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RELAÇÕES SOCIAIS E SITUAÇÃO DE RUA
fevereiro 28th, 2017 by Magdalves

Toda vez que refletimos sobre Relações Sociais, a primeira ideia que surge é aquilo que sempre nos disseram: homens e mulheres são seres sociais.

Diferentemente do que ocorre com outros animais, o homem e a mulher são seres em relação e é neste relacionar-se que este animal-homem (e mulher) se transforma no ser homem e ser mulher.

O homem/mulher é provido de um mecanismo de adaptação flexível e criativo que conhecemos como inteligência. A sociabilidade dos grupos humanos foi se construindo desde os primórdios da humanidade na medida em que este homem/mulher se percebia frágil para defender-se e alcançar seus desejos sozinho. A partir daí, passou-se a afirmar que a associação é uma tendência natural do homem, quando na verdade a história está repleta de relatos de guerras, lutas entre irmãos, exploração do homem pelo homem, escravidão, colonialismo, etc.. o que comprova que é uma tarefa hercúlea garantir-se um comportamento societário.

Ainda assim, no decorrer dos séculos, em todas as civilizações, em todos os países, há relatos de grupos diversos visando a defesa contra os inimigos e o aperfeiçoamento do indivíduo, à prática das artes, a recreação, a defesa da profissão ou a simples convivência.

Grupos sociais são conjuntos de pessoas que tem entre si relações estáveis e interesses comuns. No geral, pertencer a um grupo social significa estabelecer com ele um sentimento de identidade que  pode se dar ou não através do contato permanente. Dependendo da força desta identidade grupal, posso me sentir parte do grupo ainda que esteja distante fisicamente, como é o caso de famílias que se distanciam geograficamente, mas se mantém unidas por laços que podem se expressar a qualquer momento.

Muitas vezes estes homens e mulheres descobriram possibilidades de como se relacionar com o outro nas atividades lúdicas da infância. Foi assim que foram sendo incorporadas condutas coletivas que, aparentemente, fazem parte da nossa natureza.

Foi neste relacionar-se que desenvolvemos estratégias que vão nos levar a atuar como iguais em algumas circunstâncias e em outras a exercer posições de mando ou obediência. Muitas vezes estes comportamentos foram forjados a partir da “lei do mais forte” que nos mostrou que “manda quem pode e obedece quem tem juízo”.

Neste “marcar posição” tanto nos utilizamos da força física como de argumentos que visam o convencimento e a admiração.

É a partir destes diversos grupos que fazem parte da nossa vida que construímos nossa educação, nossos valores e a visão de mundo que nos permite analisar a realidade e definir a nossa ação política.

A Socialização Primária enquanto Interiorização da Realidade

Segundo Berger (1976[1]:173) , Os indivíduos não nascem membros da sociedade. Eles nascem com uma predisposição para a sociabilidade e tornam-se membro da sociedade.

Esta inserção na sociedade é um processo dialético que tem aspectos  objetivos e subjetivos.  As pessoas exteriorizam seu próprio ser no mundo ao mesmo tempo em que interiorizam a realidade do mundo em que vivem.

É essa interiorização que dá significado ao viver e dá a base para o conhecimento dos nossos semelhantes e da sociedade em geral.

Em linhas gerais, cada indivíduo assume o modo de ser do mundo em que vive que passa a ser o seu próprio mundo. Só depois de assumir esta interiorização é que nos tornamos membros da sociedade.

A Socialização Secundária como processo de inserção no mundo

A socialização secundária introduz este membro já socializado primariamente em novos setores do mundo objetivo da sociedade.

O indivíduo nasce em uma estrutura social objetiva dentro da qual encontra os outros significativos que se encarregam de sua socialização. Tratando-se de uma socialização que ocorre numa “tábua rasa”, sem contrapontos anteriores, esta socialização ganha significado maior do que as demais socializações (secundárias) que vão ocorrer durante a vida.

Pode-se dizer que a socialização secundária é filtrada pelos valores introjetados pela socialização primária.  Importante salientar que a socialização primária acontece em circunstâncias carregadas de emoção e mesmo quando, na fase adulta, o indivíduo percebe que sua infância não foi o que deveria ter sido – minha infância era um inferno em vida, mas eu não percebia, dizem alguns – a força desta socialização molda o modo de ser destes indivíduos.

