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ADEUS ANO VELHO! RECEIOS DE ANO NOVO
dezembro 30th, 2018 by Magdalves

 

Entra ano, sai ano e a gente continua com mais sonhos do que conquistas, mais luta do que vitórias, mas ainda bem que a coragem nos acompanha.

2018 se despede, sem promessas de que o ano que chega traga melhorias ao nosso país que fez uma opção complicada nas últimas eleições.

Ontem, na TV, Jair Bolsonaro dizia que a garantia da nossa democracia está nas forças armadas… e não posso concordar com isso.

Democracia é um regime político onde o poder é exercido pelo povo. Cada cidadão deve conhecer seus direitos e deveres, lutar por eles e alcançar a vida plena.

No Brasil, a Democracia começou a ser exercida no século XX, após um período de Ditadura que fez muitos mortos e que até hoje tem desaparecidos sobre os quais não se tem notícia.

A Ditadura de 64 me ensinou o que é medo. Ainda que a situação do país faça aflorar o espírito agressivo de muitas pessoas, eu ainda tenho mais medo das nossas “autoridades armadas” do que dos bandidos que buscam nos atacar.

Realidade Brasileira

Faz quase 50 anos que venho acompanhando os reflexos da tremenda desigualdade de renda que coloca o  Brasil num ranking vergonhoso. Até aquela época, eu vivia num mundinho cor de rosa, numa realidade de classe média que permitia que não precisasse trabalhar, onde podia estudar, ter férias, fazer passeios e curtir a vida como se tudo me fosse destinado.

Lembro-me de um amigo de infância, que reencontrei anos depois e que rememorava nossas folias na piscina, as partidas de tênis, os passeios a cavalo, as caminhadas por lugares novos no interior, as tardes no Jockey, os bailes de sábado a noite e a ausência de preocupação com a sobrevivência.

Na década de 70, em plena Ditadura, comecei a expandir meus horizontes e conheci um outro Brasil. A pobreza, a fome, a criança que deixava de ir à escola porque era dia de lavar o único uniforme que tinha, a ausência de brinquedos e o trabalho precoce me ajudaram a rever minha ótica e a começar a me preocupar com o direito de todos.

Quando estas pessoas começaram a se unir para exigir um lugar ao sol, tivemos o florescer de diversos movimentos sociais como o Custo de Vida. Panelas vazias eram um símbolo de uma necessidade premente que assolava estes lares e a consciência de direitos começou a se construir a partir do não atendimento ao mínimo necessário.

Quando comecei a atuar no social, num primeiro momento, a partir da Igreja onde me envolvi na catequese de crianças e jovens, é que fui percebendo onde estava vivendo.

Minha paróquia fica no centro de São Paulo, e padres e bispos diziam que as pessoas que a frequentavam eram de fora do centro, vinham dos bairros pois o centro tinha melhor qualidade de vida. Doce ilusão!

Logo nos primeiros olhares, nas primeiras visitas às famílias, descobrimos uma multidão de crianças e jovens, vivendo em cortiços, ficando sozinhas quando os pais iam trabalhar e cuidando de irmãos menores… afinal, não havia dinheiro para contratar cuidadores.

Num dos trabalhos que fizemos naqueles anos, descobri que muitas daquelas crianças nunca tinham visto terra, achavam que água era algo onde não deviam mexer e quando tinham dúvidas nas lições de casa não tinham qualquer apoio pois muitos daqueles pais e mães nem eram alfabetizados.

Fiz as crianças brincarem na terra, se molharem brincando de jogar água umas nas outras, e dei algumas aulas particulares.

O mundo onde elas viviam era perigoso. Nunca vou me esquecer do dia em que uma mãe chegou para mim com seus quatro filhos e me disse que a mais velha fora atacada sexualmente na frente da irmãzinha e ela não sabia o que fazer. Me vi a braços com um drama real que pedia solidariedade e cuidados.

O agressor fizera aquilo como retaliação, já que era traficante e o pai das meninas, por ser honesto, estava a atrapalhar seu comércio.

Tenho a clareza, hoje, que não fui eu quem me aproximou da realidade vivida, mas ela é que como uma enxurrada entrou na minha vida e se instalou para sempre cobrando de mim que “comprasse aquelas brigas”.

A População de Rua

Foi neste cenário que conheci a luta das pessoas que vivem nas ruas. Sabedoras de que aquela Paróquia tinha ações sociais, elas se impuseram e vieram até nós que ainda estávamos numa certa redoma protegida.

Aqueles “pedintes”  quebraram barreiras e se fizeram ouvir, ao mesmo tempo em que demonstraram que tinham um potencial a ser resgatado.

Minha primeira surpresa foi musical. Fortunata, amiga querida e religiosa que se empenhava nesta luta estava tocando violão e um daqueles rapazes de rua pedia músicas… quando perguntei se gostava de música, pegou o violão e deu um show: era um artista de primeira linha.

Acompanhei a consolidação da organização destas pessoas e hoje me sinto parte da luta do Movimento Nacional da População de Rua.

São homens e mulheres, crianças, adolescentes, adultos e idosos, iletrados ou com escolaridades respeitáveis, que passaram por diversos espaços profissionais e tem uma capacidade a ser recuperada, seja por processos de  qualificação ou pela facilitação na mediação com o Mundo do Trabalho.  Estima-se que a cidade de São Paulo tenha mais de 35 mil pessoas em situação de rua.

2019: Ano de promessas ou de ameaças?

Das falas dos governantes, podemos antever o que pode ocorrer nos próximos anos.

Direitos do Trabalhador: Jair Bolsonaro disse em sua Campanha que trabalhador que quiser direitos,  deve procura-los em outro lugar que não o Mundo do Trabalho. Atendendo a sua sugestão, o Presidente Temer já acabou com o Ministério do Trabalho, colocando esta “temática” subjugada aos interesses dos empresários. No discurso, Férias remuneradas e 13º são supérfluos que devem sumir com o tempo. E, criou-se um novo tipo de contratação sem direitos em que trabalhadores, sem remuneração, devem ficar a disposição para quando forem trabalhadas.

Direitos Previdenciários: outro ataque é o que vem sofrendo a Previdência. Adia-se a aposentadoria, aumentando-se os anos de trabalho. Em São Paulo, lei aprovada ontem faz com que funcionários públicos passem a deixar 14% de seus salários para ajudar a custear a previdência.

Violência Policial: ao arrepio da lei, as ordens, por enquanto verbais de Jair Bolsonaro e João Dória autorizam as polícias a aumentar a  truculência e atirar na cabeça. E vários incidentes já tem mostrado que isso se volta contra o jovem pobre e preto.

Entrega do Patrimônio: desmantelam-se leis de proteção ambiental e coloca-se a natureza a disposição de quem pagar mais, e já se negocia com outros países a cessão de nossos direitos.

Direitos indígenas: em nome de uma inclusão que aponta que “índios são seres humanos” (sic) propõe-se a abolição das reservas indígenas e o ataque à essa cultura.

Direito de reunião: em nome da ordem, ataca-se princípios constitucionais que garantem o direito de expressão e de reunião e Jair Bolsonaro aponta que “reclamar é terrorismo”.

Aonde vamos parar é a pergunta que está no ar e, espero sinceramente estar enganada e poder dizer daqui a um tempo que era tudo uma questão de retórica e que os direitos dos brasileiros seguem sendo respeitados.

E  você, o que espera de 2019?


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