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REDES SOCIAIS COMO CENÁRIO DA POLÍTICA SOCIAL
outubro 15th, 2014 by Magdalves

No nosso cotidiano, fazemos contato com diversas realidades que se apresentam como sendo redes.

Além das redes que integram estabelecimentos gerenciados por uma unidade central, é muito comum, nos dias de hoje, encontrarmos negócios organizados a partir de “franquias”.  A partir de um contrato entre franqueador e franqueado, estes negócios fazem a distribuição de produtos e serviços, sendo legitimados pelo uso do “nome” do negócio do franqueador. Nos dias atuais, as “redes”  buscam legitimação através de fluxos ativos de informação e interação.

O conceito tradicional de rede é  “Cadeia de serviços similares, subordinados em geral a uma organização-mãe que exerce a gestão de forma centralizada e hierárquica”.

Até 1970, o conceito de rede ainda não era moda na sociologia americana, ainda que estivessem dadas todas as condições para isso. Havia uma tradição viva de pesquisa experimental com pequenos grupos e com as formas de comunicação existentes entre eles.

Atualmente, o conceito de rede tem sido usado em vários tipos de estudos empíricos, e as definições e as ênfases variam consideravelmente de um estudo para outro.

Com os avanços na tecnologia da informática e da telecomunicação, temos hoje um alcance enorme nas ações realizadas em rede por atores que se comunicam via internet.

MAS, O QUE SÃO MESMO ESTAS REDES?

Segundo o dicionário Aurélio Buarque de Hollanda, rede é palavra derivada do latim [rete], significando  entrelaçamento de fios, cordas, cordéis, arames, com aberturas regulares fixadas por malhas formando uma espécie de tecido.

Rede também pode significar cilada, armadilha, referindo-se a pesca e caça, ou proteção e sustentação (podendo dividir espaços) ou pode referir-se a cuidados pessoais como as redes de cabelos.

Em um outro sentido, redes são mecanismos que garantem fluxos ou circulação como as redes de comunicação, transporte, água, esgoto, telecomunicações.

A antropologia, a sociologia e a geografia também utilizam o termo rede para significar (1) formas de interação entre indivíduos (redes primárias, antropologia); (2) múltiplas relações tecidas a partir de grupos ou associações coletivas (redes sociais, sociologia); ou (3) os níveis de interdependência e fluxos entre cidades (geografia, redes urbanas).

Ao pensar nas Redes disponibilizadas pela internet, podemos observar algumas situações que parecem apontar para mudanças no protagonismo das pessoas quando  estão interconectadas.

Um artigo na Revista Veja, publicado em 2010, cita a fala de Weiss que, na década de 70, compara dois tipos de solidão, apontando que “a solidão emocional é o sentimento de vazio e inquietação causado pela falta de relacionamentos profundos. A solidão social é o sentimento de tédio e marginalidade causado pela falta de amizades ou de um sentimento de pertencer a uma comunidade”.

Estas pessoas interconectadas estabelecem vários tipos de relação,podendo partilhar valores e objetivos comuns ou apenas aproveitar aquele espaço para expressar seus pontos de vista publicamente.

ESTUDOS SOBRE REDES

Os primeiros estudos sobre rede aconteceram na década de 40, e foram ancorados na observação de relações de parentesco, seguindo-se a análise de relações com parentes e vizinhos. Há poucos estudos sobre as relações de amizade.

Estudiosos norte-americanos apontavam as redes como feixes de interação, onde interesses eram compartilhados, podendo-se identificar objetivos culturais e de poder e influência. Nesta leitura,as redes partem dos interesses e não das pessoas em si.

Estudiosos ingleses apontam as redes como conjuntos de ações onde devem ser observadas as situações de campo. Nesta ótica, há que se considerar a complexidade da sociedade, podendo-se entender as redes como conjuntos interpessoais suplementares.

Ainda que houvesse um consenso de que as redes existem em todas as sociedades, é apenas na década de 70 que começa-se a entender nestas redes a partir de novas abordagens.

Estas novas abordagens configuram-se em movimentos sociais onde atores coletivos se envolvem em processos de transformação social.

Na década de 90, ganham visibilidade estruturas informais que articulam atores e estabelecem fortes ligações entre eles. Coordenações e comissões formais começam a reagrupar organismos e instituições envolvidas na efetivação das políticas.

O espaço da rede possibilita a criação de diálogos abertos com públicos muito amplos, sendo seus limites dados através da identificação com os assuntos que estão sendo veiculados.  A “seleção” deste público ocorre a partir da expectativa, da confiança e do posicionamento ideológico e político de quem posta suas opiniões.

Este primeiro passo para troca de experiências impacta as políticas sociais que são levadas a se redefinir, recompondo seu papel e passando a atentar efetivamente para a necessidade de diálogo com as coletividades.

DE QUE TIPO DE REDE ESTAMOS FALANDO?

Ainda que reúnam uma motivação comum, estas Redes Sociais podem se manifestar de diversas formas. Os estudos sobre redes as classificam como espontâneas, de serviços públicos institucionais e as sociocomunitárias.

Redes Espontâneas são aquelas onde as relações são primárias, face a face como as filas, a vizinhança, o quarteirão e a comunidade.