Segundo Berger (1976:178)

 “receber uma identidade implica na atribuição de um lugar específico no mundo. Assim como esta identidade é subjetivamente aprendida pela criança (“eu sou John Smith”), o mesmo se dá com o mundo para o qual esta identidade aponta. A apropriação subjetiva da identidade e a apropriação subjetiva do mundo social são apenas aspectos diferentes do mesmo processo de interiorização, mediatizado pelos mesmos outros significativos”.

A socialização nunca é total e nem está jamais acabada. Que aspectos da socialização primária se mantém apesar da vivência de outros modos de ser no mundo?

Que situações reforçam o significado das socializações secundárias, ou seja, que mudanças no nosso mundo tem força suficiente para alterar nosso modo de ser?

Na maior parte das sociedades, alguns rituais acompanham a transição da socialização primária para a secundária – diz Berger.

Se para desintegrar a maciça realidade introjetada pela socialização primária são necessários graves choques no curso da vida, é preciso muito menos para desintegrar a realidade interiorizada pela socialização secundária.

Quando um processo provoca uma transformação real da realidade cotidiana do indivíduo é porque ela se constitui numa réplica tão exata possível da socialização primária.

A socialização secundária das pessoas em situação de rua

Berger (1976:208) afirma que “uma vez que a realidade subjetiva nunca é totalmente socializada, não pode ser totalmente transformada por processos sociais”. Existem entretanto casos de transformação que parecem totais quando comparados com modificações menores. O autor chama de alternações a essas transformações e diz que o protótipo histórico da alternação é a conversão religiosa.

O que ocorre quando a transformação de mundo é uma decisão exterior ao indivíduo, e ainda assim não lhe deixa espaço para o contrapor-se?

Segundo Berger, na socialização secundária, o presente é interpretado de modo a manter-se numa relação íntima com o passado, enquanto que na ressocialização/alternação busca-se o reinterpretar o significado dos acontecimentos e pessoas do passado de modo, a refabricá-lo a partir da fantasia.

No caso das pessoas em situação de rua, o distanciamento dos outros significativos que povoaram a infância e mesmo a juventude, muitas vezes, se dá com a intenção de preservação do eu interior.

“Meus pais não merecem me ver chegar desse jeito. Vou primeiro vencer na vida, depois eu volto” – assim se expressava Fernando, uma semana antes de morrer assassinado.

Quais os ritos vividos por alguns indivíduos que os levam a aceitar esta nova socialização secundária que faz deles “pessoas em situação de rua”?

Na situação de rua, podemos entender que esta socialização transformadora constrói uma contradefinição da realidade que não está vinculada aos legitimadores oficiais.

Um dos aspectos que leva a esta transformação é a percepção de que a realidade vivida é inevitável.

Os seres humanos para viver tem necessidades básicas de abrigo, alimentação e vestuário e quando isto não pode ser provido pela remuneração de seu trabalho, leva-os a buscar outros caminhos de garantia de sobrevivência.

Quando Berger (1976:211) explicita este processo de ressocialização, disseca-o em ruptura biográfica, reorganização do linguajar e na necessidade de uma estrutura afetiva de plausibilidade, fala-nos com clareza na necessidade de um aparelho legitimador, dizendo que “o que tem que ser legitimado não é somente a nova realidade, mas as etapas pelas quais é apropriada e mantida, e o abandono no ou repúdio de todas as outras realidades”. No que se refere à alternação sofrida pela população de rua, qual seria este aparelho legitimador? Migrantes ou não, estas pessoas se afastam da família de origem, seja por rejeição, opressão ou busca de sobrevivência. De outro lado, sofrem penúria econômica ,têm precárias condições de moradia e uma vida baseada na insegurança, fruto do desconhecimento quanto ao futuro e da convivência constante com a violência física, a doença e a morte. Essa alternação se constrói, portanto, a partir de perdas sucessivas.

