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NATAL DENTRO DE NÓS
dezembro 14th, 2016 by Magdalves

Mais uma vez, é Natal e lá vamos nós refletir sobre o que isso significa para fora e para dentro de cada um.

O Brasil não está em clima de Natal. Temos muitos problemas nos meios políticos que se refletem em medidas duras que “massacram” a população que já estava em uma situação difícil.

Desemprego, diminuição das ações de suporte às famílias, descaso com os velhos e com crianças e adolescentes e nos aproximamos cada dia mais da barbárie.

Nem a Mídia consegue mais esconder o que se passa. Os políticos tem a cara de pau de dizer “para nós tudo”, para esse “povinho” nada, e faz isso mudando leis e dizendo-se legalista.

Como o dinheiro não está circulando, as vendas de Natal estão pífias. Os comerciantes que, nesta época, contratavam trabalhadores temporários para dar conta de uma demanda festiva, se retraem e pensam duas vezes antes de tomar essa decisão.

É a treva! Dizem alguns. Precisamos resistir dizem aqueles que, desde o início deste processo de mudança apontavam que estávamos no caminho errado. Queremos mudanças, dizem aqueles que até então haviam apoiado este estado de coisas. Quando a bruxa está solta, descobrimos que todo esse saco de maldades também afeta a nossa vidinha.

E, agora, o que fazer?

Na década de 1990, quando a Ação da Cidadania contra a fome, a Miséria e pela Vida sucedeu o Movimento pela Ética na Política, o saudoso Betinho alertava que não poderíamos continuar a conviver com 32 milhões de brasileiros que passavam fome.

A sociedade brasileira reagiu e a situação  melhorou um pouquinho, mas não o suficiente para que pudéssemos dizer que este problema fora resolvido.

Tem um vídeo, produzido naquela ocasião, em que uma mulher nos diz o que é fome. Você comeu, ontem? Pergunta um repórter. E a resposta é não! E, hoje, insiste ele. Tomei um caldinho, explica ela.

Para muitos de nós esta é uma realidade que desconhecemos. Nossa fome é o atraso em 30 minutos para começar as refeições. É a dieta recomendada pelos médicos que nos faz apertarmos o cinto. Mas não ter o que comer? Não, isso a gente não sabe o que é.

No auge da Campanha do Betinho, foi lançado o Natal sem Fome. Batalhamos muito para que, ao menos naquele momento houvesse alimento no prato das famílias. Um dos slogans dizia: fome, não dá pra esquecer.

Mas o que queremos, o tempo todo e mais ainda no Natal, é mais do que isso. Queremos trabalho para garantir a sobrevivência das famílias, brinquedos e um não ao trabalho infantil para nossas crianças e um ambiente de solidariedade que nos lembre que o outro é importante para nós.

A maior lição que o tempo de Natal trás para cada um de nós é a partilha. “Se tenho um pãozinho, parto no meio, pois é assim que eu vejo a vida” – dizia Cinira que viveu muito anos nas ruas de São Paulo.

Quantas vezes, a gente presencia ações de solidariedade como essa  e não registra, não toma conhecimento, não valoriza o gesto e o sentimento que está por trás.

Anos atrás, quando minha mãe era viva e trabalhava na secretaria de uma Igreja, chegou em casa contando um fato que a emocionara muito. Ela estava atendendo dois homens que pediam peças de roupa. Um deles, pedia uma calça porque a sua estava rasgada. O outro precisava de uma camisa. Aquele que pedia a calça perguntou a ela se poderia usar o banheiro. Entrou lá e voltou com uma camiseta nas mãos e disse ao outro. Eu estava com duas camisas. Fique com esta.

 

Natal Solidário da População de Rua

Por conta de um trabalho que venho fazendo no Centro de Inclusão Social pela Arte, Cultura, Educação e Trabalho – CISARTE cujo foco são pessoas em situação de rua, estou acompanhando a organização do Natal Solidário que o Movimento da População de Rua realiza há 12 anos.

Este evento mobiliza mais de mil pessoas que se reúnem e celebram o Natal. Muitos deles dizem que é muito triste estar longe da família em datas como esta. As lembranças da infância, a memória da casa dos pais trazem uma nostalgia que pede carinho.

Natal como tempo de escuta

Quero fazer uma reflexão aqui do Natal como tempo de escuta. Dias atrás, por conta de um Projeto no qual estou envolvida, estive conversando com algumas pessoas sobre seu futuro.

O que cada um deles espera para si? O que estão dispostos a fazer em busca deste objetivo? Qual deveria ser o suporte que poderíamos dar para tentar apoiá-los na concretização desse desejo?

Um deles, cuja família está em outro estado, sente muita saudade das filhas pequeninas… o que poderia ser feito para que ele se fizesse presente nas vidas delas mesmo a distância e como diminuir essa saudade?

Profissionalmente, este mesmo rapaz, gostaria de ser psicólogo, e busca se preparar para enfrentar o ENEM e o vestibular enquanto desenvolve tarefas que lhe garantem a sobrevivência.

Um outro, está muito empenhado em estudar, também para enfrentar o ENEM pois sonha ser médico, e mais, quer ser geriatra para cuidar dos pais que já são velhinhos e que também estão em outro estado.

Quem não tem registro de escolaridade, ainda que tenha vivência e maturidade, se empenha nos Cursos para Alfabetização de Adultos e é uma festa quando alcançam cada patamar. O sonho é o mesmo: o ENEM.

Dificuldades em conseguir retornar ao Mercado de Trabalho atormentam um outro que tem 25 anos de trabalho em Banco… dizem que estou velho para voltar ao Mercado, mas precisaria trabalhar mais 10 anos para completar os 35 que permitem a aposentadoria.

Profissionais maduros e com passados profissionais consistentes apontam desafios para a Política para População de Rua.  Os passos necessários envolvem moradia, qualificação e suporte para que acessem o Mercado de Trabalho.

Desejo um feliz natal a todos vocês e que, em 2017, nossas mentes e corações se abram para estas necessidades para que possamos construir caminhos para que muitas destas pessoas alcancem seus sonhos.

2017 acena para todos nós como um ano em que teremos dificuldades de toda ordem, mas o mais importante é encontrar-nos coesos e dispostos a lutar na manutenção dos direitos já conquistados e no alcance de novos. Nenhum direito a menos é um slogan no qual acredito.

Continuemos na luta!


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