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DRAGÃO DO DESEMPREGO
agosto 5th, 2012 by Magdalves

Num país com 20 milhões de subtrabalhadores, e este dado é o  apontado pelo IBGE na últimas emana, as estratégias de enfrentamento à fome e à miséria perpassam necessariamente a análise do emprego e desemprego.

Segundo o IBGE, os dados são alarmantes:

  • Das 64 milhões de pessoas que compõem a PEA (população economicamente ativa), 40 milhões tem emprego assalariado, sendo que 14 milhões é o número dos sem carteira assinada;
  • 35 milhões trabalham sem direitos à previdência, inclusive os autônomos (por conta própria) e os assalariados sem registro. Dentre eles, 18 milhões gostariam de emprego com carteira assinada;
  • 12 milhões ganham menos de um salário mínimo, desses 8 milhões trabalham mais de 40 horas semanais;
  • 2 milhões de crianças, entre 10 e 13 anos, trabalham, o que corresponde a 14% das crianças dessa idade.

No ano de 1993, a AÇÃO DA CIDADANIA realizou atividades de arrecadação e distribuição de alimentos, considerados emergentes, mas em 1994 entra com força total no ataque de frente ao dragão do desemprego e subemprego.

Precisamos de 9 milhões de empregos já e empregos que permitam ao trabalhador pagar comida, dormida, vestuário e moradia.

A grande questão é identificar quem gera empregos. Nas discussões, em torno do assunto, conclui-se que nem o estado, nem o empresariado sozinho tem condições de resolver um problema tão grande.

A saída apontada é a união do Estado, do Empresariado e de toda a sociedade civil. Os beneficiários, sem dúvida, serão os desempregados, subempregados e homens de rua.

Há um conjunto de medidas que precisamos concretizar e que podem ser resumidas em dois pontos:

  • Estabilização dos valores relativos (preços, salários e tributos), possibilitando no menor prazo  o  crescimento da economia com a retomada de capital público e privado e a recuperação dos salários reais;
  • Expansão da ocupação, sob forma de emprego assalariado, autoemprego e produção associada.

Mas, quem são os parceiros nas ações que caminham nessa direção? E o que deve ser feito?

Apontamos algumas propostas que tem sido alinhavadas:

  • Redução da jornada de trabalho sem redução de salários;
  • Combate ao abuso de horas extras pelas empresas e fim da dispensa imotivada;
  • Investimento público  orientado para setores que absorvem grandes contingentes de mão de obra;
  • Política de formação profissional adequada às novas exigências de mercado e com participação da representação sindical;
  • Reforma agrária acompanhada de uma política agrícola orientada a financiar pequenos e medos produtores;
  • Política econômica orientada para a retomada do crescimento com distribuição de renda;
  • Incentivo aos grupos populares que realizam projetos alternativos de geração  de trabalho e renda;
  • Priorizar, nos orçamentos públicos, a geração de empregos.

Está colocado o desafio. A realidade nos impõe agir para modificar as estatísticas de miséria e desemprego e tornar  real a possibilidade de construir um país de cidadãos que vivem com a dignidade a que tem direito. Direito à vida plena!

 

Artigo publicado em 1994 (abril-maio) na revista Juventude Trabalhadora. Na ocasião, a autora era do Comitê da Ação da Cidadania contra a fome, a Miséria e pela Vida.


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