O mecanismo de aceitação do processo de ressocialização é  semelhante ao da banição. Segundo Goffman (1988), ainda que se perceba injustiçado, o banido não questiona o direito da sociedade bani-lo e por isso mesmo entrega-se à essa sentença de exclusão.

A realidade da vida cotidiana corporifica-se em rotinas – semelhante ao que ocorre em situações de institucionalização. A sobrevivência exige que se conheça os caminhos para garantia de um prato de comida, para se abrigar contra o frio e a chuva e isto os leva a vivenciar rotinas que tornem possível o alcance destas necessidades.

A pessoa em situação de rua pode não conhecer ninguém que está no mesmo Abrigo ou se alimentando no mesmo projeto que ele, mas ainda assim aquela multidão de pessoas reafirma a estrutura básica daquele modo de viver.

Autoidentificação como pessoa

Só é possível ao indivíduo manter sua autoidentificação como pessoa de importância em um  meio que confirma esta identidade. A ruptura da conversa significativa com os mediadores das respectivas estruturas de plausibilidade ameaça as realidades subjetivas em questão.

Por outro lado, para conservar a confiança em si mesmo, estas pessoas necessitam da confirmação explícita e carregada de emoção que lhe vem dos outros significantes para ele.

Quando nos aproximamos de pessoas em situação de rua podemos perceber que, entre eles, há pessoas cuja autoestima está destroçada e outras que, pelo menos no discurso, valorizam sua identidade na relação com a sociedade em geral.

Que socialização secundária é a das pessoas em situação de rua?

A alteração do registro temporal das pessoas em situação de rua pode significar que para quem está na rua, o relógio parou. Não mais existe ontem nem existirá amanhã. Vive-se num presente imenso e sem sentido, que bloqueia a lembrança do passado e impede que se tenha esperança no futuro. A reconstrução da identidade a partir de perdas sucessivas é de tal modo rápida e desestruturante que não há como processá-la, que dirá superá-la.

“Quando perde contato com seu próprio passado, as pessoas em situação de rua deixam de ter um ponto de apoio para projetar-se… A vida na rua, muitas  vezes entremeada de momentos de confinamento em instituições não oferece nenhuma possibilidade. Os dias parados sem manhã, tarde ou noite, sem momento de trabalho e de descanso é espaço vazio que impede pessoas em situação de rua de organizar sua dinâmica psicológica interna.” (Moffat : 1984:31).

A data do nascimento, a idade, e o tempo em que se está na rua nada disso é referência. A lógica da rua mantém presente na mente apenas o que é necessário ao sobreviver.

A maioria destas pessoas em situação de rua saiu de casa em virtude da necessidade da busca de campos de trabalho. Nestes casos, a dificuldade em reconhecer que não se conseguiu vencer, o não assumir o “fracasso”, inicia um processo de ruptura biográfica. A falta de moradia, e portanto a ausência de endereço-referência, é uma das justificativas para esse afastamento. · ausência de endereço para receber a resposta, une-se a dificuldade motora para escrever, fruto mais do alcoolismo e da drogadição do que do analfabetismo. A imprecisão do endereço de casa, muitas vezes causa devolução pelo correio. Juntando-se a isso a falta de motivação por nada de bom ter para contar, estende a distância de tempo entre as cartas.

Esta espécie de ruptura biográfica é um processo tenso, pois permanece latente o querer saber de casa. Por outro lado, num mecanismo que vemos como de defesa, há um sublimar da relação familiar. A seletividade da memória permite uma lembrança que maquila as antigas relações, segundo um ideal introjetado. Ao lado disso, num dia-a-dia que exige o adaptar-se a novas condições de vida, ocorre a modificação de hábitos e costumes .

Nas vezes em que, ao conseguir algum dinheiro, as pessoas resolvem retornar à terra natal, geralmente se frustram tal é o fosso gerado por estas duas situações: o modificar-se num novo habitat e o fantasiar do modo de  vida anterior. A mudança de mundo implica também na necessidade de uma estrutura afetiva de plausibilidade que permita a internalização de outros significativos, com força suficiente para modificarem o que estava primariamente introjetado, aliado à segregação em relação à vivência anterior.

