público alvo, arrecadar recursos, reforçar parcerias. Para cada um deles, há perguntas que precisam ser feitas.

Qual a previsão de público?  Aqui não falamos apenas em número, mas do tipo de pessoas que participação da atividade.  Se era uma atividade voltada para um determinado público e outro público é que foi prioritário, alguma coisa precisaria ser revista nas próximas ações.

Qual o recurso utilizado nesta atividade em termos materiais, financeiros, humanos, etc…?  Quanto vale o uso do espaço – incluindo preparação, mão de obra e equipamentos?  Qual o custo da mão de obra utilizada? As pessoas que trabalharam foram remuneradas adequadamente?

Qual o custo benefício? O que se esperava e qual o resultado real?

Qual a visibilidade que esta atividade trouxe para o Projeto?

Ao planejar a atividade, há que se elaborar planilhas que, analisadas pós-evento nos darão elementos para avaliar se o resultado foi positivo ou não.

A visibilidade das ações

Um desafio para pequenos projetos sociais é sempre a visibilidade que tanto potencializa apoios como a constituição de parcerias.

Ao pensar na comunicação, nosso ponto de partida deve ser a Missão do Projeto Social pois ele é que vai nos dar a direção para definirmos ações e monitorarmos tudo o que é feito.

Ao pensar o que queremos comunicar, precisamos identificar quem é o público para o qual queremos comunicar algo, que objetivo temos com isso e onde está este público. Somente assim poderemos pensar no tipo de comunicação que será mais eficaz.

Um primeiro cuidado, em relação à comunicação, é em relação ao ambiente do Projeto. Uma pessoa que chega ao Projeto deve ser impactado pelo ambiente que lhe dá as primeiras informações.

Além da limpeza e outros cuidados, a maneira como os objetos estão dispostos devem ser agradáveis e é interessante que haja espaços comunicativos – tipo murais – com algumas  informações:

Mural de fotos do que já aconteceu no Projeto

Programação do mês

Principais Resultados dos mini-projetos

Convites para eventos de parceiros

Pode ser interessante a manutenção de um Boletim Mensal com o histórico do que vem sendo desenvolvido para que possa ser distribuído a visitantes. Livros de ouro podem ser atrativos e um registro fidedigno das reações destes mesmos visitantes.

Além de comunicações via facebook e site, precisa-se manter um serviço de contato com a imprensa com fornecimento de releases voltados para a comunicação dos momentos mais significativos.


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