Este tipo de relação vai constituindo aquilo que chamamos de local e que é nosso ponto de partida para entendimento de tudo aquilo que é global.

Paulo Freire, em seu livro À Sombra desta Mangueira, aponta em um trecho:

O Brasil, na forma como existe para mim, dificilmente existiria sem meu quintal, a que se juntaram ruas, bairros, cidades.[…] Antes de tornar-me um cidadão do mundo, fui e sou um cidadão do Recife, a que cheguei a partir de meu quintal, no bairro da Casa Amarela.”(Freire,1995:25)

Algumas pessoas falam da impessoalidade de espaços como o centro da cidade de São Paulo, onde vivo há mais de 50 anos. Esta aparência impessoal é absolutamente ilusória, pois quando nos aproximamos daquele “pedaço” onde vivemos ou trabalhamos, deixamos de ser um “ninguém” na medida em que somos conhecidos pela vizinhança, pelos trabalhadores dos estabelecimentos que frequentamos e isso vai dando personalidade a este local.

Redes de Serviços Públicos Institucionais são aquelas que garantem direitos adquiridos em lei como creche, atendimento de saúde, escola, etc..

Redes sócio-comunitárias são aquelas estabelecidas em bairros ou cidades visando reunir os interesses comuns destes habitantes, num horizonte de melhoria da situação vivenciada e ampliação de benefícios. Muitas delas articulam organizações de bairro, na maioria das vezes prestando serviços à população.

Existem ainda outras formas de rede como:

Redes de serviços privados que são aquelas que se estruturam a partir do mercado para a prestação de serviços mercantis.

Redes Sociais movimentalistasnascem da comunidade e da sociedade civil, e instituem novas demandas sociais, sendo mais conhecidas como Movimentos.

Dentre estas Redes, salientamos aquelas voltadas para a atenção e prevenção que são estruturas informais que articulam atores que estabelecem forte ligação entre si. Muitas vezes, estas redes agregam várias organizações em torno de um interesse comum.

Os atuais movimentos sociais impactam no social com o desenvolvimento de redes informatizadas que criam uma realidade virtual constituindo um novo tipo de imaginário coletivo e uma diferente concepção do espaço-tempo.

Uma outra forma de rede, conhecida como networking, são as redes profissionais: linkedin e Google + são as mais conhecidas entre nós.

Algumas redes tem como finalidade fortalecer as demais redes… Elas são conhecidas como Redes de Relacionamento. Facebook e Twitter são algumas delas.  Cada pessoa pode fazer um uso deste tipo de rede. Estas redes sociais que citamos são públicas, mas existem Redes Privadas ou mesmo estágios privados de Redes que num segundo momento se tornarão públicas.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O trabalho em rede é aquele que tem por foco as interações vividas pelos indivíduos em seus espaços de comunicação, troca e/ou ajuda mútua. Na ótica que interessa às Políticas sociais, estes espaços emergem a partir de interesses compartilhados e/ou por situações vivenciadas (grupos ou localidades).

Segundo BOTT, na formação da rede somente alguns – e não todos os indivíduos – tem relações sociais uns com os outros. As unidades componenciais externas não formam um todo social mais abrangente, não estão cercadas por uma fronteira comum. A autora fala na variação de “conexidade” dessas redes, definindo conexidade como a extensão em que as pessoas conhecidas por uma famílias se conhecem e se encontram umas com as outras, independentemente da família.

Tais relações podem se dar como “malhas estreitas” e como “malhas frouxas”. Chama de estreita a malha da rede na qual existem muitas relações entre as unidades, e frouxa aquela na qual existem poucos relacionamentos desse tipo.

Na análise que faz, da vida familiar, aponta que o grau de segregação no relacionamento de papel entre marido e a esposa varia diretamente com a conexidade da rede social da família.

Quando muitas das pessoas se conhecem (estreita) os membros desta rede tendem a alcançar consenso para que se conformem às normas. Aponta que as rede de parentes da mulher estão mais propensas a serem de malha estreita do que a rede de amigos pertencentes ao marido. Entre estas redes, a autora fala em redes médias e transicionais (redes em mudança). Dentre os fatores que afetam a conexidade, a autora aponta os vínculos econômicos, o tipo de vizinhança, a oportunidade de fazer relacionamentos fora da rede, a mobilidade física e social e as características de personalidade.

O USO DAS REDES NA GESTÃO PÚBLICA

Nos tempos atuais, a Gestão Pública vem reconhecendo a necessidade de descentralizar as atividades sem perder o controle e o sentido das ações implementadas.

De um lado, temos a necessidade da gestão vertical que deve ser preocupação de cada política setorial, e de outro a necessidade da gestão horizontal já que os sujeitos destas políticas são os mesmos nas várias ações setoriais.

Um dos maiores desafios é compatibilizar as diretrizes macro com as características de cada um destes territórios e isso somente pode ser feito se houver um trabalho em rede, envolvendo técnicos das diversas políticas (agentes públicos ou de ONGs) e dando voz à população à qual estas ações se destinam.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BOTT, Elizabeth – FAMÍLIA E REDE SOCIAL, SP, Francisco Alves, 1971, 2ª. edição.

FREIRE, Paulo – À SOMBRA DESTA MANGUEIRA,Ed. Olho D’Água, SP, 1995.


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