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HABITAÇÃO: A DISCRIMINAÇÃO IMPEDINDO A VIDA
agosto 6th, 2012 by Magdalves


                           A situação habitacional, na cidade de São Paulo, é bastante grave: 67% dos habitantes da cidade mora mal e irregularmente em relação à Lei de Habitação. São 7.700.000 as pessoas nestas situação: 1.000.000 de favelados, 2400.000 em loteamentos clandestinos e 3.300.000 em cortiço.

                        A dificuldade no morar leva as pessoas a se juntar e buscarem se organizar para pleitear moradia. Em São Paulo, nasceu um Movimento de Moradia que reúne pessoas moradoras em cortiços localizados nos sete bairros centrais da cidade, além de catadores papel e papelão que trabalham no centro da cidade. Eles se organizam para lutar por moradia e moradia digna.

Depois de três anos, conseguiram a primeira conquista: a compra pela Prefeitura de um terreno para a construção de habitações populares. Cada uma daquelas famílias se compromete a abrir mão dos seus finais de semana, que seria um tempo de descanso, para a construção de apartamentos em mutirão.

A primeira tarefa:limpar e murar o terreno que abrigaria o sonho da casa própria foi realizado nos dias 5e 6 de dezembro.

No dia seguinte, a surpresa da agressão gratuita, do vandalismo: pessoas, numa atitude preconceituosa e discriminatória derrubaram o muro, quebraram o portão e a placa que identificava a propriedade  como sendo do Poder Público Municipal.

Um morador da vizinhança, apresentando-se como um dos responsáveis pelo vandalismo, acusou-os de vagabundos dizendo que não permitiriam encortiçados morando lá.

Uma postura pseudo-burguesa que, em nome de um conservadorismo exclui,agride e destrói.

Por que este tipo de coisa ocorre ?

O problema habitacional, em São Paulo, surge no início o século. Com a indústria mais e mais pessoas se mudam para a capita de São Paul e os operários já não conseguem ter suas casas próprias. Surgem as moradias de aluguem, as vilas e os cortiços.

O centro do problema habitacional  a concentração do dinheiro na mão de poucos e a maioria  da população com salários cada vez mais reprimidos.

A opção do trabalhador é mora em lugares cada vez mais baratos. A busca do morar, unida à falta e dinheiro, gera alternativas como os cortiços.

Tudo o que é privado na casa burguesa é coletivo no cortiço.  A diferença no morar transforma-se em desigualdade, gerando preconceito.

Como resultado da concepção burguesa de morar, passa a ser vergonhoso e marginal morar em cortiço.

Como cada um de nós, estas pessoas procuram morar e morar no centro da cidade porque seus trabalhos são no centro, as escolas de seus filhos também ficam no centro…e a condução é cada dia mais cara…

Os moradores daquele bairro são trabalhadores como trabalhadores são os que batalham e lutam pelo Direito de morar. O preconceito, no entanto, não permite perceber ta semelhança que deveria unir pessoas com necessidades iguais.

Como podemos levar as pessoas  a se olharem de frente e se verem por inteiro e não através de preconceitos que geram medo, desconfiança e este tipo de agressão ?



[1] Assistente Social e mestranda na PUC-SP, participa do Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos e é Secretária Executiva do Movimento Nacional de Direitos Humanos – Região Sul 1. É membro do Instituto Civitas de Desenvolvimento Político e Social.

Texto elaborado em 2008.


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