No mundo da rua, parece-nos que o processo é inverso. As pessoas são segregadas, isoladas, e ficam sem as mínimas condições de sobrevivência, na medida em que se veem sem ocupação regular, numa sociedade cujo ethos é o trabalho. Como consequência disso, ficam sem moradia, longe da família, e conhecem de perto a violência, tanto individual quanto institucional. O agregar-se a grupos cujas carências são semelhantes, visa facilitar o adequar-se à nova realidade, processo esse que levará à modificação de hábitos, costumes e linguagem.

Meses atrás, num conflito entre pessoas em situação de rua, pude presenciar a reflexão relativa a um recém-chegado que ainda não era tido por todos como um “igual”. Os membros do grupo discutiam a proteção intragrupal que, em nome de uma ética própria, garante cada membro.

Exemplificando o tipo de relação que existe nos grupos, cito uma fala do Gerson:

“Ele é meu irmão. Não porque nascemos da mesma mãe, mas porque já ficamos sem comer juntos, já dividimos comida, já puxamos carroça, já dormimos no mesmo lugar.

A autoestima somente consegue se manter na medida em que se tem clareza de que a assimetria entre a identidade socialmente atribuída e a subjacente real são injustamente vistas pela sociedade maior como desigualdade. Este perceber permite um valorizar da autoidentificação invisível que é a interna ao grupo, e uma fuga no considerar a imagem externa. Cada companheiro que adoece ocasiona todo um discutir do grupo. A vontade de visita-lo, acompanha-lo e saber o que se passa, deixa à mostra a necessidade da manutenção de laços afetivos. Na morte, todo o empenho no garantir um ritual adequado e o não deixar enterrar como indigente.

A relação interna entre pessoas em situação de rua

Para refletir sobre a relação entre pessoas, precisamos diferenciar relações interpessoais e intrapessoais.

Relações interpessoais são relações entre duas ou mais pessoas e isso ocorre em diversos ambientes como família, escola, trabalho e comunidade. Em todos estes ambientes há que se buscar o equilíbrio que, ao mesmo tempo em que preserva a intimidade e a privacidade, permita que a pessoa se envolva com seus parceiros constituindo equipes voltadas para as mesmas finalidades.

Este tipo de relação, geralmente, tem normas comportamentais estabelecidas que potencializam sentimentos positivos como  amor, compaixão e amizade.

Já a relação intrapessoal é a relação da pessoa com seus próprios sentimentos e emoções e é quem dá bases para a auto afirmação, a auto motivação, o auto domínio e o auto conhecimento.

Para alcançar o equilíbrio nas relações interpessoais, há que haver um diálogo interno entre as “exigências” de individualismo e aquelas voltadas para alimentar a interação com o outro.

Especialistas apontam que esta construção se dá em etapas: a etapa biológica, que está referida ao grau de desenvolvimento  do organismo; a psicológica que aponta o grau de desenvolvimento da mente e a sociológica que é uma construção social e portanto cunhada a partir do ambiente em que se vive.

A individualidade é moldada, configurada,  pela sociedade e leva os indivíduos a ponderarem o que querem filtrando-o a partir do que está posto como o que devo ou não fazer.

Pessoas em situação de rua também tem suas individualidades que, em momentos anteriores de sua vida foram moldadas levando-os a serem membros daquela primeira comunidade (a família).

Quando estas pessoas entram num ambiente diferenciado, a maior parte das vezes, hostil, elas precisam se readequar a este novo modo de viver no mundo, e nem sempre isso é simples.

Conversando com pessoas em situação de rua pude perceber que a característica mais valorizada na relação entre eles é a confiança tanto no que se refere ao discurso como a ações.

Posso dormir despreocupado ao lado dele que sei que não serei roubado durante o sono”.  “Com ele posso deixar minha carteira durante dias que nada vai desaparecer”.(diversos depoimentos).

E as pessoas se unem a seus iguais para garantir o descanso.

Por outro lado, alguns deles disseram que descobriram as possibilidades de abrigo e o acesso a alimentação a partir da informação de outras pessoas em situação de rua com os quais se encontraram em diversas ocasiões.

Como em todos os ambientes onde encontramos pessoas, dentre a poprua temos pessoas com características diferenciadas no que se refere a liderança e a seguir o que os outros apontam.

Relações entre pessoas em situação de rua

É apenas a partir do início do século XX que as pessoas em situação de rua começam a manifestar seu modo de ser de forma mais coletiva.  Até então, a maioria delas tinha receio de apresentar-se em grupos em virtude da repressão policial que era muito intensa.

Um trabalho de organização que começou a ser feito em São Paulo na década de 70 começa a enfrentar esta dificuldade quando se reafirma que Sofredores de rua são um povo que quer viver[2].

É a partir deste embrião de organização que começam a despontar lideranças cunhadas entre as pessoas em situação de rua.  A coragem de enfrentar opositores, que  muitas vezes gerava punições, era valorizada a “boca pequena”.

A partir da Constituição de 1988, reforça-se esta reação de pessoas em situação de rua na medida em que se veem respaldados já que aquela carta constitucional aponta a “garantia de direitos” para todos.

Seguindo o processo que já ocorrera com Catadores de Material Reciclável, a partir de 2005, as pessoas em situação de rua começam a se organizar enquanto Movimento Social. Em apenas dez anos, o MNPR – Movimento Nacional da População de Rua surge e se consolida em quase todos os estados, garantindo um outro status na discussão das demandas da Poprua.

Como em todos os outros Movimentos Sociais, as lideranças surgidas neste MNPR apresentam posições diferenciadas em relação à leitura que fazem da realidade e dos caminhos de conquista de direitos.

Considerações Finais

Grupos de pessoas em situação de rua, muitas vezes, vivem situações limite e é nestes momentos que se sobressaem pessoas que tomam a frente na busca de uma defesa para o grupo.

Uma pessoa que demonstra coragem nas situações de ameaça geralmente passam a ser vistas pelo grupo como lideranças o que lhes dá um papel diferenciado onde tudo o que diz é acatado.

As situações vividas nem sempre caminham como se espera. Lembro-me de uma ocasião em que a Polícia Militar chegou até um grupo de rua e, aleatoriamente, escolheu uma pessoa e levou-a presa.

Intimidado, o grupo não reagiu de imediato, mas, após a saída da PM acionou um advogado que vinha fazendo um trabalho com eles. O advogado buscou informações, e como de fato não havia motivos para aquela prisão, trouxe o rapaz de volta.

Todos no grupo ficaram muito contentes e, mais do que isso, ficaram “valentes” – “com a gente é assim, se mexer conosco, nosso advogado vai lá e resolve tudo, a PM vai ter que nos respeitar”.

Dias depois, numa situação semelhante, um deles resolveu enfrentar a PM, foi levado para longe do grupo e apanhou muito. Uma e outra situação serviram de lição para o comportamento futuro.

Estas lideranças ampliam sua força de ação quando há mecanismos reforçadores.  Isso leva a uma volatilidade destas lideranças que gera uma dificuldade em lidar com o sentimento que a acompanha.

Quando me sinto valorizado pelo grupo, vou me colocando quase como uma autoridade e posso com esse comportamento me afastar do grupo ou, até mesmo, perder os adeptos que tinha.

Muitas vezes, ao perder espaço as pessoas reagem e buscam enfrentar não apenas as divergências mas as pessoas que delas discorda.

Na maioria das vezes em que ocorrem estas  divergências entre pessoas em situação de rua estas diferenças são “resolvidas” a partir da força bruta. Não são raros os relatos de “brigas” nas quais uma ou mais pessoas saem feridas e esse comportamento assusta que não convive cotidianamente com eles.

Importante salientar que, para quem está em situação de rua, a ênfase é o momento presente e não a construção do futuro. As pessoas reagem ao que sentem naquele momento, ainda que se arrependam depois do fato passado.

 

[1] BERGER, Peter I. e outros – A CONSTRUÇÃO SOCIAL DA REALIDADE, RJ, Vozes, 1976.

[2] A nomenclatura usada, então – sofredores de rua – foi cunhada pela OAF – Organização de Auxilio Fraterno, a partir da imagem do Servo sofredor. Começa-se, então, a levar estas pessoas a se reunirem para discutir seu cotidiano e pensar estratégias de defesa em virtude da discriminação sofrida.


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